quarta-feira, 19 de setembro de 2018

C.L. Taylor - O Medo [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: O Medo é o mais recente thriller psicológico da autora britânica C.L. Taylor, conhecida por cá pelas suas obras Desaparecido e Em Fuga. Embora tivesse ficado impressionada com estes dois livros, devo dizer que O Medo me agradou ainda mais.

A trama centra-se em Lou Wandsworth, uma mulher que se encontra incapacitada de ter um relacionamento amoroso com o actual pretendente Ben devido a um trauma: quando esta tinha 14 anos, foi levada para França pelo seu professor de karaté Mike Hughes, com quem, alegadamente, mantinha um romance.
Passados 18 anos, Lou descobre que Mike está a aliciar uma outra adolescente e decide actuar.

Estamos perante uma história que, como terão depreendido, aborda o tema da pedofilia e das relações tóxicas, temáticas que, inevitavelmente, apresentam um cariz perturbador. Creio que a autora conseguiu traçar um retrato bastante fidedigno de um pedófilo e a forma de pensar e de agir de Mike Hughes chocou-me genuinamente. Este é, claramente, o vilão da trama, diferenciando-se dos vulgares antagonistas deste sub-género literário, que na grande maioria dos casos se caracterizam como sociopatas ou mesmo assassinos. No caso em apreço Mike encontra-se nessa categoria devido à sua perversa parafilia. Não me recordo de ter lido uma trama em que um pedófilo assuma um papel assim tão preponderante.

A trama é narrada sob a perspectiva das três personagens femininas: a protagonista Lou, Chloe - a menina de 13 anos que está enamorada, actualmente, por Mike - e Wendy - uma mulher que, inicialmente, não sabemos muito bem qual é o seu papel na trama embora ela apresente uma estranha obsessão por Lou.
Apenas os capítulos referentes a Lou são narrados na primeira pessoa, o que nos oferece uma maior percepção sobre o quão traumatizada estava a personagem com o que lhe acontecera, há 18 anos atrás. 

Embora a narrativa se situe na actualidade, existem flashbacks, na forma de entradas de diário, que permitem o leitor acompanhar a experiência de Lou na adolescência, relatos estes que me deixaram extremamente angustiada.
Portanto, esta foi uma leitura bastante intensa e surpreendente devido às suas constantes reviravoltas que não me permitiram, de forma alguma, antever o rumo da narrativa.

Em suma, estamos perante uma obra que, de certa forma, nos permite "entrar" na mente de um predador sexual e, simultaneamente, na das suas vítimas, tratando-se, portanto, de uma história intrigante e de contornos chocantes. Uma leitura que, por esta percepção, me entusiasmou de sobremaneira.


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