Opinião: A Casa Negra, pela fantástica capa e uma sinopse que lhe faz jus, foi um livro que me despertou a atenção aquando do seu lançamento. Aproveitando um saldo na conta cliente da Editorial Presença, mandei vir este thriller que, na minha opinião, esteve tempo demais a aguardar na prateleira. No entanto, esta leitura processou-se de forma pouco usual. Interrompi A Casa Negra para ler um outro livro, tendo ficado numa espécie de "ressaca literária". Retomar a leitura desta obra foi uma árdua tarefa mas rapidamente fiquei rendida à história que Peter May nos apresenta.
Posso dizer que esta obra em questão, é mais do que um excelente thriller, é uma viagem à Escócia (numa dicotomia entre o gaélico e o inglês e uma imersão nos rituais, como a caça aos gugas e outras lendas e costumes de um local recôndito como a Ilha de Lewis). Contudo, o que se destaca são o punhado de personagens ricas e complexas.
É portanto, um livro muito visual, onde as descrições são minuciosas e o efeito de estarmos no local é palpável. Até porque esta Ilha de Lewis existe mesmo. A minha curiosidade levou-me a pesquisar e ver imagens deste local no Google. E fiquei maravilhada! De facto, o local é apelativo para uma narrativa tão intensa como esta história.
A par deste facto, o que mais gostei foi, indubitavelmente, da inserção de dois planos temporais, conferindo uma maior profundidade às personagens. E a alternância dos planos associa também uma forma de narração diferente. A viagem ao passado de Fin Macleod é narrada na primeira pessoa, "obrigando" o leitor a viajar com ele e a assistir a n episódios na sua infância, alguns algo sôfregos mas que reflectem a perigosidade de certas "brincadeiras" infantis.
Penso que este plano temporal tornou mais rica a caracterização das personagens da ilha.
Havendo um crime, o do malfadado Angel, este livro, no entanto, foge aos parâmetros de um policial convencional pois não se cinge apenas às investigações criminais. A Casa Negra é muito mais do que isso. Há uma atmosfera dramática intensa, conseguida à custa das personagens e das suas provações a que foram submetidos em crianças, desenvolvendo-se num crescendo de emoções até ao clímax, onde surge uma revelação completamente inesperada e negra, pesada. Um final que me deixou assoberbada, confesso.
Em relação às personagens, como referi, são uma componente importante na obra. Há um protagonista com um carácter semelhante ao que vai sendo usual na literatura policial: um polícia com uma bagagem emocional abalada por dramas pessoais. Trabalhando em Edimburgo, esteve a braços com um crime com um modus operandi bastante semelhante ao que ocorre agora na Ilha de Lewis, o que o leva a voltar à terra natal e confrontar-se com o seu passado.
De identidade misteriosa, o assassino de Angel não é imediato. Esta personagem reúne um punhado de personagens com motivações para o eliminar, pelos mais variados motivos e suscita-se uma dúvida natural até ao final. Devo confidenciar-vos que li as últimas 200 páginas numa só noite, pela madrugada dentro, extasiada pelo rumo da história.
Este livro é simplesmente arrebatador. Finda esta leitura fica o desejo que a Marcador publique os dois próximos volumes desta trilogia de Lewis. O primeiro livro termina, sem aparentemente pontas soltas, mas gostaria com certeza de acompanhar mais investigações de Fin Macleod.
Para mais informações sobre o livro A Casa Negra,
clique aqui