domingo, 22 de janeiro de 2017

Dolores Redondo - Legado nos Ossos [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: No ano passado li um livro interessante que cruzava o folclore basco com o género de policial: O Guardião Invisível, primeiro volume da trilogia de Baztán. Ficando com uma excelente impressão da autora espanhola, não obstante tardar em retomar a série, foi com uma grande expectativa que iniciei a leitura de Legado nos Ossos.

Ascendendo às 500 páginas, a minha percepção é que a obra pecou justamente pelo excessivo tamanho. 
Tornou-se, sem dúvida, importante conhecer mais sobre a inspectora Amaia Salazar e, em particular, uma revelação no seio familiar que se tornou pertinente. Creio que a maternidade lhe terá dado uma maior afabilidade. A dinâmica de casal, agora que Ibai nasceu, é também diferente e foca algumas questões interessantes características nesta fase. Sorri ao ler passagens pejadas de tanto carinho pelo bebé.
Outro pormenor que gostei ter visto neste livro, foi a inclusão da personagem tão controversa de Rosario, a mãe de Amaia, que, de acordo com o livro antecessor, era munida de um carácter malévolo.

A autora atende, uma vez mais, à fórmula anterior, à abordagem do misticismo, o que acaba, naturalmente, por ser um factor diferenciador no que concerne aos livros do género. Para uma curiosa, como eu, de lendas e mitos regionais, é um factor positivo embora deva reconhecer que narrativas deste género podem camuflar a essência de um thriller e torná-lo mais moroso.
Talvez por isso, deva confidenciar que esta obra não me agradou tanto quanto a anterior. Urgia em mim uma vontade em ler sobre um crime brutal. Contava que a profanação de cadáveres perpetrada na trama fosse gráfica e violenta, contudo a autora contém-se nas descrições que, sinceramente, não me chocaram tanto quanto esperava. Creio que, grosso modo, o crime em Legado nos Ossos é mais contido e imiscui-se nos dramas familiares das personagens. Sensação que foi substituída por uma crescente tensão nas páginas finais da obra. Estas foram, naturalmente, lidas com maior voracidade.

Em suma, há que referir que Dolores Redondo apresenta um estilo bastante peculiar que me agrada ainda que tenha ficado mais arrebatada com O Guardião Invisível do que com Legado nos Ossos. Ainda assim, fica a promessa em revisitar a autora com o último da trilogia, Oferenda à Tempestade. 


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