quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Susana Fortes - A Marca do Herege [Divulgação Editorial Porto Editora]



Data de Publicação: 21 Janeiro 2013


Título Original: La Huella Del Hereje
Tradução: Helena Pitta
Páginas:224
Preço com IVA: 16,60€
              ISBN: 9789720044372

Sinopse: A descoberta do cadáver de uma jovem na Catedral de Santiago de Compostela cai como uma bomba na cidade. Ao mesmo tempo desaparece um manuscrito de Prisciliano, o grande herege galego. O comissário Castro ocupa-se de ambos os casos com a ajuda de dois jornalistas determinados: Laura Márquez, uma jovem bolseira que chega à cidade fugindo dos seus próprios fantasmas, e Villamil, um repórter veterano e meio anarca que já conheceu dias melhores na profissão.
Uma trama em ritmo crescente onde se cruzam ecologistas, peregrinos, professores universitários, tubarões das finanças e padres que fazem as suas próprias apostas de salvação numa cidade levítica.

A Marca do Herege é um thriller viciante que nos convida a viajar no tempo, transferindo a atmosfera ameaçadora do melhor romance policial para as ruas inesquecíveis de Santiago de Compostela.

Sobre a autora: Licenciada em Geografia e História pela Universidade de Santiago de Compostela e em História da América pela Universidade de Barcelona, reside atualmente em Valência, conjugando o ensino com o jornalismo e a crítica de cinema.
Os seus romances estão traduzidos em 12 línguas e obtiveram numerosos prémios. Em Portugal, estão publicadas as suas obras Querido Corto Maltese, Ternos e Traidores, Fronteiras de Areia, O Amante Albanês e Quattrocento – A Conspiração Contra os Médicis.


Críticas de Imprensa
«Um enredo bem concebido, sem pontas soltas. Além disso, a autora trata com notória mestria a história da heresia religiosa na Galiza.»
El País


«Laura Márquez, a jornalista que nos traz à memória Lisbeth Salander.»
El Mundo


«A cidade galega surge como um personagem que lança sombras sobre as relações entre os que buscam a verdade e os que procuram ocultá-la a todo o custo.»
Europa Press


«A Marca do Herege é uma autêntica boneca russa com inúmeras capas de realidade, onde lendas milenárias de sociedades secretas convivem com o narcotráfico e a corrupção da sociedade atual […] o divino e o humano, o sórdido e o sublime.»
hoyesarte.com



Patricia MacDonald - Um Estranho em Casa [Opinião]

Sinopse: Há onze anos, a vida idílica de Anna Lange ficou destroçada quando Paul, o seu filho de quatro anos, desapareceu sem deixar rasto. Anna nunca deixou de acreditar que ele estava vivo e, quando o rapaz reaparece por fim, todos pareciam achar que o pesadelo terminara. Contudo, a alegria do reencontro dura pouco tempo. Nervoso e retraído, Paul começa a comporta-se de modo estranho. Anna pensa que o filho continua a recuperar do terrível trauma vivido na noite em que desapareceu —embora o jovem afirme não se recordar do que aconteceu. Mas será verdade que Paul não se lembra? Bom, há alguém que se lembra e que está disposto a tudo para impedir que a verdade venha ao de cima...

Opinião: Já há muito que Patricia MacDonald me suscitava alguma curiosidade e que este livro aguardava a sua vez na estante. Chegou a sua hora. Estava em busca de um livro, mais do género thriller, com grande carga psicológica. Penso que não poderia ter decidido melhor!

Um Estranho em Casa é dos livros que mais facilmente despertou em mim, uma genuína angústia logo nas primeiras páginas. A acção inicial é muito rápida, aquando o desaparecimento da criança e as primeiras reacções em resposta a esta. Ao longo da leitura, senti-me várias vezes revoltada e intrigada com as razões por trás do desaparecimento do menino.
Embora date de 1983, é um livro ainda bastante actual. Afinal de contas e infelizmente, o desaparecimento de crianças ainda acontece, decorrendo muitas vezes de situações de rapto e a polícia só pode agir após algumas (largas) horas, o que nem sempre avizinha um desfecho feliz.
Neste caso em particular, a história configura-se dentro de parâmetros pouco usuais, (e à partida, isento de um possível desfecho trágico) uma vez que Paul retorna a casa, onze anos depois. Como aleguei anteriormente, o papel de investigação por parte das entidades policiais é quase ínfimo, debruçando-se a história num pesado desencadeamento de acções dentro do núcleo familiar de Paul.

Sem querer levantar spoilers, até porque a minha intenção é fazer com que o leitor se sinta cativado pela opinião e motivado para ler o livro, há um aspecto que tenho mesmo que falar, relativamente à história, temendo eu que desvende um pouco mais do que pretendia.
Eu penso que existe uma incongruência na trama. Ora vejamos, Paul tem quatro anos quando desaparece e segundo consta, a sua irmã Tracy, seria ainda bebé. Ela chora, balbucia algumas palavras... bem, diria que seria um bebé talvez, no máximo com dois anos.
Quando Paul volta a aparecer, onze anos depois, Tracy terá certamente uma idade que ronda os treze anos. No entanto, a autora reveste a personagem já com um carácter afincado, tendo algumas quezílias com a mãe (perfeitamente rotineiro), tem já experiência com drogas (acho demasiado precoce) e mais... a rapariga trabalha já numa clínica veterinária. Ou seja, a caracterização de Tracy, deixa muito a desejar por ser pouco realista. 

No entanto, as demais personagens estão muito plausíveis. Anna é uma personagem forte mas no fundo, também fragilizada com o desaparecimento do filho e muito esperançosa ainda que decorram largos anos até o voltar a ver. O pai de Paul, é mais céptico, convencido que o filho não irá voltar mais. Antagonismo e formas de ver a situação completamente contraditórias, portanto. E Tracy... enfim, apesar de não ter efectivamente gostado como esta personagem é, nos primórdios da adolescência, tendo sido habituada a ser filha única, claramente é visível e realista a sua negação face ao reaparecimento do irmão do qual ela mal se lembra.

A caracterização de Tracy assume-se como um pormenor que nada afecta a leitura e a qualidade da história, porque de facto esta é muito boa. Mais do que um thriller, a trama aborda muito a estrutura familiar que se vê fragilizada primeiro, com o desaparecimento de Paul, revestindo o casal com as únicas formas de encarar este drama. Depois a sobreprotecção da mãe aquando o reaparecimento de Paul, quando este é um adolescente, descurando um pouco, as personagens em seu redor. Com a vivência longe dos pais, e condicionado pela natureza intrínseca desta faixa etária, Paul acaba por ser um estranho. 
Anna e o marido terão que perceber o que terá de facto acontecido à onze anos atrás e que segredos encerram a comunidade onde vivem.

A autora não se rege pelos habituais clichés de desfecho inesperado. Sensivelmente a meio da trama, a autora privilegia o leitor, dando a conhecer aquele que eventualmente terá tido relação com o desaparecimento de Paul. Rapidamente o leitor deduz a hipótese certeira que justifica a estranha situação do jovem. O final é sim, de cortar a respiração. Uma verdadeira contra corrida à sobrevivência, ocorrendo então aquele que será o único registo de homicídio, desprovido de violência mas contrabalançado em emoções fortes.
Sem margem para dúvidas, um livro muito bom! Irei certamente ler mais obras de Patricia MacDonald.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Dan Brown - Inferno [Divulgação Editorial Bertrand]

No ano em que se comemoram dez anos sobre a publicação de O Código Da Vinci, o conhecido best e longseller, Dan Brown publica um novo livro. Anunciado hoje à imprensa internacional nas redes sociais pelo próprio autor, Inferno será publicado a 14 de maio nos Estados Unidos e Canadá e, em Julho, em Portugal, pela Bertrand Editora.

Inferno, marca o regresso de Robert Langdon, o famoso simbologista de Harvard, que protagonizou O Código Da Vinci. Este novo romance é passado em Itália e é sobre o o clássico da literatura a que vai buscar o título, o Inferno, de Dante Alighieri.

Em declarações difundidas ontem pelo editor internacional, Dan Brown confessa que embora tenha estudado o Inferno de Dante, apenas recentemente, enquanto pesquisava em Florença, se deu conta do peso da influência do poeta florentino no mundo moderno: «com este novo romance, quero levar os leitores a mergulharem numa viagem neste mundo misterioso… uma paisagem de códigos, símbolos e muitas passagens secretas».

«With this new novel, I am excited to take readers on a journey deep into this mysterious realm…a landscape of codes, symbols, and more than a few secret passageways.»

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Philip Kerr - Se Os Mortos Não Ressuscitam [Divulgação Editorial Porto Editora]

Data de Publicação: 14 Janeiro 2013


Título Original: If The Dead Rise Not
Tradução: José Vieira de Lima
Páginas: 480
Preço com IVA: 18,80€
              ISBN: 9789720045607

Sinopse: Berlim, 1934. Os nazis garantiram a realização dos Jogos Olímpicos de 1936, mas enfrentam grande resistência estrangeira. Hitler e Avery Brundage, o presidente do Comité Olímpico dos Estados Unidos, tudo fazem para tentar encobrir o antissemitismo nazi e assim convencer a América a participar nos Jogos. Bernie Gunther, agora detetive num dos hotéis mais conceituados de Berlim, vê-se arrastado para este mundo de corrupção internacional, enredado entre as várias fações do aparelho nazi.
Havana, 1954. Fulgencio Batista, apoiado pela CIA, acabou de subir ao poder. Fidel Castro foi preso e a Máfia americana ganha poder sobre a indústria do jogo e da prostituição. Bernie, recentemente expulso de Buenos Aires, reemerge em Cuba com uma nova identidade, decidido a levar uma vida de relativa paz. No entanto, quando se depara com duas figuras do passado - um pérfido assassino dos tempos de Berlim, que pouco depois é misteriosamente assassinado, e uma antiga amante que, ao que tudo indica, poderá ser a responsável pelo crime -, percebe que não tem como lhe fugir. 

Sobre o autor: Philip Kerr nasceu em Edimburgo em 1956 e estudou Direito na Universidade de Birmingham. Colabora assiduamente em publicações como o Sunday Times, o Evening Standard e o New Statesman. Para além dos catorze romances publicados, escreveu uma série de livros juvenis com o pseudónimo de P. B. Kerr. Traduzido em 25 idiomas, galardoado com inúmeros prémios importantes e com várias obras adaptadas ao cinema e à televisão, Philip Kerr é um dos nomes mais consagrados do policial inglês. 
Este seu romance mereceu o Prémio Internacional de Novela Negra RBA, o Ellis Peters Historical Dagger, da Crime Writers’ Association, e o Barry Award. 

Críticas de imprensa:
«Um dos romances policiais mais empolgantes do ano.»
Sunday Times

«Uma das grandes proezas do policial contemporâneo.»
Observer

«Kerr é exímio na arte de capturar o sentimento de época, sem nunca se esquecer de entreter o leitor e sem cair no erro de oferecer visões políticas.»
The Sun

«Um romance carregado de mistério, que evoca a sensibilidade negra de Raymond Chandler e Ross Macdonald, ainda que trilhando o seu próprio terreno literário.»
Los Angeles Times

Do mesmo autor na Porto Editora:
- O Projecto Janus


domingo, 13 de janeiro de 2013

Boris Starling - Messias [Opinião]

Sinopse: A primeira vítima foi encontrada pendurada numa corda. A segunda, espancada até à morte, jazendo numa poça de sangue. A terceira, decapitada. Os seus antecedentes são tão diferentes como os métodos do seu assassinato. Mas um pormenor arrepiante liga os três crimes: as suas línguas foram cortadas e substituídas por uma colher de prata. A polícia tem provas suficientes para acreditar que está perante um raro e perturbador fenómeno: o aparecimento de um serial killer, perverso e inteligente... E tudo indica que ele vai matar outra vez.

Opinião: Terminei ontem à noite, a leitura ávida deste thriller, que posso desde já adiantar, um dos melhores que li até hoje! O número excessivo de páginas, ultrapassando as 500, em nada impede a rápida e emocionante leitura.
É um livro cuja edição standard infelizmente está esgotada, embora haja no mercado a versão da chancela editorial 11x17. Felizmente tive a sorte de encontrar este e o próximo livro do autor, Tempestade, numa loja em segunda mão. Ainda bem. Não sou fã de livros de bolso, confesso.

Não é difícil perceber o contexto dos assassinatos, basta atentar no título que claramente remete para a temática da Bíblia. Desconheço se o autor é entendido na matéria, eu admito que não o sou, de forma a que o livro foi também extremamente didáctico, tendo aprendido um pouco mais sobre os apóstolos de Jesus Cristo e a relação entre o Messias e Judas Iscariotas. Mesmo o menos entusiasta da matéria bíblica, irá certamente render-se a este magnífico thriller, uma vez que joga muito com o simbolismo e as metáforas retratadas no livro sagrado, aplicando-as ao mundo real sob o ponto de vista de um serial killer inteligente e estratega, mas igualmente maléfico. É portanto uma trama que aprofunda a temática da traição e da vingança, contextualizando uma série de valores morais que infelizmente são cada vez mais descurados em detrimento do capitalismo.

Embora a temática da religião associada ao homicida em série seja já recorrente, o autor explora-a de forma diferente, excluindo o cliché do assassino ter uma educação excessivamente religiosa.
A trama é repleta de suspense e revelações. Os assassinatos são macabros, descritos com grande rigor, bem como pormenores alusivos às autópsias. Poderão, por este motivo, ferir as susceptibilidades dos leitores mais sensíveis. O nível de violência bem como os métodos de tortura infligidos, são sobredoseados mas acabam por ser únicos, acabando por se destacar de tantos outros policiais que tenho lido.

O que me fascinou, desde o ínicio, foi a forma como o autor interpôs duas narrativas, de cariz independente centrando-se na personagem Redfern Metcalfe. Em 1982, Red depara-se com um dilema. Actualmente, o ano é 1998 e Red, agora na polícia, investiga os sucessivos e estranhos homicídios, perpetuados pelo Língua de Prata. As duas narrativas combinadas formulam um perfil bastante completo do protagonista, Red, um homem que admirei durante toda a história, apesar dos contratempos, pela sua humanidade.
O polícia é o perfeito exemplo de como a vida profissional se pode interpor na pessoal, situação recorrente talvez nas autoridades de investigação, uma vez que Red não tem horários e a sua motivação foca-se na descoberta do homicida que julga ser o Messias. O distanciamento para com a família, encontra-se bem explanado na narrativa de há 30 anos.

À medida que a investigação avança, foi para mim, relativamente fácil de perceber o verdadeiro autor, depois de ter alguns suspeitos em vista. O móbil do crime, esse passa despercebido, até ao desfecho, verdadeiramente emocionante. Estou ansiosa em ler Tempestade, desta feita protagonizado por Kate, uma das investigadoras do caso, pensando eu que terá um papel de maior importância no segundo livro do autor.

Messias, volto a realçar, é um brilhante thriller. Irá certamente ficar na minha memória. Recomendo, sem qualquer tipo de reserva!


Ken Follett - O Estilete Assassino [Divulgação Editorial Bertrand]

Data de Publicação: 18 Janeiro 2013


Título Original: Eye of The Needle
Tradução: Maria Filomena Duarte
Páginas: 384
Preço com IVA: 17,70€
ISBN: 9789722525145 


Sinopse: Um agente secreto de Hitler, um assassino frio e profissional com o nome de código «Estilete», vê-se envolvido na manobra de diversão dos aliados que antecede o desembarque militar em França. Estamos em 1944, a semanas do Dia D.
O Estilete Assassino é um bestseller internacional em que o destino da guerra assenta nas mãos de um espião, do seu adversário e de uma mulher corajosa.

Críticas de imprensa
«Um thriller absolutamente extraordinário, perturbador, engenhoso e tão assustadoramente realista que não o conseguimos parar de ler»
Publishers Weekly

«Um thriller cheio de tensão e pormenores extraordinários, baseado nos alicerces sólidos dos factos.»
Sunday Times

Do mesmo autor na Bertrand:
- O Homem de Sampetersburgo
- A Chave para Rebecca
- O Vale dos Cinco Leões
- Noite Sobre as Águas
- O Terceiro Gémeo
- O Preço do Dinheiro




sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Charlaine Harris - Sangue Fresco [Opiniao #1Desafio Literário 2013]


Sou grande fã da série televisiva da HBO, True Blood, baseada nos livros de Charlaine Harris, tendo já visto todas as temporadas (e desespero já pela próxima). Desta forma, não me foi difícil optar por este livro, de forma a começar o desafio literário 2013.

Este é claramente um livro pertencente ao género Fantasia. As minhas afinidades literárias relacionam-se com o policial mas do género, aprecio e muito a famigerada saga de vampiros da autoria de Chuck Hogan e Guillermo del Toro. Por isso, não será a primeira vez que enveredo pela leitura em que os vampiros assumem papel de destaque, embora em Sangue Fresco, os vampiros adoptam uma identidade completamente diferente à que foi dada na trilogia Estirpe.
No entanto, e particularizando para Sangue Fresco, o mistério assume um papel relevante em toda a narrativa: até ao final do livro, o leitor desconhece a identidade do responsável pelas inúmeras mortes.

Para quem não está familiarizado com a série, a protagonista é Sookie Stackhouse, uma empregada do bar Merlotte´s e que numa noite, conhece o vampiro Bill. Sookie é especial, tem o dom de ouvir os pensamentos das pessoas, no entanto, não consegue ter a mesma percepção com Bill, o que o torna como uma atracção. 
Estamos num cenário futurista, onde os vampiros são bem aceites na sociedade, alimentando-se de True Blood, uma espécie de sangue sintético afim de evitar os ataques dos vampiros aos humanos, com finalidade de alimentação.
A saga explora a relação de amor entre uma aparentemente humana e um vampiro, sendo que este primeiro volume se debruça nos primórdios da relação e num clima de medo. Há um serial killer à solta, e as provas indicam que estes são levados a cabo por um vampiro.

Denotei muitas semelhanças entre este livro e a primeira temporada da série, pelo que coibiu o factor surpresa na leitura. As diferenças residem sobretudo nas personagens, porque a acção é bastante fiel à série.
Para quem é fã do Lafayette, este tem um mínimo papel quando me apraz dizer que ele traz um certo carisma à série; a Tara nem sequer é contemplada no livro.
À semelhança da série, o vampiro viking Eric, tem um ínfimo papel se tivermos em conta a importância que esta personagem assume no decorrer da série.
Mas acima de tudo, o que globalmente caracterizam as personagens, é de facto como a forma sobrenatural se alia a um realismo, com todas as complexidades que um ser humano é munido. Desde à questão da virgindade aliada à espera de uma relação de sonho ou uma relação meramente platónica, questão subtilmente aprofundadas pelas estranhas personagens vampiras, metamorfas ou outras entidades sobrenaturais que serão desvendadas no decorrer da série.

O primeiro volume de Sangue Fresco é bastante agradável de se ler. A história é interessante e Charlaine Harris combina com mestria, géneros tão diferentes como o suspense, o romance e a fantasia. O humor está presente, grande parte nos comentários de Sookie. No entanto esta Sookie, que imaginei como Anna Paquin naquele sotaque redneck característico de Bon Temps, no livro é mais fria e passiva. Achei-a com uma postura pouco lancinante se tivermos em conta a morte da avó e posteriormente da gata, atitude passiva esta que me desagradou tendo em conta o papel da Anna Paquin e o dramatismo que esta conseguiu dar na série às passagens supra referidas. 
Em suma, teria certamente apreciado melhor o livro se desconhecesse a série. O desfecho, momento clímax da história em que a identidade do homicida é finalmente desvendada, não foi surpreendente como se desejava, uma vez que a série adaptou o mesmo final.
No entanto, reconheço que esta foi uma boa leitura, até porque sou fanática pela série e a primeira temporada foi uma das minhas preferidas. Reúne o mistério que tanto procuro na ficção literária, bem como uma pitada de romance e humor. Este é um livro obrigatório para os fãs do sobrenatural.
Ainda assim, na estante residem os volumes II e III que irei ler em breve, sabendo que estes divergem já da adaptação televisiva, proporcionando certamente, maiores surpresas.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Maria Luísa Castro - O Mundo Proibido de Daniel V. [Opinião]


Já há muito que O Mundo Proibido de Daniel V. despertava um grande interesse em mim. A minha recente atenção pelos romances eróticos e a curiosidade em ver uma conterrânea neste tipo de literatura fizeram com que lesse este livro avidamente em dois dias.

Desde que li o prólogo, uma estranha carta que Verónica envia a uma das suas amigas, antevendo um sinuoso desfecho da relação com um psicanalista de seu nome Daniel Vasconcelos, fiquei rapidamente intrigada.
Embora o leitor seja privilegiado com esta informação, penso que o gozo em ler este livro reside no desenvolvimento dos acontecimentos, que vão muito além do sexo entre os dois protagonistas. O Mundo Proibido de Daniel V. distingue-se desta forma dos demais romances sensuais.
Assim, o que mais me agradou neste livro foi o facto da trama não se cingir ao típico romance sensual. As cenas, embora explícitas são, na minha opinião, subdesenvolvidas. Por isso, cara leitora, se espera páginas a fio com passagens sexuais, esqueça!

Há uma história por detrás de uma relação que se rege essencialmente por luxúria e a paixão, história essa que mexe muito com a psicologia e as interacções entre as pessoas, condicionando as suas formas de estar na sociedade. Aqui reside a explicação da maneira de ser de Daniel, numa base bastante sólida.
Não é de admirar que a autora tenha escolhido a profissão de psicanalista para o senhor Vasconcelos, inibindo a explicação dos mecanismos psicológicos para os seus pacientes. Ao invés, e com o decorrer do livro, a leitora irá aperceber-se que estes serão explicados na óptica do próprio dr. Daniel Vasconcelos.

As duas personagens cabeça de cartaz são de facto bem retratadas: Verónica, uma jornalista de trinta e poucos anos, recém divorciada. Foi preciso que ela se divorciasse de Alexandre, chamado também de Surfista Prateado para enveredar numa relação que albergasse também uma forte componente física. A Verónica acaba por ser uma inovação no que concerne às personagens femininas neste tipo de literatura: ela não é inexperiente mas desconhece se será frígida, uma vez que nunca atingiu um orgasmo. Ela é claramente, a meu ver, um estereótipo de muitas mulheres portuguesas, que não sabem como colocar ao parceiro a melhor forma para dar mais prazer, preferindo fingir o orgasmo, situação esta tipicamente envolta numa submissão: o agradar ao homem, esquecendo do seu próprio prazer.

As próprias amigas apresentam quase uma antítese: Eveline, a jovem conservadora que mantém a família numa relação de sexo calendarizado com o marido, em oposição com Juliana, cuja sexualidade é imperceptível, apresentando uma postura quase promiscua. Ambas felizes, à sua maneira.
Daniel por sua vez, reforça o dito cliché que vemos nos vários romances sensuais: apresenta-se como um homem belo, que associado à sua beleza, há um magnetismo que irremediavelmente atrai Verónica.
Mas Daniel, psicanalista, possui ele próprio os seus segredos, que serão desvendados ritmicamente. A narrativa não é morosa e está repleta de sensualidade e acima de tudo, mistério.

O Mundo Proibido de Daniel V. é uma história sólida que vai para além de uma mera relação entre um homem e uma mulher, realçando a atracção carnal. Enfatiza, como seria de esperar, uma série de fantasias e comportamentos sexuais que se enquadram nos moldes do voyeurismo, sexo com um desconhecido ou bissexualidade mas sem cair no ordinário. Mas é também um abre olhos para casamentos isentos de inovações sexuais e o desfecho que pode advir destas uniões, sendo quase uma crítica à mulher conservadora.
Mas esta é também uma trama que assenta no efeito mediático da comunicação social e no tabú que ainda representa o aprofundamento de certas temáticas para as mentes mais conservadoras.
Este foi um livro que consegue passar para a leitora, um leque de sensações, muito devido ao realismo concedido às personagens.

Embora consciente do desfecho, percepção esta devido ao prólogo inicial, confesso que o desenvolvimento da trama me surpreendeu. Desconhecendo eu se haverá um próximo volume (até porque este termina um pouco em aberto), é expectável que felicite a autora que se mantém no anonimato, usando como pseudónimo Maria Luísa Castro, e a incentive à publicação de mais uma obra.

Este é sem dúvida, um romance erótico actual e diferente, muito diferente. Ainda li poucos livros do género, mas caracterizo este como inovador. Gostei!


Passatempo Olivia Darko - O Filho de Ninguém [Resultado]

Com a preciosa colaboração da autora, Débora Afonso, a menina dos policiais tinha 10 exemplares deste livro, O Filho de Ninguém, para oferecer. Desde já agradeço à autora e aos participantes que contribuíram para o sucesso deste passatempo, com 193 participações válidas.

As respostas correctas eram:
1. Quantos anos viveu Justino isolado do mundo? 26
2. Quem é a sua companhia? mãe
3. Quem provoca um turbilhão de emoções contraditórias? Sofia
4. Onde nasceu a autora, Débora Afonso? Funchal
5. A autora licenciou-se na área das letras. Falso

E após um sorteio no random.org, os vencedores são:

80- Susana Ferreira (Vizela)
25 - Sónia Silva (Ribeira Brava)
113 - António Dias (Lisboa)
188 - Nuno Chaves (Barreiro)
36 - Filipa Monteiro (Caparica)
135 - Marco Ribeiro (Santa Maria da Feira)
67 - Inês Menezes (Cascais)
4 - Maria Manuel Magalhães (Oliveira de Azeméis)
106 - Isabel Costa (Lisboa)
54 - Ana Figueiredo (Beja)

Parabéns aos vencedores!!! A todos os que tentaram mas não conseguiram, não desistam pois terei o maior prazer em fazer estes passatempos! Boa sorte e boas leituras para todos!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Desafio Literário 2013

Feliz 2013 a todos!

Normalmente proponho-me a desafios que se relacionam com o número de livros lido, formalizados através do Goodreads. Tendo lindo 95 livros em 2012, quis ser mais audaz e são 100 os livros a que me proponho ler em 2013, no desafio Goodreads.
Mas este ano quis fazer algo diferente e mostro a versão final do desafio tipo temático. Aqui está ele, por favor sintam-se livres de o seguir, se assim o desejarem. Proponho-me este ano a ler um livro com a seguinte temática/característica:

Janeiro: Livro com adaptação em série televisiva
Fevereiro: Título que inclua um algarismo
Março: Livro com adaptação em cinema
Abril: Livro de autor português
Maio: Livro com capa preta
Junho: Livro escrito por um pseudónimo de um autor
Julho: Título com um nome próprio de uma personagem
Agosto: Título que inclua o nome de uma cidade
Setembro: Título com apenas uma palavra
Outubro: Livro com menos de 200 páginas
Novembro: Clássico Policial
Dezembro: Livro escrito por um autor que use abreviatura no nome

Vou dar início ao desafio com o Sangue Fresco, uma saga de livros com adaptação pela HBO e por acaso, uma das minhas séries televisivas preferidas!