Sinopse: Em Fevereiro de 2000, Richard Zimler foi à Austrália para participar no Encontro de Escritores de Perth. No dia da sua chegada, conheceu uma talentosa bailarina brasileira que lhe contou o muito que o seu romance O Último Cabalista de Lisboa tinha significado para ela. O trágico passo que ela daria no dia seguinte mudou para sempre a vida de Zimler, lançando-o numa intensa investigação de três anos sobre o passado dela.
O escritor descobre então uma infância vivida à sombra do Monte Carmelo na década de 1950, uma época de tolerância entre comunidades vizinhas de árabes e de judeus nos velhos bairros de Haifa. À medida que esta paz se vai fragilizando, duas raparigas - uma palestiniana, outra israelita - tecem entre si laços que as ligam para sempre. A demanda de Zimler desvenda a história desta amizade extraordinária, apesar de o conduzir através de uma teia de ilusão, crueldade e enganos e, finalmente, ao 11 de Setembro de 2001, quando a tragédia que testemunhou em Perth surge à luz do mais extremado contexto político.
À Procura de Sana apaga as fronteiras convencionais entre realidade e ficção, ao analisar a natureza da verdadeira amizade, e o germinar de um crime impensável. Escrito pelo autor de alguns best-sellers sobre a cultura e a história judaicas, é ao mesmo tempo uma emocionante digressão sobre questões que nos afectam a todos.
Opinião: Apesar de ler muitos policiais e Richard Zimler ter obras do género, confesso que nunca li nada do mesmo. Comprei À Procura de Sana, pois já tinha ouvido boas críticas sobre o livro e gostei bastante da sinopse. Abri o 2014 com este livro e finda esta leitura, ficou a curiosidade em enveredar por mais obras do autor.
À procura de Sana é narrado pelo próprio Zimler, que conhece em Perth uma mulher enigmática, Sana. Sem querer desvendar mais do que a sinopse, posso adiantar que esta mulher por quem Zimler sente uma empatia imediata após ela ter desvendado que adorou o livro O Último Cabalista de Lisboa, suicida-se. O autor, perturbado com a situação, dá inicio a uma investigação afim de averiguar as causas deste estranho suicídio.
A premissa da narrativa é algo simples mas origina algo complexo. As pistas sucedem-se sem desvendar algo em concreto, através de inúmeros inquéritos que Zimler faz às personagens. A mais misteriosa é sem dúvida Helena, a amiga de longa data de Sana, que nos faz questionar sobre a veracidade das suas afirmações.
Ao longo dos inúmeros diálogos, Zimler dispersa-se do contexto da investigação para relatar o ambiente hostil entre israelitas e palestinianos. Na minha perspectiva, esta dispersão enriquece muito a narrativa, uma vez que o leitor, conduzido pelas descrições cruas, não consegue ser indiferente a esse choque de culturas.
O facto de o autor surgir como personagem reforça a verosimilhança de toda a narrativa, ficando o leitor sempre na dúvida se o episódio narrado terá sido verídico. Tal facto associado a um pano de fundo factual, leia-se o eterno conflito israelo-palestiniano, torna a história extremamente envolvente, enredando o leitor numa espiral de emoções ao ponto de o mesmo questionar o local de fronteira entre a história factual e a narrativa ficcional.
Ao longo desde livro são várias as referências à obra O Último Cabalista de Lisboa, também da autoria de Richard Zimler, facto que não será de estranhar uma vez que, como já referido, o autor surge como personagem, sendo notória a presença de alguns excertos auto-biográficos. Independentemente disso, essas várias referências aguçaram-me a curiosidade relativamente à referida obra O Último Cabalista de Lisboa recentemente reeditado pela Porto Editora.
Embora tenha lido esta edição da Gótica, editora que, como sabéis está actualmente extinta, este livro foi reeditado pela Dom Quixote, e na minha opinião, com uma capa bem mais apelativa. Portanto fica feito o convite para ler esta obra, sem se depararem com a dificuldade na sua aquisição.