domingo, 22 de fevereiro de 2015

Jo Nesbø - O Morcego [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Finalmente o primeiro livro da série protagonizada por Harry Hole foi publicado em terras lusas! Depois de uma breve pesquisa na internet, percebi que esta obra, embora escrita em 1997, foi publicada recentemente em inglês. Também os anglo-saxónicos tiveram acesso a esta série, assim como nós, a partir do terceiro volume, correspondente ao Pássaro de Peito Vermelho.
Já tinha o ebook em inglês no Kobo a aguardar pacientemente que eu tivesse coragem para enveredar pela sua leitura. No entanto, devo confessar que tenho alguma reticência em ler no formato digital e noutra língua que não a materna.

Sempre tive muita curiosidade em saber o início desta série, pois afinal de contas, é uma das minhas preferidas. Não obstante, e finda a leitura, penso que a série melhora a cada volume publicado e O Morcego não conseguiu destronar o meu livro preferido que foi O Leopardo. 
E mais, achei que, inicialmente, Harry Hole estava um pouco diferente do que tinha lido até então. Curiosamente, nunca soube como se pronunciava o seu nome e é neste livro que percebi que Hole se pronuncia como Hoo-leh, embora em toda a narrativa, os colegas constantemente confundiram o seu apelido com Holy.
No entanto, à medida que a história se desenvolve, apercebemo-nos da verdadeira essência de Hole, dos seus problemas com o álcool e das suas relações amorosas. Ainda assim, é um Hole que se distancia das suas características sombrias a que estava habituada.

Como é usual nos livros de Nesbø, a trama tem como cenário um outro país que não a Noruega. Neste caso em particular, a história passa-se exclusivamente na Austrália e é-nos dada a conhecer a perspectiva de um turista, embora Hole vá para investigar, não invalidando uns quantos passeios por vários pontos do território australiano. 
A cultura australiana, factos sobre animais bem como lendas associadas aos aborígenes são referidas na narrativa a fim de intensificar o efeito da sensação de estarmos lá, juntamente com Hole e a participar activamente na investigação do caso. Muito sinceramente, penso que algumas lendas aborígenes que são relatadas são irrelevantes para a história.
Por outro lado, fascinou-me o Aquário de Sydney, cenário do conflito entre o antagonista e Harry. Fiquei com vontade de revisitar o Oceanário.

Nunca me tinha interessado muito pela Austrália, mas lendo O Morcego percebi que este país é multi-cultural onde habitam os autóctones (aborígenes), descendentes dos colonos ingleses e irlandeses e emigrantes de vários pontos do globo. E nesta perspectiva surge uma personagem feminina, de naturalidade sueca, com alguma importância na trama, de seu nome Birgitta. E percebi que existe uma subtil "rivalidade histórica" dentro da própria Escandinávia.

Em suma, O Morcego não me arrebatou. Não achei a história tão complexa quanto as dos meus livros preferidos do autor. Como referi, a série de Harry Hole vai tornando-se cada vez melhor. 
No entanto, para uma fã acérrima de Nesbø como eu, este é um título imprescíndivel na estante. Congratulo a Dom Quixote e faço votos que publiquem, o mais brevemente possível, o segundo livro da saga, de seu nome Cockroaches.


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