terça-feira, 10 de outubro de 2017

Brad Parks - Não Digas Nada [Divulgação Suma de Letras]


Data de publicação: 18 Outubro 2017

               Titulo Original: Say Nothing
               Preço com IVA: 19,90€
               Páginas: 520
               ISBN: 9789896652975

Sinopse: Numa quarta-feira como outra qualquer, o juiz Scott Sampson está a preparar-se para ir buscar os filhos gémeos de seis anos para os levar à aula de natação.
A sua mulher, Alison, envia-lhe uma mensagem: mudança de planos, ela tem de os levar ao médico. Assim sendo, Scott regressa para casa mais cedo. Mas quando, mais tarde, Alison chega, está sozinha - sem Sam, sem Emma - e nega ter conhecimento da mensagem...
O telefone toca: uma voz anónima diz-lhes que o juiz deve fazer exactamente o que lhe é dito num caso de tráfico de droga que está prestes a ser julgado. Se recusar, as consequências para as crianças serão terríveis.
Para Scott e Alison, a chamada do sequestrador é apenas o começo de uma tentativa tortuosa de chantagem, engano e terror. Não haverá nada que os detenha para recuperarem os seus filhos, não importa o custo...
Um romance intenso que explora o lado mais obscuro do Mal, pondo a nu as fragilidades da natureza humana perante a ameaça da perda mais dolorosa.

Sobre o autor: Brad Parks foi o único autor a ganhar o Shamus, o Nero e o Lefty Awards, os três dos prémios mais prestigiantes da ficção de crime. Trabalhou como jornalista para o The Washington Post e The Star-Ledger e vive em Virgínia com a mulher e dois filhos. Reconhecido autor de séries de detectives, o seu primeiro livro que não pertence a nenhuma série, Say Nothing. está a ser tão aplaudido como os seus sucessos anteriores.


Dolores Redondo - Tudo Isto Te Darei [Divulgação Planeta]


Data de publicação: 18 Outubro 2017

               Titulo Original: Todo Esto te Daré
               Preço com IVA: 21,95€
               Páginas: 576
               ISBN: 9789896579708

Da mesma autora da trilogia do Baztán, chega agora o romance
vencedor do Prémio Planeta 2016, com mais de 1.300.000
exemplares vendidos em Espanha e traduzido em 35 línguas.

A AUTORA VAI ESTAR EM LISBOA A 18 DE OUTUBRO E NO FOLIO – ÓBIDOS DE 19 A 20 DE OUTUBRO
Dona de uma escrita poderosa e intensa, Dolores Redondo volta a surpreender os seus leitores com este thriller apaixonante, contado do ponto de vista de um narrador omnisciente que, de fora, consegue estar em todos os cenários e assistir a todos os diálogos.
A Ribeira Sacra, na Galiza, é o cenário deste romance de intriga, que é em simultâneo um drama familiar, no qual é explorado o lado mais intimista da personagem principal.
Uma história plena de tensão, com um desfecho em crescendo mas que só no último minuto se conseguirá desvendar tudo.

Sinopse: Uma morte inesperada. Um obscuro segredo familiar. A busca da verdade no coração de uma terra lendária.
No cenário majestoso da Ribeira Sacra, Álvaro sofre um acidente que o mata. Quando Manuel, o marido, chega à Galiza para identificar o cadáver, descobre que a investigação sobre o caso foi encerrada com muita rapidez. O repúdio da sua poderosa família, os Muñiz de Dávila, impele-o a fugir, mas retém-no a argumentação contra a impunidade que Nogueira, um guardia civil reformado, esgrime contra a família de Álvaro, nobres escudados nos seus privilégios, e a suspeita de que essa não é a primeira morte no seu ambiente familiar que se encobriu como sendo acidental.
Lucas, um sacerdote amigo de infância de Álvaro, alia-se a Manuel e a Nogueira na reconstituição de uma vida secreta de quem julgavam conhecer.
A inesperada amizade destes três homens sem nenhuma afinidade aparente ajuda Manuel a navegar entre o amor por quem foi o seu marido e o tormento de ter vivido de costas viradas para a realidade, blindado por detrás da quimera do seu mundo de escritor.
Terá assim início a busca pela verdade, num lugar de fortes crenças e convicções e enraizados costumes onde a lógica nunca consegue unir todas as pontas soltas.

Sobre a autora: Nasceu em Donostia-San Sebastián em 1969. O fenómeno literário da Trilogia do Baztán, granjeou-lhe o entusiasmo de editores de inúmeros países e hoje são já 30 as editoras que publicaram a obra pelo mundo.
Além do respeito dos leitores, foi aclamada pela crítica como uma das propostas mais originais e contundentes do thriller em Espanha. A adaptação cinematográfica de O Guardião Invisível estreou em Março 2017.

Imprensa
«Joga na perfeição nos seus argumentos com esses segredos de família que tanto agradam aos leitores [...] conhece e usa na perfeição as técnicas mais avançadas de investigação forense, uma ferramenta imprescindível se se quer descrever um bom e credível romance policial.»
AR Magazine

«Todas as personagens comovem, incluindo o cão feioso que acompanha Manuel nesta viagem ao passado na Ribeira Sacra.»
La Vanguardia

«O desenvolvimento narrativo é ágil e poderoso, cruel por vezes e incisivo no ético. Redondo possui uma habilidade inata para o género policial, que domina e sabe como manobrar.»
La Razón


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Anna Snoekstra - A Única Filha [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Romance de estreia da australiana Anna Snoekstra, A Única Filha é um cartão de visita auspicioso. Não é um livro longo, é certo, mas li-o rapidamente com alguma avidez e muito, muito interesse.

Senti-me intrigada pela história logo nas páginas iniciais em que uma mulher, cujo nome desconhecemos, faz-se passar por uma jovem que desaparecera 11 anos antes. Ainda que Rebecca tenha desaparecido há mais de uma década, fez-me alguma confusão como é que duas mulheres podem ser fisicamente tão parecidas ao ponto de serem confundidas.
Tive que me contentar com a explicação de que esse hiato de tempo poderia provocar mudanças físicas em Bec ao ponto de a tornar mais parecida com esta... impostora.

A trama desenrola-se em capítulos alternados entre a acção em 2003 e a actual, em 2014. No passado reconstitui os últimos passos da adolescente de 16 anos que desaparece misteriosamente. Aquilo que parece ser um registo do dia-a-dia de uma miúda, começa a ter maior interesse a partir do momento em que ela fica paranóica. 
Esta subnarrativa é feita na terceira pessoa. De certa forma, e a meu ver, este tipo de estrutura promoveu um afastamento entre o leitor e esta jovem. Ainda que nos sintamos interessados em conhecer o seu desfecho, a nossa atenção foca-se maioritariamente na subtrama actual. Esta é narrada na primeira pessoa, em que o leitor é privilegiado com várias informações sobre a impostora, permitindo conhecer a forma como esta manipula os outros, a culpa que sente ou a incerteza de que a farsa pode acabar bem.

O mistério prossegue em duas frentes: o que terá afinal acontecido a Rebecca e como é que a impostora vai continuar com este "roubo" de identidade sem que ninguém se aperceba. Portanto, diria que existe um cerco que se apertava sobre esta personagem e, estranhamente, acabei por torcer por ela. Apesar de ser assumidamente errada esta usurpação de identidade, não lhe atribuo o papel de vilã na trama. 

Ainda que tenha considerado a história satisfatória, há alguns pontos que careciam de uma explicação mais cuidada. A título de exemplo, a impostora começa a ser ameaçada via SMS. Nunca se descobre quem era o mensageiro. As páginas finais da obra retratam uma situação que, na minha opinião, é completamente dispensável e pouco adianta para fechar a história. 
Não obstante ter adorado o final! Não o previa, de todo. Para mim, foi completamente desconcertante.

Apesar da grande incongruência da história subsistir numa troca de identidades e ser credível, a trama desenvolveu-se de forma intrigante. Não obstante eu ler poucas obras com esta temática, explicando daí talvez o meu entusiasmo com a presente história. Gostei muito! 


domingo, 8 de outubro de 2017

Megan Miranda - Uma Perfeita Estranha [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Uma Perfeita Estranha é o segundo thriller de Megan Miranda e, devo confessar, ainda me atraiu mais do que Desaparecidas. Esta minha percepção deve-se a um aspecto: a estrutura da obra.
Enquanto que no livro antecessor, a trama desenrolava-se do fim para o início, esta mantém uma ordem cronológica mais regular, ainda que com recurso a alguns flashbacks de episódios passados.

Além disso, devo dizer que gostei do desenvolvimento da trama, em torno de uma amizade aparentemente perfeita. Emmy é uma boa samaritana que acolhe a amiga Leah na sua casa, para a proteger de um escândalo que rebentou quando a jornalista publicou um controverso artigo sobre um professor universitário.
O que parece ser um acto de boa vontade, começa a ter uns contornos estranhos quando Emmy desaparece.

Poder-se-á dizer, numa primeira análise, que este é um caso semelhante ao famigerado Gone Girl, em que a única diferença recai na natureza da relação: passámos de um casal para um par de amigas, uma relação que considero tão importante quanto os relacionamentos amorosos.
Apesar da amizade aparentemente perfeita, Emmy desapareceu ficando a dúvida se intencional (e neste caso, que razões teria para o fazer?) ou acidentalmente.

A narração sob a perspectiva da amiga da desaparecida, faz com que acompanhemos mais de perto as preocupações da narradora, Leah, perante este insólito acontecimento.
São narrados alguns episódios do passado que acentuam o quão próxima era a relação das amigas e, por conseguinte, aparenta ser incongruente com os acontecimentos actuais, razão pela qual considerei esta história como intrigante.

O que me leva ao ponto mais apreciado por mim na obra: foi, sem dúvida, a forma como pequenos segredos vão sendo desvendados. Senti-me sempre intrigada no que concerne ao paradeiro de Emmy e comecei a tecer algumas hipóteses. Acabei, evidentemente, por acertar no verdadeiro destino da amiga, embora não tivesse alcançado os motivos.
O enredo é bem mais intrincado do que aparenta, pejado de pormenores.

Uma Perfeita Estranha é, em suma, um livro convidativo à reflexão. Será que podemos confiar verdadeiramente na nossa melhor amiga? Que sacrifícios faríamos para ajudar um amigo?
Decerto que pensareis duas vezes nestas questões após ler esta história. Gostei!


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Ali Land - Menina Boa, Menina Má [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Terminei este livro há instantes e ainda não sei bem como conter os meus sentimentos perante esta história, pautada por implícitos elementos perturbadores.
A minha ilação sobre a obra depreende também uma reflexão sobre a maternidade. Vou tentar, assim a quente, escrever sobre os meus sentimentos que advêm desta história.

Como sabeis, adoro livros que choquem! E Menina Boa, Menina Má tem os elementos que me deixaram boquiaberta. Falo particularmente do modus operandi da mãe de Annie, que a obrigava a observar as torturas que infligia às crianças. Note-se que esta componente nem é muito gráfica, mas contém os elementos necessários para nos deixar a matutar sobre o que se passaria naquele que era denominado pela serial killer como "parque infantil".
Contudo, as atrocidades que são cometidas a outrem não são exclusivas à progenitora de Annie. Apesar do facto de o contexto escolar já não me dizer nada, muita da violência da trama passa-se justamente neste cenário, por intermédio de bullying e comportamentos discriminatórios a Annie, agora conhecida por Millie. 

O trauma dos eventos passados, bem como a alteração de nome para protecção da sua identidade fez-me oscilar sobre a sua verdadeira natureza. Good Me, Bad Me, o título original da obra persistia no decorrer da leitura: seria ela uma boa pessoa ou os estilhaços provocados pela disfuncional mãe a corromperam? Com frequência pensei na teoria da Psicanálise segundo Freud.

Vivi num salutar contexto familiar que me ensinou que a mãe faz qualquer sacrifício pelo filho, algo que julgo ser inato àquelas que experienciam a maternidade. Contudo a mentalidade aqui descrita choca com o que é ser mãe. O cuidar, o proteger. Aquilo que considero natural a uma mãe e que falha à mãe de Annie que escolhe precisamente crianças como suas vítimas. 

A trama desenvolve-se lentamente em torno destas temáticas e fui sugada para aquele drama familiar: a difícil adaptação de Millie na família adoptiva e a gestão dos seus sentimentos sobre a sua mãe.
Tão pouco a componente thriller judicial que a trama aborda me aborreceu. Sentia-me genuinamente determinada em conhecer o desfecho desta singular história. 

Confesso que já esperava o acontecimento final, embora deduzisse que o mesmo ocorresse mais cedo. Assim, quanto aos final, para mim, este foi algo previsível. Além disso, considerei igualmente que uma ou outra situação carecia de uma explicação mais refinada. 
No entanto, estes pontos, sendo uma expectativa mais pessoal, não destrona a qualidade desta obra.

Inteligentemente bem escrito, Menina Boa, Menina Má destrinça temas interessantes, experiência que deduzo derivar da actividade profissional da autora, relacionada com saúde mental nas crianças e adolescentes.
Um thriller psicológico de grande sensibilidade que me ficará na retina nos próximos tempos!


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Ragnar Jónasson - Noite Cega [Divulgação TopSeller]


Data de publicação: 16 Outubro 2017

               Titulo Original: Náttblinda
               Preço com IVA: 17,69€
               Páginas: 272
               ISBN: 9789898869494

Sinopse: Na pequena aldeia islandesa de Siglufjördur, o jovem polícia Ari Thór Arason procura refúgio do seu passado e dos horrores que nele se escondem. Apesar do isolamento da aldeia, acessível apenas por um pequeno túnel nas montanhas, mantém uma relação difícil com os aldeões, que o acham estranho. Exausto, e com a sua vida privada a intrometer-se no trabalho, Ari Thór mete baixa.
Com Ari Thór ausente, o polícia que o substitui, e seu único colega, é assassinado à queima-roupa, a meio da noite, numa casa deserta. Cabe agora a Ari Thór deslindar um caso que rapidamente se torna muito mais complicado do que parecia: a comunidade fecha-se, a política local dificulta tudo, e o novo presidente da Câmara envolve-se no caso muito além da sua função.
A investigação vai levar Ari Thór até bem longe da aldeia. O que terá a ala psiquiátrica de um hospital em Reiquiavique a ver com este crime? O que será que todos em Siglufjördur estão a tentar esconder? E conseguirá Ari Thór aguentar uma investigação tão exigente?

Sobre o autor: Ragnar Jónasson nasceu na Islândia e é um autor bestseller internacional publicado em 10 países, com amplo sucesso junto da crítica. Trabalhou em televisão e em rádio, inclusive como jornalista da Radiotelevisão Nacional da Islândia. Atualmente é advogado e professor na Faculdade de Direito da Universidade de Reiquiavique.
Autor em ascensão na literatura policial internacional, Jónasson traduziu 14 livros de Agatha Christie para islandês e viu já vários dos seus contos serem publicados em revistas literárias alemãs, inglesas e islandesas.
Neve Cega é o primeiro livro de uma empolgante série que conquistou leitores em todo o mundo e que promete agarrar os leitores portugueses da primeira à última página.


Riley Sager - Vidas Finais [Divulgação TopSeller]


Data de publicação: 16 Outubro 2017

               Titulo Original: Final Girls
               Preço com IVA: 18,79€
               Páginas: 384
               ISBN: 9789898869302

Sinopse: Para sobreviver a um assassino, é preciso ter um instinto assassino.
Há dez anos, Quincy Carpenter, uma estudante universitária, foi a única sobrevivente de uma terrível chacina numa cabana onde passava o fim de semana com amigos. A partir desse momento, começou a fazer parte de um grupo ao qual ninguém queria pertencer: as Últimas Vítimas.
Desse grupo fazem também parte Lisa Milner, que perdeu nove amigas esfaqueadas na residência universitária onde vivia, e Samantha Boyd, que enfrentou um assassino no hotel onde trabalhava. As três raparigas foram as únicas sobreviventes de três hediondos massacres e sempre se mantiveram  afastadas, procurando superar os seus traumas. Mas, quando Lisa aparece morta na banheira de sua casa, Samantha procura  Quincy e força-a a reviver o passado, que até ali permanecera recalcado.
Quincy percebe, então, que se quiser saber o verdadeiro motivo por que Samantha a procurou e, ao mesmo tempo, afastar a polícia e os jornalistas que não a deixam em paz, terá de se lembrar do que aconteceu na cabana, naquela noite traumática.
Mas recuperar a memória pode revelar muito mais do que ela gostaria. 

Sobre o autor: Riley Sager (pseudónimo) é natural da Pensilvânia. Escreve e trabalha em edição e design gráfico. Vidas Finais: As Sobreviventes é o seu primeiro thriller e foi um verdadeiro êxito, tendo sido publicado em mais de 20 países. Além de escrever, Riley adora ler, ver filmes e cozinhar.
Atualmente, vive em Princeton, New Jersey. 


Ragnar Jónasson - Neve Cega [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Mais uma incursão à Islândia, através de um livro. Gosto de Arnaldur Indridason e Yrsa Sigurdardóttir mas há muito que não lia ficção oriunda deste território insular. Sinto um grande fascínio pela Escandinávia mas a cultura islandesa tem qualquer coisa de especial. A título de curiosidade, não acham engraçada a questão dos patronímicos?

Com Neve Cega, obra de estreia de Ragnar Jónasson, temos uma particularidade digna de realce. O autor, responsável pela tradução de vários títulos de Agatha Christie na Islândia, escreveu um policial da escola clássica. Tendência que associo aos inúmeros títulos da rainha do crime que lhe terão passado pelas mãos.

Para mim foi um gozo. Ainda que o ritmo da investigação seja moroso, secundarizando o crime, a mais valia da obra reside, a meu ver (que sou apaixonadíssima pela Escandinávia), nos pormenores sobre as personagens e, sobretudo, o cenário gélido islandês. 
Por escola clássica do policial subentenda-se a forma como decorre a investigação, recorrendo frequentemente ao inquérito e jogando mais com a lógica. 

O nosso investigador, Ari Thor, é um jovem novo, oriundo da capital islandesa, Reiquejavique, e que se vê obrigado a fixar-se em Siglufjordur, uma cidade no norte do país. Fiquei tão agradada com as descrições que pesquisei na internet uma série de fotografias do local. 

Além do cenário, que fará as delícias dos amantes da Escandinávia, quero tecer as minhas considerações sobre a trama. Como referi, o ritmo é lento e tão fascinante quanto a componente criminal é, sem dúvida, a caracterização das personagens. Sobre este último ponto, Neve Cega termina num impasse com Ari Thor. Penso que no próximo livro deliciar-me-ei em ler sobre o futuro do jovem e Krístin.

Sobre aquilo que mais aprecio num policial, a componente criminal, gostei de após ter havido um primeiro homicídio, que um segundo seja abordado, por intermédio de flashbacks, uma forma de narrativa que funciona muitíssimo bem por, de certa forma, me colocar no cenário e viver mais de perto o acontecimento. 
Contudo, dado o restrito círculo de personagens, tenho para mim que foi fácil identificar o homicida. 

Prestes a sair o segundo volume da série, Neve Cega é um cartão de visita bastante interessante. 
Para os fãs do policial clássico, esta série que agora se inicia, é fundamental nas vossas estantes. Recomendo-o também aos aficionados pela literatura policial nórdica.


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Dashiell Hammett - A Chave de Cristal [Divulgação Colecção Vampiro]


Data de publicação: 4 Outubro 2017

               Titulo Original: The Glass Key
               Tradução: Gonçalo Neves
               Preço com IVA: 7,70€
               Páginas: 264
               ISBN: 9789723830194

A Livros do Brasil lança a 4 de outubro A Chave de Cristal, um novo título do mestre do policial hard-boiled Dashiell Hammett na coleção Vampiro. Publicada inicialmente como folhetim na revista Black Mask em 1930, A Chave de Cristal saiu em livro no ano seguinte e é até hoje considerada uma das obras mais conseguidas de Dashiell Hammett.

Sinopse: Em A Chave de Cristal, Paul Madvig é um político corrupto que aspira a dominar por completo a sua cidade, no auge da Lei Seca nos Estados Unidos. O plano é simples: casar-se com a filha do senador
Ralph Bancroft Henry, herdeira de uma dinastia de aristocratas e políticos de elite, de quem gosta genuinamente. Mas serão a avidez ou o amor capazes de o tornar um assassino? Se Madvig está inocente, qual dos seus inúmeros inimigos o estará a tramar tão impecavelmente? Ned Beaumont, um homem que gosta do risco, melhor amigo e conselheiro de Madvig, vê-se na pele de detetive amador nesta admirável parábola sobre a ganância humana, onde personagens implacáveis se envolvem num enredo empolgante, contado numa escrita rápida e incisiva.

Sobre o autor:  Dashiell Hammett nasceu em 1894, no estado de Maryland, EUA.
Começou a trabalhar aos catorze anos para ajudar a sustentar a família e em 1915, tinha então vinte e um anos, foi contratado pela Agência de Detetives Pinkerton. A sua carreira literária iniciou-se com a publicação de contos na revista Black Mask, protagonizados desde logo pelo investigador Continental Op, um verdadeiro "duro" com vinte anos de experiência, que seria o herói do seu livro de estreia, Colheita Sangrenta, lançado em 1929. O Falcão de Malta, publicado em 1930, é a primeira obra onde surge outra das suas personagens marcantes, o detetive Sam Spade, e continua a ser até hoje o seu livro mais famoso. Completam a obra essencial de Hammett os títulos A Maldição dos Dain (1929), A Chave de Cristal (1931) e O Homem Sombra (1934). Faleceu em Nova Iorque a 10 de janeiro de 1961.

Já na coleção Vampiro:
No. 1: Os Crimes do Bispo, de S.S. Van Dine
No. 2: Vivenda Calamidade, de Ellery Queen
No. 3: O Falcão de Malta, de Dashiell Hammett
No. 4: O Imenso Adeus, de Raymond Chandler
No. 5: Picada Mortal, de Rex Stout 
No. 6: O Mistério dos Fósforos Queimados, de Ellery Queen
No. 7: A Liga dos Homens Assustados, de Rex Stout
No. 8: A Morte da Canária, de S. S. Van Dine 
No. 9: O Grande Mistério de Bow, de Israel Zangwill
No. 10. A Dama do Lago, de Raymond Chandler
No. 11. A Pista do Alfinete Novo, de Edgar Wallace
No. 12. Colheita Sangrenta, de Dashiell Hammett
No. 13. O Caso da Quinta Avenida, de Anna Katharine Green  
No. 14. O Caso Benson, de S.S. Van Dine 
No. 15. O Impostor, de E. Phillips Oppenheim
 

domingo, 1 de outubro de 2017

David Lagercrantz - O Homem Que Perseguia A Sua Sombra [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: É consensual afirmar que a trilogia Millennium de Stieg Larsson revolucionou a literatura policial nórdica. Todavia, as opiniões divergem no que concerne à continuação da série por David Lagercrantz. Quanto a mim, valorizo que o autor mantenha viva não só a trama, como, principalmente, as personagens. Em especial, uma das mais carismáticas e irreverentes da literatura, Lisbeth Salander, por quem nutro um carinho especial.

Posto isto, e seguindo a linha do livro antecessor, Lisbeth encontra-se numa prisão feminina de alta segurança a cumprir pena.
Gostei de ver a garra da personagem feminina, protagonizando alguns episódios tensos. Não obstante ter-me parecido que, posteriormente, Lisbeth começa a esmorecer. No final do livro, a hacker pareceu-me menos intrépida. Como balanço geral, teria gostado de ver Lisbeth mais activa na trama pois consegui identificar algumas personagens que disputam o protagonismo na trama: Lisbeth, Mikael e duas novas personagens que explicarão devidamente o rumo proposto por Lagercrantz sobre a vida pessoal da protagonista feminina.

Nunca saberemos se seria intenção de Larsson prosseguir com a série Millennium, incidindo em alguns aspectos sobre Salander que nos pareciam, até ver, indecifráveis. Um dos quais, sem dúvida, a tatuagem do dragão cujo significado é desmistificado. 
O outro é sobre a família da protagonista feminina, alicerçado sobre um estudo sobre gémeos bem como a situação relativa a Holger Palmgren, o ex tutor de Lisbeth. 

No entanto, face ao desenvolvimento sobre esta faceta de Lisbeth, tive a percepção de que a parceria entre esta e Mikael poderia ter sido mais explorada. Senti falta da interacção entre estes como a que nos foi outrora apresentada no primeiro volume da série. 
Além disso, creio que o autor poderia ter desenvolvido com mais afinco a situação relativa à personagem Faria Kazi, remetendo-nos para a temática do Islamismo. Creio que esta foi parcamente abordada e teria sido interessante caso tivesse sido mais explorada.

Tirando estes pontos, menos positivos na minha opinião, é um livro que não deixa de ter valor justamente pela continuação do crescimento destas personagens tão carismáticas. O meu maior prazer nesta leitura residiu neste ponto (rever Lisbeth e Mikael), bem como ver desvendados alguns mistérios relativos à hacker. Para mim, esta será sempre uma personagem icónica. 

Notei que O Homem Que Perseguia A Sua Sombra é, até então, o volume com menos páginas. Talvez por isso, dei por mim a terminar a leitura cedo demais. Pessoalmente teria gostado de me deliciar com mais algumas páginas. A sensação de saudade das personagens rapidamente se instalou.  

É um livro interessante, esclarecedor sobre alguns pontos sobre a hacker mas não me deixou rendida como acontecera com os livros anteriores da série. Não obstante, enquanto o autor David Lagercrantz prosseguir com a série, tenciono lê-la com o mesmo interesse.