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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Especial MOTELx 2017: Better Watch Out de Chris Peckover


Sinopse: Luke é um rapaz como muitos outros, com uma família suburbana atenciosa. É a altura do Natal e os seus pais vão jantar fora, deixando o rapaz de 12 anos ao cargo da babysitter Ashley que, por acaso, também é a rapariga por quem tem uma grande paixão. Enquanto Luke a tenta impressionar, ambos apercebem-se rapidamente de que um estranho se está a meter com eles. Fechados em casa sem forma de comunicar com o mundo exterior, e forçados a jogar ao gato e ao rato, esta vai ser uma autêntica luta pela sobrevivência... ou será que é algo ainda mais sinistro? Com claras referências ao “Home Alone”, “Better Watch Out” pega no conceito do clássico dos anos 1990 e faz dele uma inteligente comédia negra, onde o Natal se transforma em plano de fundo para uma história sangrenta de home invasion.

Opinião: Um filme surpreendente que parece apostado em acabar com o espírito natalício que ainda resta.
A premissa desta comédia negra poderia perfeitamente ser: "E se Sozinho em Casa tivesse sido realizado por Wes Craven, por Tobe Hooper ou mesmo por Rob Zombie?"

Quando começamos a ver Better Watch Out vamos com a expectativa de ver algo relacionado com a subtrama "Home Invasion" e por alguns momentos, parece que a acção vai nesse sentido. Contudo, vemo-nos perante um "volte face" algo inesperado e a narrativa passa a seguir uma linha completamente diferente.

É óbvia a inspiração deste filme no franchise familiar "Sozinho em Casa" que imortalizou Macaulay Culkin no papel do engenhoso Kevin McCallister. Todavia Better Watch Out não é um filme que mereça, de forma alguma, a classificação de "Maiores de 6", nem tampouco "Maiores de 12".

De realçar a magistral interpretação do jovem actor australiano Levi Miller que tinha apenas 14 anos aquando do lançamento desta obra.

Uma vez mais é um filme surpreendente, provocador e que poderá até perturbar alguns espectadores mais sensíveis.


Especial MOTELx 2017: The Bad Batch de Ana Lily Amirpour


Sinopse: A jovem Arlen é abandonada numa zona árida do Texas separada da civilização por uma barreira. Enquanto se tenta orientar por entre a paisagem implacável, é capturada por um grupo de canibais selvagens liderados pelo misterioso Miami Man. Com a vida em risco, ela decide fugir ao encontro de um homem a quem chamam O Sonho. Enquanto se adapta à vida no seio da Má Fornada, Arlen descobre que ser-se bom ou mau depende essencialmente de quem se encontra ao nosso lado. Depois de ter chamado a atenção com o western spaghetti vampírico “A Girl Walks Home Alone at Night”, a realizadora Ana Lily Amirpur oferece-nos agora esta ‘odisseia pop pós-apocalíptica’ que conta com nomes de peso no elenco como Keanu Reeves, Jim Carrey, Jason Momoa ou Diego Luna.

Opinião: Passado algures na fronteira entre o México e o Texas, num futuro pós-apocalíptico, acompanhamos o percurso errático de Arlen, desde uma comunidade de canibais, até uma pequena vila-refúgio que, aparentemente, se apresenta como um pequeno paraíso no meio daquela paisagem inóspita e que é gerida pelo enigmático The Dream.

O filme começa bem com algumas cenas mais fortes a fazer lembrar títulos de culto como Hostel ou Guinea Pig. Contudo, com o passar do tempo, a trama começa a arrastar-se de forma penosa.

Um dos pontos negativos vai para a falta de empatia da protagonista que, claramente, não sabe o que quer, limitando-se a andar para trás e para a frente, entre o deserto e a vila-refúgio, oscilando entre a auto-comiseração e o desprezo por tudo o que a rodeia.

Penosas também as interpretações de Keanu Reeves e Jim Carrey, claramente já no ocaso das respectivas carreiras. Mais coerente e consistente acaba por ser a interpretação de Jason Momoa, em linha com outras actuações do mesmo actor.

Em suma, um filme que começa bem, mas que acaba por se arrastar durante quase duas horas para, no fim, ficarmos com a sensação de que o mesmo foi completamente "pointless".


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Especial MOTELx 2017: El Bar de Álex de la Iglesia [Opinião Cinematográfica]


Sinopse: Nove horas da manhã: algumas pessoas tomam o pequeno-almoço num café no centro de Madrid. Uma delas, um homem, está com pressa. Ao sair para a rua, um tiro atinge-o inesperadamente. Ninguém se atreve a ajudá-lo. Presos dentro do café, todos se apercebem rapidamente de que nem deles próprios estão a salvo... É o regresso do mestre Álex de la Iglesia à comédia de género e a um tema já antes explorado em filmes como “Common Wealth”, “800 Bullets” ou “Witching and Bitching”, ou seja, personagens enclausuradas num único espaço físico. Para explorar este tema, Iglesia conta com o seu parceiro desde “Mutant Action”, Jorge Guerricaechevarría. O filme foi estreado mundialmente na última edição do Festival de Berlim.

Opinião: Chega Setembro e eu começo a fazer o aquecimento para o evento mais aguardado do ano para fãs de terror, como eu! A minha vontade era ver os filmes todos do festival mas, com muita pena minha, é economicamente inviável.

Começo por dizer que sou grande fã do cinema de terror espanhol e Álex de La Iglesia é uma referência no género. Daí que, quando soube que este filme estaria em cartaz nesta edição do MOTELx, não hesitei em vê-lo.

El Bar é um filme que destaca o instinto de sobrevivência numa situação limite, recorrendo a uma das sensações mais tenebrosas: paranóia. 
Inicialmente pensei que o tiroteio fosse algum acto de terrorismo e que seria um rastilho para uma trama, embora ficcionada, alicerçada sobre os constantes ataques que se têm vislumbrado na Europa. Porém, rapidamente descartei essa hipótese. O rumo da história envereda por um outro caminho, cujas pistas são dadas logo no início. Basta atentar à abertura do filme, em que mostram ampliações de bactérias. 
Além desta aparente indução ao tema do terrorismo, a história faz uma breve referência ao poder da comunicação social e como este consegue adulterar informação e assim, manipular a população.

Creio que o aspecto mais bem conseguido é a sensação contínua de claustrofobia. A história passa-se, em primeiro plano, num bar em Madrid e, posteriormente, no sistema de saneamento por baixo. Devo dizer que este segundo cenário, ainda que igualmente claustrofóbico, consegue ainda ser mais repulsivo. Impressionou-me, confesso.

Penso que as personagens representavam, de certa forma, um estereótipo na sociedade. A título de exemplo, temos a mulher aparentemente fútil, o mendigo, a viciada no jogo... e sendo um filme cujo tema relaciona-se fortemente, como já afirmei, com o instinto de sobrevivência, os actos de altruísmo são apenas pontuais.

Não obstante estes pontos que me agradaram, houve um que achei menos positivo. Na minha opinião, a origem daquela situação carecia de uma explicação mais pormenorizada. No final, fiquei com a sensação de ambiguidade sobre a verdadeira génese daquela situação.

Tirem as vossas próprias conclusões. O filme será exibido no MOTELx nas seguintes sessões e horários:

Sessão 1 - Quarta-feira, 6 Setembro 2017 às 19h00
Cinema São Jorge
Sala Manoel de Oliveira

Sessão 2 - Sexta-feira, 8 Setembro 2017 às 14h30
Cinema São Jorge
Sala 3