quarta-feira, 5 de julho de 2017

Robert Bryndza - A Rapariga no Gelo [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Este livro era mais um que iria ler em inglês. O ebook aguardava a sua vez no ereader mas eis que a versão portuguesa apareceu e quis, de imediato, ter um exemplar na estante. Como sabem, ambiciono fazer uma biblioteca policial cá em casa, tão rica quanto a do inspector Varatojo. 
Obrigada à editora Alma dos Livros por me ter feito chegar, pela primeira vez, um livro seu. 

Terei que ser sincera: terminada a leitura, não consigo compreender o hype em torno da obra. É um livro interessante, é certo, entretém bastante mas, a meu ver, é um policial banal e não acrescenta muito ao género.

Ora vejamos: a estrutura da narrativa segue a fórmula típica dos policiais: há um homicídio logo no prólogo, uma investigação policial subjacente, um grupo de suspeitos, uma ameaça recai sobre a responsável pela investigação, também ela atormentada por um drama familiar. É uma fórmula que resulta e entretém os leitores fãs do género que conseguem, amiúde, identificar algumas analogias com outras obras policiais. Por exemplo: o facto da protagonista ser viúva já o tinha observado noutras tramas similares. Outro aspecto digno de realce e igualmente de analogia relaciona-se com o facto de os superiores hierárquicos da inspectora serem, na maioria, homens, destacando-se uma certa competição (que nos dias de hoje não fará sentido) entre géneros. 

O mais estranho é que o autor introduz duas personagens, Isaac e Moss, que são homossexuais e têm respectivamente as suas famílias tornando mais inverossímil esta questão relativamente ao género. O autor tem abertura para desenvolver dois casais homossexuais, sendo que pelo menos Moss terá alguma importância na série, mas há discriminação de géneros no trabalho? Não me soou tão credível, esta posição tão open minded relativamente a umas questões e tão fechada noutras.

Por último, gostaria de incidir num aspecto comum na literatura policial e que é também usado por Bryndza: a inserção da perspectiva do assassino, um ingrediente que acho particularmente estimulante. A meu ver, estes pontos de vista do antagonista permitem-nos antecipar o seu próximo passo, avaliando assim o seu carácter. Este assassino, de tantos outros com que me deparei na literatura policial, não é o mais sádico. Ainda sobre este ponto, para mim não foi surpreendente a sua identidade.

Creio que o aspecto que se torna realmente inovador é a naturalidade como surgem as duas famílias que citei anteriormente. Não creio que a homossexualidade seja abordada com frequência na literatura policial e quando é, acaba por estar subjacente às vítimas, frequentemente, criando a partir daí um móbil para o crime. Portanto, gostei de ter visto abordada a questão num outro prisma.

A trama é muito actual, os desenvolvimentos da investigação levam ao sacudir de segredos sobre a vítima, Andrea, filha de uma prestigiada família em Londres. São debatidas questões sociológicas interessantes como a influência das redes sociais ou a participação pouco activa dos pais na educação dos filhos (um fenómeno que denoto ser cada vez mais comum nos dias de hoje).

A Rapariga do Gelo é, como referi anteriormente, um livro que entretém e proporcionou-me um bom momento de leitura mas, infelizmente, não me deslumbrou. Não excluo a hipótese de ler o segundo da série e verificar como esta progride.

Creio que, acabando as minhas considerações sobre este título, resta-me apenas congratular a recém editora Alma dos Livros, incentivando-os a publicar mais obras deste género, o de minha eleição. 


4 comentários:

  1. Tens toda a razão, mas depois de ler o "Porto das Almas"... este, além de previsível e talvez um pouco simplório, até que não foi assim tão mau! :)

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    1. Aiii O Porto das Almas :( Ultimamente não ando com muito boas escolhas literárias, não :/

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  2. Acabei, agora mesmo, de ler o livro A RAPARIGA NO GELO (The Girl in the ice), adorei e fui surpreendido pelo final, bastante mesmo. Só dá para se desconfiar mesmo no fim.

    Excelente. Está de parabéns Robert

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  3. Tivemos uma opinião muito parecida pois também o achei muito previsível ;)

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