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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Especial MOTELx 2019: Rasganço de Raquel Freire


Rasganço, termo que simboliza um dos rituais universitários de Coimbra na altura da graduação, será uma das películas nacionais a ser transmitidas no festival de terror MOTELx deste ano.
Desconheço se este ritual é, de facto, como o que nos é apresentado pois a minha vida académica (fui estudante no Instituto Superior Técnico) foi um pouco aborrecida - às páginas tantas queria lá eu saber das práticas sociais universitárias, à medida que os anos iam passando, eu apenas desejava terminar o curso!

Para mim, a magia deste filme provém do cenário e do ambiente. Embora já tenha terminado o meu curso há alguns anos, e, como tal, já não me identificar com o universo académico em concreto, não me senti de todo descontextualizada.
Talvez por não ter estudado em Coimbra e, consequentemente, não ter usufruído de uma vida académica tão rica, senti-me deslumbrada com o ambiente, as serenatas, as paisagens da cidade e com o vislumbre da fantástica biblioteca joanina da universidade. Decerto que o filme é convidativo a visitar a cidade. 

A história debruça-se sobre um jovem que chega a Coimbra que, não sendo estudante, nem tão pouco pertencendo àquele meio, rapidamente trata de se envolver com várias mulheres ligadas à Universidade até ao dia em que a situação escala e o pânico alastra por entre a comunidade académica.

Estamos, portanto, perante uma história de contornos lineares. Já sabemos à priori quem é o vilão pelo que, a meu ver, a trama carecia de uma reviravolta bombástica, possivelmente relacionada com o motivo pelo qual ele age daquela forma. Creio que este foi parcamente desenvolvido e a história tornar-se-ia mais rica caso estes motivos fossem mais aprofundados. Aliás, para mim, a subtrama principal, directamente alicerçada sobre Miguel, o forasteiro, poderia ser mais explorada. 
Os ataques às universitárias poderiam ser mais frequentes e brutais e a investigação policial poderia ter sido mais intensa. Considerei que o puzzle montado sobre as vítimas foi bastante interessante e, pessoalmente, teria gostado de ver essa componente mais aprofundada.

Mesmo que a história pendesse para o subgénero de giallo, esta nunca perderia o seu encanto devido ao ambiente único onde a trama tem lugar. Contudo compreendo que a) este filme é claramente uma produção com poucos recursos e b) não creio que a realizadora quisesse tecer uma trama policial, por isso, compreendo perfeitamente as escolhas de Raquel Freire.

Na apresentação do festival, o filme foi-me "vendido" como sendo um slasher, o que discordo pois grande parte das cenas mais violentas são bastante implícitas. Na realidade, a cena que foi mostrada na apresentação é a única passível de alguma susceptibilidade pois de facto, tem algum gore.

Com isto dito, criei algumas expectativas que foram defraudadas. Ainda assim reconheço que a produção nacional tem algo de mágico, percepção que atribuo ao universo académico único de Coimbra. 

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Especial MOTELx 2019: O Boneco Diabólico de Lars Klevberg


A sessão de apresentação da 13ª edição do Festival de Cinema de Terror de Lisboa, MOTELx, contou com a exibição do remake do filme homónimo de 1988. O mesmo estreará nos cinemas nacionais amanhã, dia 18 de Julho.

Apesar de não ser propriamente fã de filmes de terror protagonizados por bonecos, confesso que simpatizo com o Chucky, razão que dever-se-á ao facto de ser grande fã de cinema de terror dos anos 80. Além disso, recordo-me de ver este filme no início da década de 90, na altura sendo eu ainda uma criança, fiquei algo apreensiva com o boneco. Por estes motivos e para mim, Chucky tornou-se um símbolo icónico, daí estar extremamente expectante com este remake.

Este Child´s Play é um filme que segue as tendências actuais da sociedade, nomeadamente o novo paradigma de família, neste caso monoparental com uma situação cliché - a não aceitação do namorado da mãe pelo filho, Andy. Também Chucky já não é o convencional boneco de brinquedo, é um equipamento tecnológico, com aplicações fazendo-me inevitavelmente reflectir sobre a constante evolução da tecnologia, explorando, portanto, o lado mais perverso deste fenómeno.

Ao contrário do filme original em que sabíamos que o boneco estava possuído pela alma do serial killer, Charles Lee Ray, dando a sensação que Chucky era, de facto, muito perigoso, no remake, a origem do mal deve-se unicamente à incapacidade de discernir o bem e o mal. Por este motivo, o espectador dá por si a tentar desculpabilizar a conduta do vilão, uma percepção quase antagónica se fizer o exercício de comparar ambos os filmes.

Este é claramente um filme que não deve ser levado a sério. Foram mais os momentos em que soltei umas valentes e genuínas gargalhadas do que me assustei, e esse será sempre o grande propósito de um filme do género de terror. Tal dever-se-á maioritariamente às tiradas de Chucky, mostrando que, tal como Brad Douriff, actor que deu a voz ao boneco nos vários filmes do franchise, Mark Hamill mostra ter um igual talento. A título de curiosidade, devo mencionar que o slogan dos bonecos Buddi cantada pelo actor é simplesmente hilariante!

Ainda que o humor tenha um papel preponderante na película, não nos esqueçamos que este é um filme de terror e, como tal, tenho que tecer algumas considerações sobre os homicídios. Considerei que os mesmos foram violentos e bastante gore, ainda que não comprometam a leveza que o filme transmite.

Em suma, recomendo este filme aos que pretendem ver uma nova versão de Chucky. Apesar de ser um filme extremamente actual, tem uma vibe muito revivalista, o que muito me agradou. Divertida, esta abordagem ao Child´s Play garante 1h30 de entretenimento ao mais alto nível.