quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Gillian Flynn - Em Parte Incerta [Opinião]


Sinopse: Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o 5º aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…
Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Ele está evasivo, é verdade, e amargo - mas será mesmo um assassino?
Entretanto, todos os casais da cidade já se perguntam, se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?

Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género.

Opinião: Há uns anos atrás, li um livro muitíssimo bom chamado Objectos Cortantes. Não me recordo completamente da história, daí que há uns tempos para cá esteja com vontade de o reler. Era de uma autora, de seu nome Gillian Flynn. Por isso quanto tive conhecimento que a Bertrand iria publicar mais uma obra sua, fiquei extremamente satisfeita.

A estrutura da trama é de facto bastante original, sendo feita através de testemunhos que se alternam entre os diários de Amy, que remontam a anos antes e o de Nick, debruçando-se este sobre os acontecimentos na actualidade. Este aspecto, a meu ver, confere uma profundidade nas perspectivas das personagens, privilegiando o leitor aos pensamentos mais íntimos e sentimentos, justificando os segredos mais profundos.
Fazendo uma clara distinção entre a mente masculina e a feminina, a autora expressa assim a sua versatilidade na escrita. Amy com testemunhos, inicialmente mais joviais contrapondo-se aos de Nick, com pensamentos mais sóbrios com cariz entusiasticamente masculinos, revelando em catadupa vulnerabilidades no seu casamento, aparentemente perfeito.
Os diários, embora com espaçamento temporal, acabam por convergir na natureza dos testemunhos.

Ao desaparecimento de Amy podemos associar desde já três hipóteses: ou ela foi raptada, ou desapareceu pelos seus próprios meios ou terá morrido, vítima de um homicídio, sendo que as culpas estão sucessivamente colocadas em Nick. Relativamente a meio do livro, começa a desenhar-se o que aconteceu, mas ainda assim as revelações sucedem-se. Foi um livro que me surpreendeu por diversas vezes, acabando por fazer sentido a frase da capa: "Acha mesmo que conhece a pessoa que dorme ao seu lado?"
O índice foi estrategicamente colocado no final uma vez que o título dos capítulos poderão eventualmente trazer spoilers. Um conselho: não sejam curiosos como eu!

Apesar da história ser de facto, excelente, há um facto que se impõe: o livro tem para além das 500 páginas. Pessoalmente acho que a história poderia ser mais encurtada mas por outro lado, se assim fosse, penso que a profundidade das personagens não seria tão completa e até complexa, como de facto achei que é. 
Apesar da morosidade da trama, espelhando ao mesmo tempo um arrastar de um mistério muito intenso, os diálogos são ricos, denotando-se as diferenças entre os pontos de vista de cada personagem. A autora teve o cuidado de tornar a narrativa tão natural quanto possível, por isso é expectável um registo comum aos testemunhos, que envereda até à linguagem do calão. No entanto, toda a trama é circunscrita ao thriller psicológico, estando praticamente isenta de passagens com teor de violência física.

Nada quero desvendar sobre a trama, mas tenho que registar a minha incredulidade face ao desfecho, que esteve muito longe do que eu esperei, e que para mim foi pouco plausível face à intensidade e quantidade dos acontecimentos aqui narrados. Uma pequena decepção que me impossibilitou de dar 5 estrelas no Goodreads, site da internet privilegiado por bibliófilos, onde este livro teve o maior número de recessões no ano transacto.

Em Parte Incerta, foi para mim uma leitura que antecipa os medos da vida conjugal. Brilhantemente negro, explora com mestria, os limites do amor, do sacrifício, da traição e das mentiras. Gostei mesmo muito e recomendo!


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Rosamund Lupton - Depois [Divulgação Editorial Civilização]


Data de Publicação: 13 de Fevereiro 2013 

Título Original: Afterwards
Páginas: 432
Preço com IVA: 16,90€
              ISBN: 9789722633826    

Sinopse: É um incêndio e eles estão lá dentro. Eles estão lá dentro… Fumo negro mancha o céu azul de verão. Uma escola está a arder. E uma mãe, Grace, vê o fumo e corre. Sabe que Jenny, a sua filha adolescente, está lá dentro. Corre para o edifício em chamas para a salvar. Depois, Grace tem de descobrir a identidade do autor do incêndio e proteger a sua família da pessoa que continua determinada a destruí-los a todos. Depois, tem de forçar os limites da sua força física e descobrir que o amor não conhece limites.

Sobre a autora: Rosamund Lupton ensina Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge. Depois de vários empregos em Londres, incluindo copywriting e revisão para a Literary Review, venceu uma competição para jovens escritores e foi selecionada pela BBC para um curso de jovens escritores. Também foi convidada para o grupo de escritores do Royal Court Theatre. Escreveu guiões originais para televisão e cinema, antes de escrever o seu primeiro romance, Irmã, um bestseller no Reino Unido e nos EUA. O seu segundo romance, Afterwards, agora traduzido em Portugal intitulado Depois, é um bestseller no Reino Unido.
Rosamund vive em Londres, com o marido e os dois filhos.



Críticas de imprensa
«Extraordinário […] de parar o coração […] um thriller muito bem construído.»
Mail on Sunday

«Tal como o Irmã, seu romance de estreia, Depois é um best-seller garantido. Lupton encontrou uma forma de combinar emoção intensa com um enredo empolgante.»
Daily Mirror

«Uma mistura arrojada e fascinante de suspense psicológico, thriller literário e paranormal […] muitíssimo bom.»
Seattle Times



Passatempo Bertrand: Gillian Flynn - Em Parte Incerta


Desta vez, e em parceria com a Bertrand, a menina dos policiais tem para sortear, um exemplar do livro Em Parte Incerta de Gillian Flynn. Para participar no passatempo, tem apenas de responder acertadamente a todas as questões seguintes.

Regras do Passatempo:
- O passatempo começa hoje dia 5 de Fevereiro de 2013 e termina às 23h59 do dia 15 de Fevereiro de 2013.

- O participante vencedor será escolhido aleatoriamente.

- O vencedor será contactado via e-mail.

- Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.

- Se precisarem de ajuda, podem consultar aqui:

Só me resta desejar boa sorte aos participantes!!! :)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Ruth Newman - Os Rostos do Mal [Opinião]


Sinopse:  Um violento surto de homicídios em série está a tumultuar o prestigiado Ariel College, em Cambridge. Os alunos vivem num clima de suspeição e terror desde que foi encontrado o corpo da primeira colega assassinada. Nenhum aluno está a salvo, e Mathew Denison, o psiquiatra forense que colabora com a polícia na tentativa de desmascarar o assassino, sabe-o melhor que ninguém. 
Para chegar à verdade, Denison explora o subconsciente de Olivia Corscadden, a aluna que guarda na sua mente a identidade do homicida. Um thriller psicológico magnético, onde o realismo e o suspense da investigação criminal atingem proporções quase insustentáveis.

Opinião: A colecção O Fio da Navalha da Editorial Presença já nos habituou a policiais e thrillers de grande qualidade e Os Rostos do Mal não é excepção. O livro é um potentíssimo thriller psicológico, que contém uma dose explícita de crimes. Para alguns, e dado que o modus operandi destes crimes difere, embora mantendo a essência de níveis de tortura aplicados, algumas passagens poderão constituir-se um pouco difíceis de digerir.

A acção passa-se num campus universitário inglês, como protagonistas um grupo de adolescentes e dadas as referidas passagens violentas, para mim Os Rostos do Passado, é facilmente equiparado a um filme de terror slasher, embora em formato literário.   

O primeiro contacto com Olivia Corscadden é chocante. Ela é encontrada na cena do crime, em estado de catatonia. Posteriormente, a narrativa é feita muito em torno da entrevista a Olivia, e por analepses que recuam até ao passado, com vista a explicar certos episódios fulcrais para o desenvolvimento da acção. Episódios estes que consolidam a relação de Olivia com a vítima Amanda e a relação com as demais vítimas, abordando um pouco do seu relacionamento com o namorado Nick.
Matthew Denison, psiquiatra forense, conduz as entrevistas que ajudam a conceber um perfil para Olivia, ao mesmo tempo que tenta chegar à verdade uma vez que esta terá provavelmente testemunhado um dos homicidios, o pioneiro de alguns que se seguirão, e a resposta estará no seu subconsciente.

As personagens são de facto muito complexas, a começar por Olivia. À medida que a trama avança, há uma sensação crescente do quão duvidosos podem ser os seus testemunhos, uma vez que são notórias as incongruências que se revelam nos mesmos. Quanto ao restante grupo, eles não são propriamente fáceis de sentir empatia, uma vez que revelam arrogância, segredos, mentiras e divergências entre eles.
Depois, o oposto: Denison, um homem céptico, crente em Olivia, é provavelmente aquele com quem o leitor sentirá mais afinidade e segurança.

Esta é uma trama que aborda de uma forma muito interessante, o transtorno de personalidade múltipla, como o culminar de uma infância de negligência e abusos, tornando-se passagens muito pesadas, as que se relacionam com a infância da personagem.
Tinha saudades de um livro como este, que é muito intenso devido à carga psicológica, explorando com profundidade, situações que inviabilizam um crescimento mental saudável. No entanto, Os Rostos do Mal é também uma trama completíssima, devido ao grafismo e passagens de teor mais violento, abordando por exemplo, mutilações post-mortem.

Definitivamente Os Rostos do Mal, para primeiro livro, constitui uma excelente estreia para Ruth Newman. Deste modo, o meu desejo e que a editora publique o seu segundo romance, que se intitula The Company of Shadows. Neste sentido, encorajaria a Editorial Presença para o fazer. Gostei muito e recomendo!




sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Martin Suter - Cinzas do Passado [Opinião]


Sinopse: Aos sessenta e cinco anos, Konrad Lang ainda vive às custas da abastada família Koch. Durante anos, foi um parasita tolerável, inicialmente enquanto companheiro de brincadeiras de Thomas Koch, o herdeiro da fortuna da família, mais tarde enquanto zelador da mansão de férias em Corfu, embora sempre sujeito aos caprichos da família. Certa noite, porém, Konrad pega acidentalmente fogo à mansão, reduzindo-a a cinzas. A princípio, atribui-se a causa desse incidente ao seu alcoolismo, mas os esquecimentos de Konrad sucedem-se.
São os primeiros sintomas de um mal misterioso, que trará consigo consequências perturbadoras. No entanto, à medida que a memória recente de Konrad se vai esvaindo, as recordações que muitos esperavam estar soterradas vão ressurgindo pouco a pouco... A doença de Alzheimer instala-se, ameaçando pôr a descoberto segredos guardados a sete chaves.

Opinião: Terminei às tantas da manhã este grande livro, que embora date de 1997, só agora foi publicado pela Porto Editora. Pura e simplesmente, não consegui parar de ler, até desvendar o enigme que se impõe, embora de uma forma subtil.
Embora a capa deixe antever um pesado thriller, penso que o género do livro se enquadre mais no tipo dramático, embora a componente mistério esteja bem presente. Efectivamente as recordações que eventualmente possam assolar o protagonista, Konrad Lang, são indesejáveis para Elvira Koch, e a razão desconhece-se até ao final da história.

A trama é muito pesada, se tivermos em conta a temática fulcral: a doença de Alzheimer que contribui para o esquecimento de tantas recordações. Konrad conta com sessenta e cinco anos, ainda jovem para cair nesta doença, mas consta que o seu vício da bebida antecipou o estado da sua sanidade mental.
O autor não se coíbe em acções derivadas a este esquecimento constante e perante situações tão tristes que exigem um respeito para com a doença, o leitor sente uma compaixão genuína por Koni.

Daí que as personagens estão longe das estereotipadas na literatura: não há de facto um herói, e o protagonista tem empatia com o leitor, devido apenas ao seu estado mental.
Este é filho de uma antiga criada de Elvira, que ao fugir com um homem, deixa Koni aos seus cuidados. A infância deste é passada com Thomas, o filho de Elvira. À medida que os anos passam, existe um afastamento entre a família e Konrad, que é compensado a nível monetário.
Entretanto agora, Thomas e o seu filho Urs são tão empertigados quanto a própria Elvira, embora apenas esta detenha a verdade. Resta apenas a infeliz esposa de Urs, Simone, ajudar Konrad na busca das suas recordações mais básicas.

Cinzas do Passado prima pela originalidade ao ser uma história de mistério que aborda uma doença como o Alzheimer, pouco comum em literatura do género. É uma trama com um ritmo pausado, em que se debruça essencialmente sobre as acções de Konrad, antes do diagnóstico, quando se pensavam que os esquecimentos não tinham a dimensão do Alzheimer até à sua confirmação e tratamentos inovadores como forma de ensaio.
É explorada a forma como os doentes percepcionam as pessoas que outrora eram familiares, agora, incapacitadas de se lembrarem, são estranhos.
A forma com que o autor faz chegar estes sentimentos ao leitor está extremamente bem conseguida, levando-me a crer que o autor conhece bem o Alzheimer, desconhecendo se terá sido uma boa pesquisa ou se por infortúnios do destino, terá conhecido esta realidade.

A parte dita thriller psicológico, a meu ver, apenas se discrimina no final, altura da revelação por parte de Elvira. Eu, que tinha equacionado uma série de hipóteses possíveis, falhei redondamente. O autor conseguiu-me surpreender com a explicação, perfeitamente plausível, dos passados de Konrad e o da família.
Ainda assim, Cinzas do Passado foi um livro cuja leitura foi muito apreciada, de vários pontos de vista: aprendi um pouco mais sobre o Alzheimer, a forma como a doença se manifesta e as consequências que esta traz ao ser humano. Emocionei-me com a personagem de Koni e a forma como a família Koch lida com ele e acima de tudo, comovi-me com a solidariedade de Simone.

Em suma, Cinzas do Passado é um livro com uma carga psicológica muito intensa que não deixará ninguém indiferente. Para mim, um livro inesquecível.



Domingo Villar - A Praia dos Afogados [Divulgação Editorial Sextante Editora]


Data de Publicação: 4 de Fevereiro 2013


Título Original: La Playa de los Ahogados
Páginas: 424
Preço com IVA: 17,70€
              ISBN: 9789896761615    

Sinopse: Uma manhã, o cadáver de um marinheiro é arrastado pela maré até à beira-mar de uma praia galega. Se não tivesse as mãos amarradas, Justo Castelo seria outro dos filhos do mar a encontrar a sua sepultura entre as águas, durante a faina. Sem testemunhas nem rasto da embarcação do falecido, o inspetor Leo Caldas mergulha no ambiente marinheiro da povoação, tentando esclarecer o crime entre homens e mulheres renitentes em revelar as suas suspeitas, mas que, quando decidem falar, indicam uma direção demasiado insólita. 

Sobre o autor: Domingo Villar nasceu em Vigo, em 1971, e reside atualmente em Madrid, onde trabalha como guionista de cinema e televisão. Com o seu primeiro romance, Ojos de agua (2006), também protagonizado pelo inspetor Leo Caldas, obteve o I Prémio Sintagma, o Prémio Brigada 21 e o Prémio Frei Martín Sarmiento, e foi finalista em duas categorias dos Crime Thriller Awards no Reino Unido. A praia dos afogados recebeu o Prémio Antón Losada Diéguez, foi finalista do Prémio Novelpol e do Prémio Livro do Ano do Grémio de Livreiros de Madrid, e foi considerado Livro do Ano pela Federação de Livreiros da Galiza. As suas obras foram traduzidas para treze línguas.

Críticas de imprensa
 «A praia dos afogados confirma Domingo Villar como um excelente escritor. O enredo é tão aliciante como as descrições da vida e da faina marítima.»
El País

«É um romance profundo e humano.»
El Mundo

«Um excelente policial em que sobressaem um travo de poesia amarga e o silêncio tão contagiosamente humano das suas personagens.»
Qué Leer

«Retrato certeiro de um ambiente pequeno e brumoso, de gente pacata conjurada pela violência, e com um enredo muito inteligente.»
La Vanguardia

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Jo Nesbø - Caçadores de Cabeças [Opinião]


Sinopse: Roger Brown é um vilão sedutor, um homem que parece ter tudo: é o caçador de cabeças mais bem-sucedido da Noruega - procura e seleciona altos quadros para as maiores empresas -, casado com uma elegante galerista e proprietário de uma casa luxuosa. Mas, por detrás desta fachada de sucesso, Roger Brown gasta mais do que pode e dedica-se ao perigoso jogo do roubo de obras de arte.
Na inauguração de uma galeria, a mulher, Diana, apresenta-o ao holandês Clas Greve e Roger percebe imediatamente que não pode deixar escapar aquela oportunidade. Clas Greve não é apenas o candidato perfeito ao cargo de diretor-geral que ele tem de recrutar para a empresa Pathfinder, como ainda tem em seu poder o famoso quadro de Rubens, A Caça ao Javali de Caledónia. Roger identifica aqui a possibilidade de se tornar financeiramente independente e começa a planear o seu maior golpe de sempre. Mas depressa se vê em apuros - e desta vez não são financeiros.
Em Caçadores de Cabeças, Jo Nesbo envolve-nos numa conspiração explosiva nos meandros da elite industrial e financeira, que culmina no submundo de assassinos contratados e vigaristas. Uma sucessão de homicídios surpreendentes, perseguições e fugas espetaculares, capazes de prender até à última página o mais exigente dos leitores.

Opinião: Sou grande fã de Jo Nesbø e do protagonista de Pássaro de Peito Vermelho, Vingança a Sangue Frio e A Estrela do Diabo, o inspector Harry Hole. Mas desengane-se quem pensa que Headhunters pertence a esta série.

O livro é totalmente independente. O protagonista não poderia ser mais diferente de Hole. Roger Brown é um caçador de cabeças, um termo de economia para um caça talentos, prestando consultoria às empresas, na procura do melhor profissional para um determinado cargo. Como tal, ele tem dinheiro e bastante presunção, para compensar talvez a sua altura. Não obstante, Roger Brown é tão orgulhoso com o seu cabelo como o é com a sua esposa, Diana.
Aumentar o orçamento para sustentar pequenos luxos é fácil: Roger Brown é um ladrão de arte extremamente hábil.
Ao contrário de Harry Hole, que transmitia empatia ao leitor, este Roger Brown é quase uma espécie de anti-herói. Narrado sob a perspectiva do próprio Brown, rapidamente se deduz uma segunda vida, em que a moral pouco persiste.

Os conceitos de Física e os vastos termos de Economia estão presentes, embora num contexto quase de curiosidade. A par destes, são inúmeras as referências de obras de arte escandinavas, sucessivamente descriminadas em notas de rodapé, para que os mais curiosos como eu, possam procurar por imagens no Google. A acção é toda bastante ágil, e o número de páginas que não ascende às 300 torna este livro de fácil e ávida leitura.
Numa trama repleta de reviravoltas e alguns laivos de humor negro, Roger Brown é confrontado com inúmeras provações (e algumas humilhações), levando a que o leitor mude de ideias sobre a personagem e termine o livro a torcer pela mesma.

Caçadores de Cabeças foi um livro de que gostei bastante, embora esteja a meu ver, um pouco aquém dos livros anteriores do autor. Isto porque este livro é um thriller, não envolvendo as investigações policiais que Jo Nesbø nos havia habituado na saga de Harry Hole.
Não obstante, existem alguns homicídios, os quais se encontram descritos num tom desprovido de violência.
A espiral de acontecimentos é extremamente envolvente e deixará preso o leitor, até que finde a sua leitura. E eu que o diga, cerca de dois dias bastaram para apreciar uma história frenética e muito inteligente.

Este livro foi já adaptado no cinema, pelos conterrâneos do autor. Já tive a oportunidade de ver o filme, ainda antes de ter lido o livro, e gostei bastante, embora não se compare à obra. Podem ver o trailer AQUI.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sandra Brown - Letal [Divulgação Editorial Quinta Essência]

Nas livrarias a 8 de Fevereiro.

Sinopse: Quando a filha de quatro anos lhe diz que está um homem doente no seu jardim, Honor Gillette corre a ajudá-lo. Mas esse «doente» revela ser Lee Coburn, o homem acusado de assassinar sete pessoas na noite anterior. Perigoso, desesperado e armado, ele promete a Honor que ela e a filha não irão magoar-se se ela fizer tudo o que ele lhe pedir. Honor não tem alternativa a não ser aceitar a sua palavra. Em breve Honor descobre que nem as pessoas mais próximas de si são de confiança. Coburn afirma que o seu falecido marido possuía algo extremamente valioso que coloca Honor e a filha em perigo. Coburn está ali para levar consigo esse objeto - a qualquer custo. Dos escritórios do FBI em Washington, D.C. a um velho barco no litoral da Louisiana, Coburn e Honor fogem das pessoas que juraram protegê-los e desvendam uma teia de corrupção e depravação que os ameaça não só a eles, mas à própria sociedade.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Gillian Flynn - Em Parte Incerta [Divulgação Editorial Bertrand]


Data de Publicação: 8 Fevereiro 2013


Título Original: Gone Girl
Tradução: Fernanda Oliveira
Páginas: 520
Preço com IVA: 17,70€
              ISBN: 9789722525572    

O livro mais comentado no site Goodreads
(22.383 recensões)

Sinopse: O casamento pode dar cabo de uma pessoa…
Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o quinto aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…
Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Mostra-se evasivo, é verdade, e amargo – mas será mesmo um assassino?
Entretanto, todos os casais da cidade se perguntam já se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?
Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género.


Sobre a autora: Gillian Flynn é autora de Dark Places, best-seller do New York Times, que foi eleito melhor livro de 2009 pela Publishers Weekly. Foi um dos favoritos dos críticos da New Yorker, a primeira escolha de Chicago Tribune na área da ficção e o livro de escolha para o verão da Weekend Today.
É também autora de Sharp Objects, em português Objectos Cortantes, editado em Portugal pela extinta editora Gotica. Livro este vencedor do Dagger Award e nomeado para o Edgar Award de romance de estreia, escolha da Book Sense e da seleção de Descobertas da cadeia de livrarias Barnes & Noble.
Escrito em 2012, Gone Girl torna-se o livro mais comentado no Goodreads, sendo publicado agora pela Bertrand.
A autora está publicada em vinte e oito países
Vive em Chicago com o marido e o filho.

Críticas de imprensa
 «Engenhoso e viperino. Vai fazer de Gillian Flynn uma estrela.»
Entertainment Weekly


«Um thriller de verão irresistível com uma reviravolta digna de Alfred Hitchcock.»
People


«Pura e simplesmente fantástico.»
Associated Press

 
«Uma leitura extraordinariamente boa.»
Boston Globe

 
«O retrato de um casamento tão aterrador e hilariante que o vai fazer pensar em quem é de facto a pessoa no outro lado da sua cama.»
Time

 
«Que delícia, este romance.»
New York Daily News


«Uma leitura compulsiva.»
Columbus Dispatch


«Não consegui dormir de noite depois de o ler.»
Pittsburgh Post-Gazette


«Um livro raro: arrepia e delicia-nos ao mesmo tempo que nos mostra um espelho de como vivemos.»
San Francisco Chronicle


«Enredos com voltas, reviravoltas e muita perversão.»
Kansas City Star


«Uma história que me deixou surpreendido, indignado e hipnotizado com as suas voltas e reviravoltas.»
St. Louis Post-Dispatch
 

«Seja quem for o Leitor, esta história vai ficar consigo,como impressões digitais numa arma.»
Cleveland Plain Dealer



Lisa Gardner - O Assassino das Sombras [Opinião]


Sinopse: Um acto inqualificável deixou destroçada a pacífica cidade de Bakersville e os habitantes, outrora tolerantes, exigem justiça. Mas embora um rapaz tenha confessado o crime hediondo, tudo leva a crer que não seja culpado.
A agente Rainie Conner está no centro da controvérsia. Tudo se passa demasiado perto de casa, trazendo-lhe à memória os seus piores pesadelos e ameaçando revelar os seus pecados secretos. Porém, com a vida do rapaz em jogo, nada a detém na busca do verdadeiro assassino. Com a ajuda de Pierce Quincy, um agente do FBI, Rainie descobre uma verdade mais terrível do que alguma vez imaginara...

Opinião: Este é o segundo livro protagonizado por Quincy e Rainie, que relembro, em Minha Até à Morte, Quincy tinha um papel muito fugaz. Quanto a Rainie, esta nem sequer estava contemplada na narrativa.
Porém, em O Assassino das Sombras, o caso muda de figura. A autora investe em Lorraine Conner, dotando-a de um passado sombrio e volta a chamar o agente do FBI, Pierce Quincy, membro da Unidade de Ciência Comportamental, afim de analisar o caso que se sucede.

Não quero levantar spoilers, mas tenho mesmo que comentar este facto, apesar de não estar claro na sinopse. Este é um livro que aborda o fenómeno dos tiroteios em escolas. Achava eu ser este um fenómeno relativamente recente quando me apercebi que o livro, foi escrito em 2001 e já nesse ano, os Estados Unidos contavam com casos pontuais de tiroteios em comunidades escolares e levados a cabo por alunos.
Estas situações, para mim que trabalho numa escola, deixam-me muito apreensiva.

O que me chocou no livro foi precisamente esse facto: existe efectivamente uma criança suspeita da autoria dos disparos, e há grande desenvolvimento em torno da sua personalidade e vivências, isto num pano de fundo de investigação policial. 
Penso que a trama está longe de ser ficcionada, pois é verdadeiramente perceptível o medo e o choque que terão sentido os familiares dos envolvidos do massacre de Colombine. E este foi apenas um dos massacres desta dimensão. Nas notas iniciais da autora, chocou-me muito ela ter referido que em 1998, tragédias como esta teriam já ocorrido, assistindo ela a cinco tiroteios no espaço de quinze meses. É de facto uma situação lamentável, mas normalmente são desencadeadas por infâncias ou traumas mal resolvidos, daí cada vez mais eminente um acompanhamento das nossas crianças. Felizmente em Portugal não há casos registados, mas estes já terão ocorrido também um pouco pela Europa.

No entanto, o que me agradou na história, foi o modo como a autora recorre ao passado de Rainie e como de certa forma, este terá influenciado o massacre descrito na trama. E ninguém melhor que Quincy para entender Rainie, ele que também tem mazelas familiares e uma história de vida extremamente comovente.
As emoções não são descuradas, e Lisa Gardner cria um ambiente de muita empatia e cumplicidade entre os dois responsáveis da investigação antecipando um romance que certamente será mais desenvolvido em livros posteriores. 

O Assassino das Sombras constitui assim um policial poderosíssimo pela intensidade dos acontecimentos descritos, bem como a infeliz familiaridade que estes são acompanhados. Um tema desconfortável, que nunca vi abordado na literatura, com proporções comoventes como a que será a do luto numa inteira comunidade escolar. Sinceramente, nem quero imaginar...
Daí que este foi um livro que me marcou muito e anseio pela leitura do próximo livro da saga Quincy & Rainie, A Vingança de Olhos Negros.