Dado que a minha presente leitura, O Livro das Almas, é continuação de um outro livro, a Biblioteca da Morte, resolvi partilhar convosco a opinião do Ricardo Grosso sobre este livro:
"Quando travamos conhecimento com a obra de qualquer autor, o natural é, antes ou depois da nossa leitura, observarmos a sua biografia para tentarmos, porventura, identificar algum detalhe da vida desse autor com a obra que acabámos de ler, ou que ainda não lemos mas cuja sinopse já nos chamou a atenção.
No caso particular de Glen Cooper, estamos perante alguém com uma vida diversificada e que assume gostos bastante ecléticos, senão atentemos apenas aos seguintes aspectos da sua biografia: Estudou arqueologia em Harvard antes de se tornar médico especialista em doenças infecto-contagiosas e posteriormente especializou-se em biotecnologia. Desse modo, uma biografia que abrange áreas tão diversificadas do saber despertará certamente muita curiosidade no público sobre a obra que irão ler. E, efectivamente, o livro logo desde início, embora com um ritmo lento ao nível dos acontecimentos, consegue surpreender, mesmo aqueles que apreciam policiais mais movimentados e com uma violência mais explicita.
Homens e mulheres de vários extractos sociais e proveniências recebem misteriosos cartões com um caixão com uma determinada data próxima, sendo acompanhadas pela narrativa até ao dia indicado nos referidos cartões encontrando todas elas a morte. Esta sucessão de mortes intriga a polícia e os jornais que, de imediato apelidam o autor dos cartões de "assassino sentenciador", porém a ausência de pistas desespera a polícia que entrega o caso ao protagonista Will Piper um polícia semi-retirado e com um passado problemático de alcoolismo, no entanto Will consegue surpreender até os mais acérrimos defensores de Sherlock Holmes pelas suas deduções e rápidos raciocínios. A partir do momento em que Will reecontra Mark, um antigo colega de faculdade, somos, de supetão, atirados para uma autêntica montanha russa temporal, recuando até à Inglaterra da Alta Idade Média onde conhecemos a vida de um pequeno mosteiro e a forma como o súbito nascimento de uma criança no dia 07 de Julho de 777 vai alterar, para sempre, a vida desse mosteiro e, imagine-se, o futuro da própria humanidade.
Esse é o principal ingrediente nesta narrativa, pois somos confrontados com duas narrativas paralelas e enquanto Will Piper prossegue, no presente, a sua busca pelo "assassino sentenciador", vamos, simultaneamente recuando até à Inglaterra Medieval para, no final, tudo bater certo.
Embora a narrativa, como já referi, comece num ritmo lento, à medida que vamos viajando no tempo, quer no presente, quer no passado, a mesma vai-se tornando mais crescentemente movimentada até atingir o seu clímax, quase como se escutássemos a famosa obra Carmina Burana de Carl Orff ao longo de todo o livro.
Embora não seja considerada uma obra magistral da literatura a Biblioteca da Morte entusiasma como policial e também como romance histórico, sendo difícil manter coesas duas narrativas em épocas aparentemente tão distintas e simultaneamente mergulhar nos segredos mais bem guardados da América e da Grã-Bretanha. Um livro imprescindível a quem gosta tanto de policiais como de romances históricos."