terça-feira, 7 de agosto de 2012

Yrsa Sigurðardóttir - Lembro-me de Ti [Opinião]

Yrsa Sigurdardóttir consagrou-se há muito, como uma das minhas autoras favoritas. Este livro é o quarto publicado em português e pode ser lido independentemente de se conhecer as anteriores obras da autora, uma vez que os personagens são diferentes. Neste livro não intervém a protagonista dos livros anteriores, a advogada Thora ou Póra (ver as designações dadas a esta personagem da Quetzal e da GOTICA, respectivamente).

Antes de avançar para a minha crítica propriamente dita, acho que nunca o escondi por aqui, mas adoro as capas da Quetzal. Para não variar, esta penso que esta lindíssima, a paisagem, o título, os discretos salpicos de sangue, pelo que antes de mais nada, felicito uma vez mais a editora pelo tão bom gosto no grafismo das capas, em especial esta.
Tenho igualmente a apontar que na minha análise ao livro, irei mencionar o nome de algumas personagens. Fá-lo-ei consoante a minha percepção dos seus nomes em português visto que o teclado lusófono não contempla estes símbolos de origem rúnica.
Estes nomes islandeses são um pouco difíceis de reter, no entanto a acção cinge-se a não mais do que meia dúzia de personagens, o que facilita na memorização do nome das mesmas face ao papel que desempenham na trama.

Posto isto, Lembro-me de Ti contempla duas histórias aparentemente distintas: um grupo constituído pelas personagens Gardar, Katrín e Líf que propõem-se a recuperar uma velha casa abandonada nos fiordes. Na outra margem, o psiquiatra Freyr investiga o estranho suicídio de uma mulher mais velha de seu nome, Halla. O caso torna-se mais surreal quando ele descobre que Halla está de alguma forma relacionada com o desaparecimento do seu filho Benni.

O aspecto mais interessante, a meu ver, é a forma como a autora brilhantemente formula dois enredos que nada têm a ver, na história e atrevo-me a dizer, no género. A trama referente a Gardar, Katrín e Líf é mais de cariz terrorífico, enquanto a de Freyr abraça o género de suspense e mistério.
Embora diferentes em género, ambas as narrativas parecem convergir na temática do espiritismo, estando à altura de uma história de Melinda Gordon (da série televisiva Entre Vidas). No entanto, estes contornos sobrenaturais fundem-se naquela que será uma realidade lógica.

Ora não fosse este um livro protagonizado por um psiquiatra, doenças do foro psíquico e perturbações mentais são temas habilmente conduzidos nesta trama enigmática mas pausada, tendo uma particularizada voracidade na sua leitura: os capítulos entrelaçam as duas subtramas de forma alternada. Cada capítulo termina quase como aberto, antevendo um acontecimento inovador, fazendo com que o leitor leia quase compulsivamente o livro, ávido por querer saber o desfecho de cada subtrama e como elas convergem e para mim, esta foi uma verdadeira surpresa.
Picos de acção também os há, sobretudo nas passagens da permanência nos jovens na casa, confundíveis com possíveis sobressaltos, quase como se de um filme de terror se tratasse. Em relação à trama de Freyr, estes fazem-se sentir não só nas revelações das demais personagens que fará com que o psiquiatra ligue coerentemente as pistas do dramático desaparecimento de Benni. Mais do que adrenalina, estes serão momentos de genuína surpresa.

É uma trama com uma elevada carga psicológica, efeito conseguido não só pelas várias conjunturas do ocultismo como também devido à própria caracterização das personagens, misteriosas, que revelam os seus mais íntimos segredos ao longo da trama contrapondo-se às personagens que, como os pacientes de Freyr, constituem rápidas revelações. Estas só farão sentido no final do livro, quando todas as peças do puzzle se juntarem para combinar um grandioso desfecho que eventualmente poderá ter uma sequela caso a autora assim o deseje.

Mas o fascínio que este livro exerceu sobre mim vai além da história: foi extremamente benéfico viajar à Islândia, passear nos fiordes sobre a neve e assistir ao fenómeno da aurora boreal. Fascinante, não?

Em suma, Lembro-me de Ti foi um livro de que gostei imenso, embora reconheça que não sou grande apreciadora de temáticas de espiritismo. No entanto a qualidade da trama envolvente é equiparável às histórias protagonizadas por Thora. Resta-me confessar que sinto saudades em ler mais um dos seus casos, tal é a empatia que esta personagem cria com o leitor. Fico ansiosa que a Quetzal publique em breve mais uma das suas emocionantes tramas.

5 comentários:

  1. Ena, devoradora de livros. :) Apesar de andar em contenção de custos sou capaz de o adquirir, embora provavelmente só lá mais para Setembro. O anterior era muito bom e os nórdicos têm uma maneira de escrever diferente dos anglo-saxónicos, e igualmente diferente dos franceses, não sei se me faço entender. A escola literária é diferente e, por acaso, gosto bastante dessa escrita.

    Matusalem

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  2. Este livro é realmente bastante bom.

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  3. Ola! Tambem fiquei muito curiosa e ainda para mais eu nao conheco a autora. Sera por isso uma estreia. Talvez amanha o compre. Estou indecisa entre rpeste e as Gemeas do gelo. Na altura decido. As capas tambem compram. E a Gotica e eximia nesse aspeto. Darei noticias brevemente...

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    1. Dificil... gostei muito de ambos! No entanto, este livro tem um fundo mais paranormal... a história das Gémeas é mais realista. Depois diga o que comprou e melhor, o que achou do livro ;)

      Um grande beijinho e boas leituras!

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    2. Ola! Ja comprei o Lembro_me de TI e nao consigo para de ler. Ja estou no capitulo 25! Grande trama que a autora engendrou. Muito bom. Ddpois vou ler o Flores caidas no jardim do mal do Mons Kallentoft (algo assim). As gemeas ficam para setembro. Ainda no que toca ao Lembro_me de Ti transoosto para cinema deve ser e cortar o folego. Eu imaginei as cenas piores...Obrigada.
      Beijinhos e boas leituras tambem. Isto e um vicio.

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