quarta-feira, 24 de maio de 2017

Jo Nesbø - O Filho [Opinião]

 

Sinopse: AQUI

Opinião: O Filho é um stand alone de um dos meus autores nórdicos de eleição, Jo Nesbø.
Devo confessar que, nas primeiras páginas, estranhei a ausência de Harry Hole, uma das mais carismáticas personagens criadas pelo autor. Porém, essa saudosa sensação acabou por desaparecer e centrei-me na história de Sonny Lofthus, um jovem que está preso ainda que inocente dos crimes pelos quais foi condenado.

Logo por aqui temos uma premissa curiosa, o facto de haver um recluso que é um modelo na comunidade prisional e que está, aparentemente, desprovido de qualquer culpa de índole criminal. A trama parece, numa primeira análise, levantar questões interessantes como a redenção ou a ambiguidade moral. Porém, a história vai mais além: é uma incursão ao submundo da droga e à corrupção dentro da polícia norueguesa, sem que seja uma abordagem aborrecida. Por vezes lembrou-me O Fantasma, cuja temática é, como saberão os fiéis da série, relativamente semelhante, mas o rumo da história é completamente diferente.
 
Ao contrário do que costuma acontecer quando inicio a leitura de um romance de Jo Nesbø, regra geral, é reviver as personagens. Creio que o elemento de sucesso é a relação especial que existe entre as personagens da saga e o leitor.
Sendo este um livro fora da série, estabelecemos uma relação de raiz com as personagens. 
Claro que não há como não torcer por Sonny. Senti-me constantemente intrigada sobre o pai do recluso e creio que parte do interesse que se vai maturando no decorrer das páginas vai ao encontro do passado de Sonny e do seu pai. A acção frenética dos acontecimentos é um elemento com igual peso. Até apreciei a componente romântica do enredo, penso que desanuviou um pouco o clima tenso que por vezes se gerava.

O Filho é uma obra extensa mas nunca me senti maçada no decorrer da leitura. Reitero que senti alguma dificuldade em mergulhar na história, nas páginas iniciais, não obstante ter valido a pena insistir. A minha apreensão inicial transformou-se num entusiasmo que teima em persistir, ainda que tenha terminado a leitura há uns tempos.
Noto que, comparativamente à série de Harry Hole, O Filho não teve tanto destaque, facto que lamento. Estamos perante uma obra muito bem conseguida, cheia de torções surpreendentes e lições de moral convidativas à reflexão. Um livro que é electrizante, e ainda que tenha sentido falta de Harry, esta leitura foi extremamente plazerosa.

Não precisei de ter lido esta obra para reforçar que Jo Nesbø é um dos autores que sigo atentamente. Quanto a mim, ficarei a aguardar, com alguma ansiedade, pela publicação de mais obras do autor.



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