segunda-feira, 27 de março de 2017

Caroline Eriksson - Desaparecidos [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Mais um livro oriundo da Suécia, desta feita, um thriller psicológico. Para quem, como eu, é fascinada pelas obras literárias oriundas da Escandinávia, foi bom ler algo num registo diferente. Todavia, a literatura policial nórdica ou thriller, que conheço, restringe-se à fórmula de um assassino na mira de um investigador ou um detective. 
Esta obra, por sua vez, distancia-se das demais por não ter um caso criminal subjacente à narrativa. 

A premissa assenta no desaparecimento, numa ilha, de Alex e Smilla, respectivamente o pai e filha da protagonista. Porém parece que a personagem principal, Greta, nunca casou nem teve filhos. 
Note-se que esta história está longe de aprofundar uma situação de desaparecimento, o que acaba por ser invulgar neste tipo de narrativa.

Em primeira análise, o aspecto mais imediato a atentar é a forma dúbia como Greta se relaciona com o leitor. Pessoalmente nunca consegui confiar nela, até porque esta relata alguns episódios do passado, tornando-se notório que a protagonista é psicologicamente perturbada devido a um trauma. Essa condição clínica de Greta apenas será desmistificada no desenvolvimento da acção. Por outro lado senti uma certa dependência da personagem em relação à mãe, facto que não é muito comum se tivermos em conta a sua idade e até o estado civil. 

Agora que reflicto sobre a história, atrevo-me a dizer que expandi a minha incredulidade ao reduzido elenco de personagens. Na minha opinião, todas as personagens carecem de confiança, o que contribui para intensificar o sentimento de suspeita.

Segundo, e porque sou maravilhada pela Suécia, considerei a história como extremamente sensorial. Falo sobretudo do cenário, adorei o ambiente da ilha (imaginei como sendo a ilha de Gotland, que já tive oportunidade de pesquisar quando li um outro livro conterrâneo). Todavia esta descrição não é, na minha opinião, morosa, antes pelo contrário, pois o livro, que tem pouco mais de 250 páginas, restringe-se ao fundamental, interligando o cenário da ilha isolada com a acção. O efeito claustrofóbico funciona muito bem neste tipo de histórias.

Em relação à trama, devo dizer que é feita de impressões e percepções, pois nada é o que parece. Como referi, o facto de termos uma narradora não confiável, faz-nos oscilar por entre várias ilações. Existem efectivamente o marido e o filha? Ou serão estes apenas fruto da sua imaginação? 
Estas teorias, na minha experiência de leitura, não maturaram. Isto porque li o livro durante a tarde de sábado e não houve tempo de interromper a leitura e reflectir nas várias opções para o rumo da história. Por conseguinte, acabei por ser surpreendida com a resolução do puzzle, não obstante esperar um dramatismo mais intenso no clímax.

Em suma, esta foi uma leitura que me prendeu embora o final tenha sido, na minha opinião, anti-climático. Esta é, indubitavelmente, uma autora a ter em atenção de futuro. 


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