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quinta-feira, 14 de maio de 2020

Minette Walters - O Violador [Opinião]


Sinopse: Doze horas depois do corpo de uma mulher de 31 anos dar à costa numa zona deserta do sul de Inglaterra, a filha da vítima, de três anos de idade, é encontrada a vaguear pelas ruas de uma cidade situada a vários quilómetros do local do crime. Katte Summer fora violada, estrangulada e torturada antes de ser atirada à água e as suspeitas recaiem sobre três principais suspeitos: o marido de Kate, William Summr, um homem torturado e sexualmente frustrado; Steven Harding, um jovem actor atraente e charmoso mas também perturbado, cujo barco se encontra ancorado muito perto do sítio em que a filha de Katte foi encontrada e Tony Bridges, um professor cuja amizade por Harding se vinha a deteriorar há já algum tempo. Porque razão teria sido Katte assassinada e porque é que a sua filha, para todos os efeitos uma testemunha, teria sido autorizada a viver? E porque é que sempre que o pai tentava agora pegar-lhe ao colo gritava de medo?

Opinião: Recordo-me perfeitamente do entusiasmo com que comprei este livro, há uns anos, numa feira de alfarrabistas. Como sabeis, aprecio obras que se desenvolvam a partir de um tema chocante, como é o caso dos crimes sexuais. Há uns dias, estava a contemplar a colecção O Fio da Navalha - escrevi até um post na altura, com a listagem completa dos títulos - quando se instalou a nostalgia e tirei, assim sem grande premeditação, este exemplar da estante. Já há muito que não lia uma obra desta autora britânica.

O que indubitavelmente marca esta obra é a estrutura dinâmica da história: o desenvolvimento da narrativa é complementado com depoimentos de testemunhas ou relatórios forenses, tendo-me sugado para a história. Esta estrutura tão invulgar fez-me sentir que eu própria participei na investigação criminal, tendo acesso aos documentos para que eu mesma pudesse formular a minha teoria sobre este crime. Confere, igualmente, uma base mais verosímil à trama.

Existindo apenas dois suspeitos do crime, estava na expectativa sobre quem recaía a culpa de ter violado e morto Kate. Temia, pois, que a descoberta da identidade do homicida fosse demasiado evidente, percepção que, felizmente, foi deitada por terra. Ainda que nos pareça óbvia a identidade do perpetrador, a trama não é tão linear como aparenta e fui surpreendida, em diversos momentos, com revelações interessantes que foram surgindo no decurso da investigação.

Gostei da caracterização das personagens, em especial a da vítima, que é bem mais complexa do que nos dá, inicialmente, a entender. E o curioso é que este profundo desenvolvimento de Kate é feito numa situação post mortem, a meu ver, mais interessante do que se fosse por analepses.

Se a violação seguida de homicídio é, por si, uma situação já chocante, a trama adensa-se quando se descobre que a babé Hannah, filha de Kate, é encontrada a deambular, desorientada. Sendo uma personagem de tão tenra idade, faz bastante confusão imaginar uma bebé nesta situação. O enquadramento familiar da vítima acaba por trazer uma tensão ainda maior.

Em suma, O Violador é uma obra que se debruça sobre um crime perturbador, com contornos bastante fortes, narrada sob uma estrutura original e convincente. Apesar de ser um livro com já 20 anos, não achei que a história fosse datada.
Foi com grande interesse que acompanhei esta investigação policial e espero que a próxima visita à colecção O Fio da Navalha me proporcione uma leitura igualmente plazerosa. 


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Livro da Semana - Editorial Presença

Esta semana o livro com desconto da Editorial Presença pertence a uma das minhas colecções preferidas de policiais/thrillers, O Fio da Navalha. E como tal, aqui deixo uma óptima sugestão de leitura (já li o livro, ainda antes do blog existir (daí não ter opinião escrita por estas lides) e é simplesmente fantástico!)
Um preço apelativo (e com portes gratuitos) penso que é uma oportunidade a não perder!

Recomendo vivamente!!!

Fantasmas do Passado

Minette Walters

Colecção: O Fio da Navalha (nº 104)

P.V.P.: 19,68 € 11,90 €
Nº de Páginas: 380
Sinopse: Em 1970, um jovem deficiente é condenado pelo assassínio da sua avó. Em 1973, Harold, esse mesmo jovem, suicida-se na prisão. Trinta anos mais tarde um antropólogo, Jonathan Hughes, publica um ensaio com o nome Mentes Perturbadas, um estudo sobre os erros da máquina judicial britânica com base no caso daquele jovem, que Hughes acredita ter sido condenado injustamente. Na sequência dessa publicação, recebe cartas de pessoas que de alguma forma tinham estado próximas daquele julgamento trágico e entre elas encontra-se George Gardener, que tem os seus próprios motivos para acreditar na inocência de Harold. Entretanto o criminoso continua à solta após tantos anos...


terça-feira, 14 de junho de 2011

Minette Walters - A Máscara de Desonra [Opinião]

Há algum tempo li um livro desta autora, Fantasmas do Passado, e fiquei extasiada, principalmente com a forma como a autora formula enredos engenhosos e pela própria escrita envolvente. Ora a tendência verifica-se no decorrer desta narrativa.

Este livro constitui o 2º volume da Colecção O Fio da Navalha, da Editorial Presença, sendo portanto um dos livros mais antigos de uma das melhores colecções a nível de literatura policial/thriller.

Uma idosa velha e amarga de seu nome Mathilda Gillespie é encontrada morta na banheira, com os pulsos cortados e com uma máscara de desonra colocada (um engenho colocado em mulheres nos séculos XVI-XIX, sendo um objecto de tortura) em adorno de flores. Terá sido suicídio? Ou um homicídio dissimulado?
Com o desenvolver da narrativa, o leitor vai conhecendo a personagem Mathilda, através da investigação por parte da sua médica, Sarah Blakeney, a única pessoa que realmente se importou com a idosa em conjunto com o polícia Cooper.

Mais do que uma investigação do crime, o enredo trará a lume, uma perspectiva dura e crítica sobre os segredos de família, os desejos e mal entendidos que pairam sobre Mathilda. É portanto uma história onde a componente policial é tão forte como a dramática. A autora ganha pontos ao recorrer a uma parcela considerável de psicologia sádica e maliciosa.

Mais uma vez, Walters preocupa-se em dotar as personagens com um certo grau de realismo. Assim, temos a detestada velhota Mathilda, uma personagem que se dará a conhecer pelas conclusões da investigação do seu homicídio, e pelos testemunhos que antecedem cada capítulo, através da presença das páginas do seu diário. A sua filha e neta, que não escondem a avareza pelo dinheiro da idosa, a médica Sarah (com os seus conflitos matrimoniais) e o próprio polícia. São personagens que acabam por cativar e convencer o leitor.

Torna-se muito evidente, praticamente desde os primórdios do livro, que a morte da velhota não terá sido um suicídio. Simultaneamente são apresentadas as diversas personagens que têm, ainda que indirectamente, relacionamentos com a defunta. Este ponto é fundamental para estabelecer um clima de desconfiança em relação aos intervenientes da narrativa. Os personagens, naturalmente, não são o que aparentam. Depois os diálogos entre eles são bastante envolventes.

A própria evolução do enredo é intrincada. À medida que vamos lendo, não sabemos o que esperar daí para a frente. Interessante foram as várias intervenções sobre Shakespeare, fazendo uma espécie de simbolismo na própria história (o que inicialmente para mim não foi imediato dado que, infelizmente, não estou familiarizada com a sua obra).

No meio de tanta imprevisibilidade, o desfecho não poderia fugir à regra. Não esperava de todo! Nem vou tecer aqui mais comentários a fim de estragar a surpresa!

Um pequeno reparo: notei que este livro (datado de 1998), tem algumas gralhas a nível da escrita das palavras, o que me leva a concluir que a revisão a cargo da Editorial Presença está cada vez mais rigorosa.

Por ter ganho o prémio Gold Dagger Award como o melhor livro policial de 1994, um título atribuído com todo o mérito, recomendo sem reservas esta leitura! É um livro duro e inesperado que fará as delícias dos amantes do policial.