sábado, 2 de maio de 2015

Maratona Literária [Crónicas do Gelo e Fogo] - Desafio I


A Cláudia, A Mulher que Ama Livros, pergunta aqui "Vamos começar pelo principio, quando tudo começou, para fazer sentido. Contem-me, quando e porquê esse interesse em ler As Crónicas Gelo e Fogo?"

Como sabeis, não sou grande fã de livros do género Fantástico. Leio algumas distopias mas o género que me satisfaz mesmo é o policial e thriller. Sou assim também nas séries televisivas, optando maioritariamente por séries do mesmo género. Contudo, sempre ouvi falar muito bem de uma série chamada Guerra dos Tronos. Estávamos em 2012 e segunda temporada passava no canal Sy Fy, salvo erro.
Torci um pouco o nariz, acreditava piamente que não ia gostar da série mas lá fui para o primeiro episódio open minded. Posso adiantar-vos que, apesar de ter gostado do pilot, não me agarrou o suficiente para avançar na série. Um dia em que a programação da TV era francamente má, eu e o meu marido vimos o segundo, sem qualquer tipo de expectativa e... fez-se magia. Passei a venerar todo aquele universo criado pelo George R. R. Martin. As intrigas, as conspirações reais, a estratégia de conquista... e notem, eu nem sequer sou uma apreciadora de História para ter estes ingredientes em tão boa conta!

Como alguns de vós devem saber, eu creio que as adaptações televisivas dos livros omitem sempre alguns detalhes pelo que desde então que fiquei curiosa em ler os livros e complementar os meus conhecimentos sobre a história e as personagens. Tem acontecido comigo, inúmeras vezes, após ver a adaptação de um dado livro, ler posteriormente a obra mesmo que saiba a sua história.

No primeiro dia da Feira do Livro de Lisboa de 2013, conheci pessoalmente uma fã do meu blogue, entusiasta com os livros, facto que aumentou exponencialmente a minha vontade em ler as obras. Nesse dia, para me convencer a ler outro género que não o policial (vá e o erótico), ofereceu-me o primeiro e comecei imediatamente a sua leitura. De facto, fiquei ainda mais rendida e consegui encontrar os livros seguintes até ao 9º, a preços bem simpáticos na secção dos "defeituosos". Até fiz um post sobre isso aqui.

Pronto, deixem-me cá ir avançar mais umas páginas. Espero manter a motivação até ao final! Boas leituras, maratonistas!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Maratona Literária [Crónicas do Gelo e Fogo] - Dia 1


É feriado dia 1 de Maio mas acordei com as galinhas, como se costuma dizer, e comecei a ler A Fúria dos Reis enquanto bebi o meu café. 
Ontem em conversa com o marido, apercebi-me que a história dos dois primeiros volumes está fresca na minha memória, portanto vou iniciar a maratona a partir do 3º livro. Posso desde já adiantar que gostei do prólogo, deixou-me curiosa (se bem que, como vejo a série, estou relativamente familiarizada com o que aí vem).
A minha manhã não foi muito propícia a leituras. Aproveitei este tempo para fazer a lida da casa e à tarde vou sair. Contudo, vou aproveitar o tempo nos transportes para adiantar umas páginas...

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Maratona Literária [Crónicas do Gelo e Fogo]


Começa amanhã, dia 1 de Maio, uma maratona alusiva à obra de George R. R. Martin, criada pela Mulher Que Ama Livros. Li os dois primeiros volumes em 2013 cujas opiniões podem encontrar aqui e aqui (óh céus! Como o tempo passa!!!) e nunca mais peguei nesta maravilhosa saga. 
Estou a acompanhar a actual temporada e continuo assombrada pelo universo criado por George R. R. Martin. Ainda me recordo muito bem dos primeiros livros, por isso vou prosseguir a leitura a partir do terceiro volume.
Será que consigo ler os restantes livros até Setembro? Challenge Accepted ;)

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A Estante está mais cheia [Abril 2015]


Mais um mês que termina e mais uma enchente de novos habitantes nas estantes, como habitual.
Endereço, como é costume, os meus agradecimentos à TopSeller pelo À Morte Ninguém Escapa, à Bertrand pelo Bolha e O Azul dos Teus Olhos, à Quetzal pela recente obra de Yrsa Sigurdardóttir, uma autora que, como sabeis, é da minha preferência. E à Editorial Presença pelo A Verdade E Outras Mentiras, livro que também foi sorteado cá no blogue.

Ganho num passatempo promovido pelo grupo dos Livrólicos Anónimos do Facebook, chegou-me o Slated - Reiniciada e estou extremamente curiosa com o mesmo. Ganho no Liga e Ganha, recebi Os Regressados.
Um Avião Sem Ela foi um presente de aniversário já atrasado :)

Também fiz umas comprinhas. Aproveitei a promoção da Note it e trouxe comigo Perdidos no Bosque de Ruth Rendell, tendo-me custado 5€. Esse valor foi o que dei pelos livros O Poeta de Michael Connolly e A Escultora de Minette Walters na feira do livro do Cais do Sodré.
Como vivo de novidades literárias, aproveitei um budget extra e comprei Um Homem Sem Passado, Erebos e Uma Morte Impossível.

E vocês, compraram muitos livros neste mês que agora finda?

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Blake Crouch - Wayward Pines [Divulgação Editorial Suma de Letras]


Data de publicação: Abril 2015 

               Preço com IVA: 16,90€
               Páginas: 336
               ISBN: 9789898775368

Sinopse: As crianças brincam na rua e os pássaros cantam nas árvores quando o agente dos serviços secretos Ethan Burke chega a Wayward Pines, uma terra idílica nas paisagens de Idaho.
A sua missão é clara: encontrar dois agentes federais que desapareceram há dois meses na bucólica localidade. Apenas minutos depois de chegar, Ethan sofre um violento acidente e acorda no hospital: sem documentação, sem telemóvel, sem a sua pasta. À medida que a investigação avança, as dúvidas são cada vez mais numerosas e inquietantes do que as respostas. Porque não consegue Ethan comunicar, de nenhuma forma, com a mulher e o filho? Por que razão todos duvidam da sua identidade? Qual é o propósito do muro electrificado que circunda a cidade? Impedir os habitantes de sair… Ou impedir alguma coisa de entrar?
A cada passo que dá na procura da verdade, Burke afasta-se cada vez mais do mundo que pensava conhecer e do homem que pensava ser. Até que esbarra numa dúvida aterradora: será ele capaz de sair de Wayward Pines?

Sobre o autor: Blake Crouch, um dos novos escritores-estrela de thrillers americano, nasceu na Carolina do Norte em 1978. Licenciou-se em Inglês e Escrita Criativa e cinco anos depois já tinha editado dois romances. Desde então publicou mais oito romances, além de novelas, contos e artigos. Muitas das suas obras foram compradas para adaptação ao cinema, nomeadamente o último romance que será transposto ao grande ecrã e publicado pela Suma de Letras.

Imprensa
«A escalada de suspense do romance é difícil de suportar mas a reviravolta final consegue ir ainda mais além. Uma leitura trepidante, impossível de parar.»
Booklist

Liane Moriarty - Pequenas Grandes Mentiras [Divulgação Editorial ASA]

Data de publicação: 19 Maio 2015 

               Preço com IVA: 17,70€
               Páginas: 480
               ISBN: 9789892330945

Sinopse: A vila costeira de Pirriwee é um bom lugar para viver. As ruas são seguras, as casas são elegantes, e os seus habitantes distintos. Bom... quase todos...

Madeline é tudo menos perfeita. Para começar, recusa-se a viver para as aparências e não se coíbe de dar a sua opinião (principalmente quando não é pedida). O seu lema “Nunca perdoar. Nunca esquecer.” vai ser inesperadamente testado ao limite.
Celeste tem o tipo de beleza que leva as pessoas a parar na rua.
É tão serena que ninguém repara que por detrás dos seus magníficos olhos se escondem sombras negras. Nem as suas melhores amigas sabem o que se passa quando a noite cai.
Jane acabou de chegar. Ao fim de anos a tentar encontrar um lar, a idílica vila parece ter tudo o que procura… e até já conseguiu fazer duas amigas, cujas vidas perfeitas, espera, venham a ter uma boa influência sobre si. É mãe solteira e tão jovem que, no recreio da escola, a confundem com uma babysitter. Mas a sua inocência há muito que se perdeu.
Um acidente vai unir estas três mulheres numa amizade aparentemente indestrutível. Pelo menos, até à noite da festa. Na vila, nada mais será como antes. São muitas as versões mas o facto indiscutível é que houve uma morte. Como aconteceu? Quem viu? Acima de tudo, quem morreu? 

Sobre a autora: Liane Moriarty, antes de se dedicar à escrita, trabalhou numa editora de livros jurídicos e como copywriter por conta própria. O Segredo do Meu Marido, o seu quinto romance, foi um sucesso estrondoso em todo o mundo, e será em breve adaptado ao cinema, ao passo que Pequenas Grandes Mentiras será adaptado para a televisão, em formato minissérie. A autora vive atualmente na Austrália com o marido e os dois filhos irrequietos.


Anteriormente publicado











Sascha Arango - A Verdade e Outras Mentiras [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: A Verdade e Outras Mentiras é a obra de estreia do alemão Sascha Arango, num registo de thriller psicológico que se lê num ápice devido ao reduzido número de páginas e ritmo célere. Além disso, creio que toda a história teve contornos bastante intrigantes, percepção que tive logo nas primeiras páginas, apelando para uma leitura mais ávida.

Categorizado como na linha de O Talentoso Mr Ripley de Patricia Highsmith, creio que consigo aferir, sobretudo, algumas semelhanças entre a personagem de Highsmith e Henry Hayden, o protagonista de A Verdade E Outras Mentiras, um pseudo escritor que vive das aparências e que para se livrar de um problema, a gravidez da amante, mete-se num outro ainda maior.
Ainda que seja um homem que mente descaradamente, é uma personagem muitíssimo complexa e inteligente, que lança as suas mentiras, corroborando-as posteriormente sem grandes falhas. 
Como é que eu poderia sentir empatia por uma personagem assim? Pois bem, não consegui. E penso que todos os leitores se sentirão pouco como eu. Sendo consensual que esta personagem não cativa o leitor, o fascínio por Hayden reside no facto de mentir tão bem e de arquitectar histórias tão convincentes, a ponto de me deixar na dúvida sobre o que será invenção e realidade.

Creio que o aspecto que mais se impõe nesta leitura é precisamente este: a história suscita um espírito de dúvida constante e o leitor fica curioso em saber como o protagonista se irá livrar do emaranhado ludibrioso que vai construindo. 
A trama possui algumas reviravoltas e há uma conjugação bastante interessante dos ingredientes já cliché deste tipo de thriller como os desaparecimentos, os enganos e uma pitada de erotismo.
Em jeito de curiosidade, tendo em conta que o protagonista é um escritor, a trama contempla alguns aspectos verdadeiramente interessantes para aqueles que adoram livros, como eu, desde o processo de escrita até à formulação dos manuscritos e sua publicação.

À margem de Hayden, não existem muitas personagens e nem todas são magistralmente complexas como este escritor. Creio que as caracterizações tão parcas das demais personagens funciona no sentido de as tornar mais enigmáticas. Na minha opinião, esta história coloca o destaque nas consequências das acções de Hayden.

Ao longo da leitura comecei a formular uma teoria que foi deitada por terra, tendo ficado algo esmorecida, contudo, a meu ver, o desfecho não foi o mais justo mas agora que reflicto nisto, penso que talvez terá sido o mais acertado para o protagonista.

Em suma, A Verdade E Outras Mentiras vale pela capacidade ilusória do protagonista sem, no entanto, criar empatia com o leitor. Não deixa de apelar à reflexão sobre o poder persuasivo e das consequências de uma grande mentira, ainda que habilmente arquitectada.
A história é intrigante e tensa embora com episódios de humor negro, resultando daí uma leitura bastante satisfatória.

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domingo, 26 de abril de 2015

Jessie Burton - O Miniaturista [Opinião]


Sinopse: Num dia de outono de 1686, a jovem Nella Oortman, recém-casada com um próspero mercador de Amesterdão, Johannes Brandt, chega à cidade na expetativa da vida esplendorosa que este casamento auspicioso lhe promete. Mas, entre a amabilidade distante do marido e a presença repressiva da cunhada, Nella sente-se sufocar na sua nova existência.
Até que um dia, Johannes lhe oferece uma réplica perfeita, em miniatura, da casa onde vivem. Nella encomenda então a um miniaturista algumas peças para ornamentar a casa. Mas algo de surpreendente acontece: novas encomendas de miniaturas continuam a chegar sem terem sido solicitadas, como presságios silenciosos de futuras tragédias.
Um romance de estreia magnífico, sobre amor e traição, que evoca com grande sensualidade a atmosfera da Amesterdão do século XVII.

Opinião: Terminei há instantes, a leitura de O Miniaturista e continuo abismada. Saí completamente da minha zona de conforto pois este livro não é um thriller, nem policial, contudo despertou-me a curiosidade ao ler inúmeras opiniões favoráveis sobre a obra.

Num cenário singular de Amesterdão do século XVII, a narrativa desenrola-se através de um miniaturista que começa a enviar peças bastante semelhantes às que existem na casa da família Brandt, como um prenúncio de acontecimentos futuros.

Devo confessar que, inicialmente, o livro não me estava a cativar. O ritmo é moroso, e sendo O Miniaturista um livro de cariz histórico, existem algumas descrições sobre a cidade e sociedade da época, altamente opressiva em termos religiosos que me fizeram cabecear algumas vezes.
A história explora também a época de apogeu da Holanda, dado que no século XVII, Amesterdão era o centro da economia mundial devido à importância das companhias das Índias.
A autora inclui um pequeno glossário no final do livro que auxilia os leitores menos versados na história moderna.

Além disso, em primeira análise, não gostei das personagens, talvez com excepção de Nella embora, por vezes, esta personagem me tenha despertado alguma irritação por ser demasiado ingénua. Não obstante, compreendo que na época em questão, a mulher ainda tinha um papel bastante submisso, justificando assim as atitudes da protagonista.

Marin, a cunhada de Nella, era demasiado severa e Johannes exageradamente ausente pois é um importante mercador e por conseguinte, algo negligente com o casamento. 

Se as personagens da casa estão excepcionalmente desenvolvidas, o mesmo não se pode dizer sobre o miniaturista que, após a sua identidade desvendada, carece de uma caracterização mais profunda.

Dividida em quatro partes, a história tem uma revelação no final de cada uma, revelações estas que, à medida que foram surgindo, deixaram-me genuinamente surpreendida. No decorrer da leitura, não tive como ficar indiferente a esta história de contornos altamente intrigantes.
O livro é extremamente sensorial apelando ao sentido do olfacto. Os aromas das especiarias e o cheiro do limão e da cera são tão bem descritos que cheguei a ter a sensação que o meu próprio lar estava impregnado com estas essências.

O aspecto mais fascinante reside no facto de ter existido mesmo uma senhora de seu nome Petronella Oortman (1656-1716) que terá tido uma casa de miniaturas (actualmente exposta no museu Rijksmuseum em Amesterdão) servindo como inspiração para o romance de estreia de Jessie Burton.

Embora inicialmente céptica com esta obra, como balanço geral, O Miniaturista proporcionou-me uma excelente leitura. Valeu sobretudo pelas revelações das personagens e seu destino, situações que nunca teria equacionado.
Em suma, O Miniaturista é um livro desconcertante e altamente cativante.

Para mais informações sobre a Editorial Presença, clique aqui
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Anders de la Motte - Bolha [Divulgação Editorial Bertrand]


Data de publicação: 24 Abril 2015 

               Tradução: Fernanda Oliveira 
               Preço com IVA: 17,70€
               Páginas: 424
               ISBN: 9789722529174

Sinopse: O Jogo foi uma experiência perigosa para Henrik «HP». Encontra-se agora no meio de uma crise profunda, numa vida de grande isolamento, convencido de que está sob constante vigilância da polícia e do Mestre do Jogo. Vê sistematicamente pessoas das suas missões passadas e não tarda a que a sua paranoia se transforme em loucura. Já não sabe em quem ou em que acreditar e a fronteira entre o Jogo e a vida real é cada vez mais ténue. Ainda assim, está determinado a concluir uma derradeira missão que irá tornar o Jogo mais claro e desvendar a verdade que se esconde por detrás dele, sejam quais forem as consequências.
A vida de Rebecca mudou radicalmente desde que o irmão se envolveu no Jogo. Deixou a Polícia e começou a trabalhar numa empresa privada de IT. A sua relação está por um fio e ela tenta salvá-la. Quando se depara com um cofre que em tempos pertenceu ao seu pai e que contém uma arma e vários passaportes, começa a sua própria investigação em busca da verdade. Pode haver uma relação entre o passado do seu pai, o Jogo e aquilo que está a acontecer ao seu irmão, HP…

Sobre o autor: Anders de la Motte nasceu em 1971 e iniciou a sua carreira literária em 2010 com O Jogo, vencedor do romance de estreia da Academia Sueca de Escritores. Foi investigador da polícia e, até recentemente, responsável pela Segurança de uma das maiores empresas de IT do mundo. Atualmente, é consultor de Segurança Internacional. Com a fusão de suspense, ação, humor e conhecimentos de IT, Anders de la Motte é uma das vozes mais interessantes da literatura.

Imprensa
«Uma trilogia a não perder... Não é fácil concluir uma trilogia cujos primeiros dois volumes são tão fortes, mas Anders de la Motte faz uma escalada até um nível de cortara respiração.»
Dagens Nyheter 

«Há ainda mais ação neste volume, os acontecimentos dramáticos sucedem-se sem parar… Não se pode confiar em ninguém e nada é aquilo que parece ser.»
DAST Magazine 

«Com um grande enfoque na sociedade digital, Anders de la Motte oferece uma vez mais aos seus leitores thriller alucinante, como a MTV em fast-forward. Eis que vos espera uma verdadeira experiência de leitura.»
Metro 

«Esta trilogia destaca-se completamente na mediocridade que abunda nas secções de thrillers das livrarias… Um ritmo acelerado e fascinante, a ponto de não se conseguir parar de ler. Pode muito simplesmente dizer-se que Anders de la Motte escreveu um thriller perfeito.»
Magasinet Paragraf

Anteriormente publicado













quinta-feira, 23 de abril de 2015

Hans Olav Lahlum - Crime Num Quarto Fechado [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: O número 7 da colecção Crime à Hora do Chá traz-nos um autor... diferente. É sabido que esta colecção se tem dedicado a autores que já não se encontram entre nós, mas Hans Olav Lahlum, é contemporâneo, sendo também considerado, pelos seus conterrâneos, a personalidade mais interessante na Noruega, estando actualmente no Guinness World Record como detentor do título A Entrevista mais longa da história. Para quem não sabe, este autor foi entrevistado durante 30 horas seguidas e o seu vasto conhecimento sobre História  e Política teria permitido ainda mais horas de entrevista.

Daí que fiquei bastante curiosa quando tive conhecimento que uma obra deste autor seria publicado pela colecção Crime à Hora do Chá que, como sabeis, se dedica a policiais da escola clássica. De facto, Crime Num Quarto Fechado, apesar de contemporâneo, poderá ser categorizado neste subgénero. 

A acção passa-se em 1968 em Oslo e o método de investigação do crime é pura e simplesmente o interrogatório aos inquilinos do prédio onde foi morto Harald Olesen.
Crime Num Quarto Fechado relembrou-me, por vezes, algumas obras de Agatha Christie ou de Sir Arthur Conan Doyle. O caso é inteiramente descortinado através da lógica assemelhando-se aos métodos descritos nos romances protagonizados por Poirot ou Sherlock Holmes. Destaco ainda a forma como Lahlum coloca uma personagem a emparelhar com o detective Kolbjørn Kristiansen, resultando tão bem como as duplas Poirot/Hastings e Sherlock/Watson. 
O elemento original reside no facto de Patricia, a jovem que ajuda o detective na investigação, ter maior destaque que o próprio protagonista.

Nesta óptica, e sabendo de antemão que estes policiais clássicos desenvolvem-se, normalmente, a um ritmo moroso, não creio, contudo, que tal tenha acontecido com a presente obra. O autor soube envolver o leitor numa espiral de segredos dos moradores em conjugação com uma perspectiva histórica sobre o envolvimento da Noruega na 2ª Guerra Mundial. O autor, embora versado no tema, disserta sobre esta guerra de modo leve e apelativo mesmo para um público fora da Noruega, que, naturalmente não sente curiosidade natural em conhecer os detalhes do envolvimento deste país na 2ª Guerra Mundial.

A história é narrada na primeira pessoa sob a perspectiva do detective Kolbjørn Kristiansen pelo que à medida que este vai desvendando os vários enigmas os leitores vão, progressivamente tomando conhecimento de novos elementos da trama, destacando-se o facto deste caso de homicídio ser o primeiro na carreira de Kristiansen.

Hans Olav Lahlum usa frequentemente o termo "mosca humana" para as personagens do livro (com excepção do protagonista e de Patricia), não deixando de crer que é uma sátira ao comportamento humano numa situação de pressão como uma investigação criminal certamente terá.
Todos os inquilinos são suspeitos e cada um deles é intrigante devido ao leque de segredos que respectivamente possuem. Para além desse facto a trama pareceu-me altamente rica em aspectos históricos que entrosam inteligentemente com a acção de 1968, podendo afirmar que se trata de um policial de época.

Não deixa de ser interessante também o posfácio onde o autor tece algumas considerações sobre si e sobre a sua tia, decerto que uma personalidade tão interessante quanto o próprio autor.

Muito diferente dos demais policiais escandinavos que já li, Crime Num Quarto Fechado assemelha-se a um policial clássico apelando à dedução do leitor para chegar ao culpado antes do próprio Kolbjørn Kristiansen. Um policial leve, desprovido de passagens gráficas mas pejado de reviravoltas.
Indubitavelmente, destronou o meu livro preferido desta colecção que foi Morte Na Aldeia. 
A título final, deixo um apelo: Edições ASA, incluam novamente Hans Olav Lahlum nesta colecção!