quinta-feira, 26 de abril de 2018

Elle Croft - A Mulher Culpada [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: O thriller de estreia de Elle Croft intriga desde os instantes iniciais. Tomamos conhecimento que a protagonista, Bethany, tem uma relação amorosa com Callum, todavia, rapidamente nos apercebemos que o seu marido é Jason. Através de uma narrativa feita sob a perspectiva de Bethany, os leitores são levados a crer que esta se terá apaixonado pelos dois homens, envolvendo-nos na história tentando criar uma certa empatia com a aludida protagonista. Creio que, desta forma, a autora encontrou um modo de substituir o rótulo de "adúltera", com conotação claramente negativa, para passar a vítima das circunstâncias.

Actualmente está em voga o subgénero de thriller que se debruça sobre as relações matrimoniais. E visto nessa perspectiva, A Mulher Culpada acaba por se distanciar dos demais. É certo que, com o desenrolar da história, o suspeito número um tenderá a ser o marido, passando a história a girar em torno do casamento disfuncional, todavia a autora deu um rumo menos óbvio à história. 
Inicialmente de cariz romântico, a componente thriller da trama revela-se quando Callum é encontrado morto e Bethany começa a ser ameaçada. Alegadamente alguém a quer ver envolvida neste crime.

Confesso que tenho um fraquinho por histórias de obsessão que, na presente história, se revela através de uma série de cartas e fotografias que inquietam a protagonista. Embora esta seja, aparentemente, inocente do crime, tem outros segredos a esconder, o que aumenta exponencialmente o interesse na trama. Como sabem gosto de personagens que possuem esqueletos no armário. O facto da história ser narrada na perspectiva de Bethany faz com que, simultaneamente, sintamos, como já referi, uma maior empatia com a personagem.

Existem poucas personagens que possam ser suspeitos, facto que intensificou a minha curiosidade na busca pelo deslindar do quebra cabeças que Croft propõe. À medida que a história se desenvolve, os suspeitos vão sendo, de certa forma, ilibados, o que me deixou ainda mais intrigada.

O ponto menos positivo da obra atribuo ao final. Para mim, o desfecho foi algo confuso e decepcionante talvez em resposta ao número limitado de suspeitos. Desse modo creio que a autora tinha pouca margem de manobra para nos surpreender. Ainda assim, creio que a trama carecia de um final mais empolgante e intenso.

Em suma, um thriller psicológico auspicioso. Peca apenas pelo desfecho, pois, pessoalmente, teria gostado de uma conclusão mais surpreendente. 


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