quinta-feira, 30 de julho de 2015

A Estante está mais cheia [Julho]


Mais um mês a terminar e um monte de livros novos na estante. Estou felicíssima, claro! No início do mês realizou-se um almoço livrólico e trouxe de ofertas, Amor Cruel, Eleonor & Park, A Morte das Neves e Lealdade Fatal. Obrigada às amigas livrólicas :)
Dado que A Morte das Neves recomendava a leitura de A Morte dos Bosques, no dia seguinte, na feira de Belém, encontrei esse título a 2,50€. Claro que o trouxe comigo!

Vi, há poucos dias, o season finale de Wayward Pines, uma série que tenho gostado tanto que quis também ler os livros a que lhe deram origem. Comprei o primeiro a um preço simpático, o segundo foi oferecido pela Margarida e o terceiro cedido pela Suma de Letras. Grata por três momentos estrondosos de leitura (o primeiro assim o foi)!
Li Segredos Obscuros logo no início do mês, ofertado pela editora à qual endereço os meus agradecimentos. De surpresa e também pela Suma de Letras chegou-me Doce Tortura. Não resisti a comprar o primeiro livro da autora, Não Há Bela Sem Senão por apenas 5€ a um particular.

A um preço extremamente simpático chegaram Fusão (tenho definitivamente que ler Puros), Sem Coração (que se encontra autografado) e Sem Regras. Febre de Nick Louth foi ofertado pela Jacarandá, Roubados de Robert Wilson pela Dom Quixote e o erótico Mais Do Que Sedução pela Quinta Essência. Endereço os meus agradecimentos às editoras parceiras!

É desta! Estou convicta que em Agosto esta rubrica terá apenas a foto do meu repousa pés (ou seja, sem aquisições!)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Lee Child - Nunca Voltes Atrás [Divulgação Editorial Bertrand]


Data de publicação: 7 Agosto 2015 

               Título Original: Never Go Back
               Preço com IVA: 17,70€
               Páginas: 448
               ISBN: 9789722530422

Sinopse: Na sequência de uma viagem épica e com interrupções pelo caminho desde as neves do Dakota do Sul, Jack Reacher chega finalmente à Virginia. O seu destino é um edifício de pedra que fica a curta distância de Washington D.C., a sede da sua antiga unidade, o MP 110. Foi o mais parecido com um lar que alguma vez teve.
Porquê? Quer encontrar-se com a nova responsável pela unidade, Susan Turner. Gostou da voz dela ao telefone. Mas o oficial que está atrás da antiga secretária de Reacher não é uma mulher. Porque não está Susan Turner ali?
Aquilo de que Reacher não está à espera é o que se segue. Ele próprio está metido num grande sarilho, acusado de um homicídio com uma história de dezasseis anos.
Irá arrepender-se de ter voltado?
Ou será que outra pessoa se irá arrepender?

Sobre o autor: Lee Child é de nacionalidade britânica e divide o tempo entre França e Nova Iorque. Depois de ter sido despedido do emprego na televisão, em Manchester, escreveu o primeiro romance, Killing Floor, em que deu a conhecer Jack Reacher, o herói desprendido e antigo polícia militar. Child é considerado, neste momento, um dos mais conceituados autores de thrillers em todo o mundo. O seu último romance de capa dura, Nothing to Lose atingiu o primeiro lugar na lista de livros mais vendidos do Sunday Times na mesma semana que o novo livro Bad Luck and Trouble em edição de bolso. É publicado em 36 línguas. 
 

Imprensa
«Reacher é matéria de que são feitos os mitos, uma grandiosa fantasia masculina. Um dos heróis da ficção pop mais originais e provocadores. Child faz um trabalho de mestre ao dar vida a esta sua aventura com surpresas intermináveis e um suspense feroz.»
The Washington Post

«Jack Reacher é o James Bond dos nossos dias, um herói de thrillers de quem nunca nos fartamos. Leio todos os livros mal aparecem.»
Ken Follett

«Child é o macho alfa dos escritores de thrillers.»
Booklist

«Todos os livros do Reacher produzem uma descarga no sistema nervosa.»
Kirkus Reviews

«Neste momento, Lee Child é o meu autor de thrillers número 1.»
Ken Follett

«Jack Reacher é o protagonista de série mais fixe por aí.»
Stephen King

«Pode muito bem ser o melhor livro da série para uma ilha deserta. A intriga é excecional. E cheia de loucas surpresas.»
New York Times 


«Diz-se que a cada quatro segundos alguém compra um livro do Jack Reacher algures no mundo … O génio de Lee Child consiste em ter criado um herói durão que os homens invejam e as mulheres adoram.»
Daily Express


sábado, 25 de julho de 2015

Maratona Literária [Crónicas do Gelo e Fogo] - Desafio IV

Uma pilha de livros enorme para ler e uma vontade inexplicável de férias dão nisto: maratona Gelo e Fogo extremamente atrasada. A ver se hoje começo A Glória dos Traidores.

Tardiamente respondo ao Desafio IV, em que a Cláudia pergunta se costumamos comer alguma coisa enquanto lemos e qual a comida/bebida perfeita para acompanhar a série.

Por norma não como enquanto leio (sob o risco de fazer nódoas nos livros). Costumo sim, beber o meu café matinal enquanto percorro algumas linhas da corrente leitura. Parece que não aprendo! É que tenho um livro na minha biblioteca manchado de café. É A Biblioteca da Morte do Glenn Cooper.
Também tenho por hábito beber chá no Inverno ou coisas mais fresquinhas no Verão como os meus home made granizados de café. Creio que torna a leitura mais aconchegante...



Para esta série em particular, pejada de mortes, talvez acompanharia com umas gomas ou uns marshmallows... Tentava, desta forma, adoçar os (imensos) momentos tensos que a saga proporciona.

Donna Tartt - A História Secreta [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Depois de ter lido O Pintassilgo no ano passado, tive conhecimento que o magnus opus da autora era a sua obra de estreia, A História Secreta, um livro que fora publicado em Portugal mas já estava esgotado. Eis que a Editorial Presença republicou a obra em Junho, tendo-ma oferecido num evento da Feira do Livro de Lisboa.

Numa iniciativa de leitura conjunta promovida pela editora, li A História Secreta juntamente com outros leitores que foram deixando alguns pareceres sobre a obra, havendo inclusivé uma página de Facebook associada ao evento.
Para melhorar o entrosamento entre leitores, a editora decidiu estipular prazos para a leitura de determinados capítulos. Face às circunstâncias, para não me adiantar demasiado, fui parando a leitura de A História Secreta, intercalando com outros livros. Estas paragens, a meu ver, terão sido algo prejudiciais na medida em que a leitura deste livro deve ser corrida, de forma a desfrutar da mesma. Desse modo, retomar a leitura desta história não foi fácil dado que Donna Tartt tem uma escrita bastante peculiar, rica em pormenores tal como constatei quando li O Pintassilgo.

Daí que a minha opinião seja algo ambígua: sim, gostei do livro e da história em si mas por norma opto por livros mais ricos em acção ao passo que a pormenorização de Tartt leva a uma morosidade no ritmo da trama.

Também por ter lido O Pintassilgo, inconscientemente fui estabelecendo comparações entre os dois livros. Entre Richard Papen, narrador e protagonista de A História Secreta e Theo Decker da obra que li anteriormente, senti uma maior empatia pelo pequeno Theo, talvez explicada pela tenra idade do mesmo e das vivências que foi experienciando ao longo da sua vida.
Já o protagonista do presente livro, Richard, é um adolescente que vai frequentar a universidade de Hampden num curso relacionado com a Cultura Grega. Ele vem de uma família de classe baixa e o seu relacionamento com os pais é distante, contrastando com o nível mais elevado dos estudantes com quem se irá relacionar: um grupo bastante restrito e com afinidades pela cultura helénica.

O prólogo é bastante elucidativo em relação a um dos pontos altos da história: a morte de uma das personagens centrais da história, deixando antever que os outros amigos estarão, de alguma forma, envolvidos. A acção retrocede alguns meses para explicar as circunstâncias daquele acontecimento.
Diria que o crime é apenas um dos pontos fortes pois na minha opinião, o livro vai muito além deste,  explorando a intrincada teia de relacionamentos entre os jovens universitários: os gémeos Charles e Camilla, Henry, Francis, Bunny e Richard.
A trama baseia-se sobretudo nas consequências irreflectidas de actos inconscientes, tão próprios dos adolescentes e deste grupo em particular que tem um estilo de vida dionisíaco. Creio que a autora faz um retrato bastante fidedigno da descompensação emocional e psicológica destas cinco personagens, que se intensifica após o crime bem como o trato das condicionantes morais decorrentes do acontecimento.

É-me muito difícil abordar o que, para mim, definitivamente fere as susceptibilidades sem fazer spoilers e que se relaciona com dois membros desse grupo em particular. Esta relação chocante, que já vi retratada em inúmeras obras literárias mas ainda assim faz-me imensa confusão, toma contornos ainda mais assombrosos quando é toldada pelo efeito de drogas e bebida.

Apesar da trama abordar um estilo de vida muito libertino, simultâneamente também é bastante erudita dado que o livro é riquíssimo em citações alusivas a textos gregos e outras obras que com o tempo se tornaram clássicos de literatura.

Em suma, apesar de ter gostado da essência de A História Secreta (afinal de contas aprecio sempre um bom crime) creio que é uma obra com um ritmo lento e parca em reviravoltas, não me tendo surpreendido particularmente.

Para mais informações sobre a Editorial Presença, clique aqui
Para mais informações sobre o livro A História Secreta, clique aqui

 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Rebecca James - Doce Tortura [Divulgação Suma de Letras]


Data de publicação: 5 Agosto 2015 

               Título Original: Sweet Damage
               Preço com IVA: 16,70€
               Páginas: 384
               ISBN: 9789898775436

Sinopse: Quando Tim Ellison encontra um quarto barato para alugar num dos melhores locais de Sydney, parece um golpe de sorte: estará perto do restaurante onde trabalha e ainda mais perto do seu lugar preferido para praticar surf. Mas há uma condição para que possa arrendar o quarto:
Tim terá de fazer todos os recados à misteriosa dona do quarto, uma mulher muito reservada e pouco amistosa, que nunca abandona a casa.

Tim esforça-se cada vez mais por conhecer melhor a figura inquietante de Anna. A principio muito reservada, ela começa a revelar-se aos poucos: a sua história, a sua tristeza, os seus medos paralisantes.
É então que começam a acontecer coisas estranhas na casa: golpes a meio da noite, figuras inexplicáveis nas sombras, mensagens sinistras nas paredes. Tim assusta-se
porque, ao mesmo tempo que o seu desconforto em relação àquela casa vai
aumentando, crescem também os seus sentimentos pela bela e misteriosa dona da
casa.

Que tipo de pessoa será Anna London: alguém que merece compaixão, alguém para amar ou alguém para temer?

Sobre a autora:  Rebecca James nasceu em Sydney em 1970. Durante a infância e a juventude, viveu em varias cidades da Austrália, incluindo Bourke, Sydney, Wellington e Bathurst.
Já trabalhou como empregada de mesa, operadora numa central de taxis e professora de Inglês na Indonésia e no Japão, Neste momento, vive na Austrália com o marido e os quatro filhos. O seu primeiro Iivro, Não Há Bela Sem Senão, está publicado na Suma de Letras . Doce Tortura é o seu segundo romance.


Imprensa
«Um livro cheio de surpresas. As personagens são fascinantes e, ao mesmo tempo, suficientemente horríveis para nos manterem presos à necessidade de virar as páginas.»
Booklist

«Rebecca James tece uma história envolvente e bem estruturada. A tensão e o suspense criam-se de forma quase imperceptível.»
Crime Review 


«Com toques do clássico Rebecca de Daphne du Maurier a assombrar o romance, misturados com questões sociais, sexuais e de identidade.»
Booktrust

«À medida que os sentimentos entre Tim e Anna se intensificam, assim como os acontecimentos estranhos dentro da casa, acontece o mesmo com a vontade de virar as páginas do romance e descobrir o que acontece a seguir.»
All You

«Rebecca James é particularmente boa a criar uma atmosfera de intriga em que a casa quase se transforma numa personagem.»
WriteNoteReviews


 

Jeff Abbott - Beijo Fatal [Opinião]

 

Sinopse: AQUI

Opinião do Ricardo: Beijo Fatal: é o mais recente lançamento em Portugal do escritor norte-americano Jeff Abbott e o primeiro de uma série protagonizada por Whit Mosley, juiz de paz do condado de Encina no estado do Texas. 

Nesta obra narrada através da figura de narrador omnisciente, tomamos conhecimento da morte de Pete Hubble, a ovelha negra de uma poderosa família texana que se tornou estrela de filmes para adultos. Neste contexto a hipótese de suicídio surge, desde logo, como a causa mais plausível para a morte de Hubble, contudo, quer o juiz Mosley, quer a inspectora Cláudia Salazar necessitam de provas concludentes que apontem nesse sentido. À medida que ambos investigam vão levantando o véu sobre as manobras que têm lugar nos bastidores da vida política e também sobre os meandros das organizações mafiosas, numa série de acontecimentos que se vão desenrolando em catadupa até um desfecho inesperado e surpreendente.

Senhor de uma escrita fluída, sem rodeios nem floreados e plena de acção, Jeff Abbott consegue prender-nos da primeira até à última página enredando-nos numa complexa teia de relações humanas e mantendo-nos em suspense até final.
Para esta fluidez contribui, sem dúvida, a narração que descreve simultaneamente a acção dos protagonistas, bem como a do próprio assassino cujas movimentações vamos acompanhando, tomando apenas conhecimento da sua alcunha, pois apenas nos capítulos finais é que ficamos a descobrir a verdadeira identidade do mesmo. Estas narrações simultâneas permitem manter elevados os níveis de acção, mesmo nos momentos mais calmos de um dos protagonistas.

As personagens, longe de serem super-heróis, revelam aspectos hiper-realistas, fragilidades humanas, tensões, dúvidas, sendo possível a qualquer leitor identificar-se com as mesmas. O facto de a narrativa ter lugar numa pequena cidade do Texas, fazendo como que grande parte das personagens se conheçam entre si (como é normal acontecer nas pequenas cidades) vai contribuir também para a intrincada teia de segredos que cada personagem esconde mas que vai sendo, lentamente, revelada.

Em suma, a complexidade da trama faz com que a dada altura o leitor comece a suspeitar de toda a gente, acabando por ser surpreendido pela revelação do assassino, bem como outras surpresas e reviravoltas presentes nas últimas páginas. É um thriller emocionante e, por vezes, vertiginoso, que fará delirar, sem dúvidas, todos os fãs do género.

domingo, 19 de julho de 2015

Blake Crouch - Wayward Pines Paraíso [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Sou grande fã da série Wayward Pines protagonizada por Matt Dillon. Não há muitas séries que me prendam a ponto de ver avidamente os episódios disponíveis e ficar na expectativa de que sejam emitidos os próximos.

Apesar de saber, em linhas gerais, o que conta a história de Wayward Pines, a leitura do primeiro volume trouxe, ainda assim, algumas surpresas que se traduzem em pequenos aspectos do enredo que estão diferentes da adaptação televisiva. Entre esta e o livro não consigo eleger a minha preferida embora deva reconhecer que alguns aspectos me soaram mais naturais na série.
Não obstante, creio que M. Night Shyamalan (realizador de O Sexto Sentido) conseguiu transportar na perfeição aquele ambiente duvidoso que se instala gradualmente no vilarejo.

Tenho para mim que Blake Crouch, altamente influenciado por Twin Peaks segundo o mesmo, foi bastante inovador, tendo escrito uma trilogia que consubstancia o equilíbrio entre o terror, o thriller, a distopia e o sci-fi.
A combinação de um local paradisíaco com o fenómeno do Big Brother dá azo a uma narrativa bastante original e interessante. É um livro intrigante se bem que, e não querendo entrar em pormenores, a componente do sci-fi não me convenceu totalmente.

Wayward Pines é um livro de rápida leitura. A escrita do autor é simples e organizada em frases curtas, talvez para intensificar o crescendo dos acontecimentos e simultâneamente pejada de diálogos.

As personagens são, em regra geral, de cariz duvidoso coadunando-se com o mistério daquele vilarejo que se auto intitula como o paraíso na Terra. Note-se que a caracterização das mesmas também difere da série para o livro, nomeadamente o xerife Pope. Dada a complexidade do enredo, o leitor poderá dar por si a duvidar da sanidade de Ethan Burke, o protagonista.

Apesar da história ter contornos que não são de todo verossímeis, a trama acaba por ser uma crítica aos ideais anarquistas pois acaba, de forma implícita, deixar um alerta sobre as consequências que acarretariam o não cumprimento das normas que regem a vida em sociedade.

Na minha opinião, o final da presente obra foi algo abrupto e levanta algumas pontas soltas que serão, certamente, explicadas nos volumes sucessores. O facto de o final ter sido deixado em aberto eleva as expectativas para a próxima incursão a Wayward Pines.

Em suma, um livro bastante interessante que mostra uma outra perspectiva da história.


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Gillian Flynn - Objetos Cortantes [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Esta foi uma releitura feita com tanto entusiasmo quanto a primeira vez que li a obra (publicada pela extinta editora Gótica em 2007) ainda o blogue não era "nascido". A classificação do livro no Goodreads mantém-se: 5 estrelas para a obra de estreia de Gillian Flynn.
Agora tendo a perspectiva de ter lido a bibliografia da autora, tenho para mim que Objetos Cortantes supera as suas obras sucessoras, Lugares Escuros e o seu magnum opus, Em Parte Incerta.
Creio, no entanto, que a minha opinião pessoal não será de todo consensual. Esta obra é demasiado distorcida e obscura e vai ao encontro dos meus peculiares gostos mórbidos.

Uma particularidade que notei nas obras de Flynn é a forma como a autora desenvolve as personagens de uma maneira repulsiva. Nesta obra voltei a sentir o mesmo. Não houve uma única personagem por quem sentisse uma particular afinidade, nem muito menos por Camille, a narradora da história.  
Recordo-me das personagens de Amy (Em Parte Incerta) e de Libby (Lugares Escuros) e no quão perturbadoras estas eram. Camille Preaker não foge à regra. É uma personagem extremamente depressiva, cujo passado foi pautado por graves perturbações mentais que lhe valeram uma estadia num hospital psiquiátrico. Agora reabilitada, Camille volta à cidade natal para escrever sobre os homicídios de contornos extremamente macabros de duas crianças.

As personagens secundárias, com especial ênfase na mãe e na meia irmã de Camille, são de cariz maquiavélico, protagonizando algumas passagens bizarras.

À semelhança de Em Parte Incerta, Objetos Cortantes debruça-se sobre uma relação, a de mãe e filha, numa perspectiva doentia. Este relacionamento acaba, a meu ver, por ter tanto interesse quanto o desvendar do caso das meninas mortas. Se ler sobre uma relação abusiva já é suficientemente desconfortável, esta sensação é mais intensa quando se aborda o tema da automutilação.

De atmosfera intoxicante, é uma trama cuja leitura se pautou por uma ambiguidade: se por um lado estava vidrada com a história, por outro, as sucessivas passagens desconfortáveis causaram um mau estar a ponto de querer pausar a leitura. Todavia, como sabem, é dos livros macabros que mais aprecio. E este é um thriller psicológico que, volto a reforçar, é muito tenso, pesado e perturbador.
Uma anotação para o desfecho. Já me tinha passado pela cabeça durante a leitura mas posteriormente deixei-me levar pela autora pelo que foi um verdadeiro choque aquele final!

Uma obra intensa que é de puro horror. Reli-a no fim de semana e não me saiu da cabeça desde então. Muito bom!


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Blake Crouch - Wayward Pines: Caos [Divulgação Editorial Suma de Letras]


Data de publicação: 15 Julho 2015 

               Preço com IVA: 16,90€
               Colecção: Wayward Pines #3
               Páginas: 352
               ISBN: 9789898775559

Sinopse: Passaram três semanas desde que Ethan Burke chegou a Wayward Pines. Os residentes desta cidade não comandam as suas vidas. Mas Ethan descobriu o surpreendente segredo do que existe além da cerca eletrificada que rodeia Wayward Pines e que a protege do assustador mundo exterior. O último volume da trilogia Wayward Pines - agora também série de sucesso na Fox - vai mantê-lo preso até à última página.

Sobre o autor: Blake Crouch, um dos novos escritores-estrela de thrillers americano, nasceu na Carolina do Norte em 1978. Licenciou-se em Inglês e Escrita Criativa e cinco anos depois já tinha editado dois romances. Desde então publicou mais oito romances, além de novelas, contos e artigos. Muitas das suas obras foram compradas para adaptação ao cinema, nomeadamente o último romance que será transposto ao grande ecrã e publicado pela Suma de Letras.


domingo, 12 de julho de 2015

Hjorth & Rosenfeldt - Segredos Obscuros [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Senti-me deveras curiosa quando comecei a ver fragmentos de fotografias alusivas a um livro na página de Facebook da Suma de Letras que foram sucedidos por vários posts contendo frases enigmáticas.  A minha curiosidade espicaçou ainda mais perante a premissa do livro: "um jovem de 16 anos, morto, a quem lhe foi arrancado o coração na cidade de Västerås, Suécia". 
É óbvio que, como fã acérrima dos policiais nórdicos, esperei ansiosamente pelo lançamento desta obra.

Recordo-me vagamente da minha conversa com Erik Axl Sund, durante a qual os autores me explicaram que, no contexto da literatura policial escandinava, não eram pioneiros na escrita a duas mãos, exemplificando com alguns nomes, entre os quais a dupla Hjorth e Rosenfeldt. Além disso, vim a descobrir que Rosenfeldt é o criador de uma das minhas séries preferidas, Bron/Broen.
Todo este background foi motivo, mais do que suficiente, para ficar radiante com a publicação da saga de Sebastian Bergman aqui também em Portugal e, a avaliar pelo primeiro livro, é uma série para seguir com a máxima atenção.

Alguns seguidores do blogue têm-me inquirido, ultimamente, sobre esta obra e aos quais tenho respondido que Segredos Obscuros é um policial nórdico de qualidade quando comparado com os seus congéneres. Com isto quero dizer que está repleto de personagens complexas, que oscilam entre os seus dilemas pessoais e o profissionalismo em deslindar o culpado da morte, no caso em apreço, de Roger Eriksson, um jovem de 16 anos que é assassinado impiedosamente. Os contornos desta morte são macabros pois envolvem uma profanação post-mortem, designadamente a remoção do coração. E, por fim, existe um equilíbrio entre os pormenores técnicos de uma investigação criminal e os tradicionais métodos de interrogatório. Neste livro, esta ultima componente assume um maior interesse, a meu ver, dada a tenra idade da vítima e o ambiente sócio-económico em que a mesma se inseria.

Não obstante outros aspectos, o que mais apreciei na obra foi, sem dúvida, o protagonista Sebastian Bergman. Acaba por ser atípico que este não seja um inspector mas sim um psicólogo criminal.
De carácter amargurado em consequência da perda da sua família aquando do tsunami na Tailândia em 2004 (e aqui notamos um elemento factual, na medida em que o mesmo ocorreu na realidade), Sebastian vai colaborar com a polícia e consegue, de certa forma, descortinar alguns mecanismos mentais de um homicida. Curiosamente este é apelidado pelo narrador como "o homem que não é um assassino", evidenciando a negação como um mecanismo recorrente em todos os que procuram uma desculpabilização ou desresponsabilização pelos seus actos.
Confesso que este tema me recordou alguma da matéria de Psicologia que tive oportunidade de estudar no meu 12º ano, sendo que, dentro dessa área o que mais me fascina é, precisamente, a psicologia criminal.

A par destes factos, sempre gostei de tramas que se desenvolvem a partir de um punhado de segredos, cujas revelações vão surgindo em catadupa não deixando de surpreender o leitor. Segredos Obscuros é pois um perfeito exemplo do quão bem funciona esta fórmula. Sabemos de antemão que a adolescência é uma fase algo tumultuosa e dada a segredos obscuros, como o próprio título indica, tornando a leitura bastante estimulante como se de uma verdadeira investigação se tratasse.

Em suma, Segredos Obscuros proporcionou-me uma leitura ávida, em pouquíssimos dias e uma vontade inexplicável de ler os seguintes volumes da série. A obra ofereceu-me um punhado de personagens tortuosas e um crime intrincado com contornos bastante intrigantes. Ahhh! E também uma viagem à Suécia sem sair de casa.
Recomendo vivamente esta obra. Os fãs de policiais escandinavos irão delirar!