segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Mark Edwards - Follow You Home [Opinião]


Podia copiar a sinopse (em inglês pois este livro não foi publicado em Portugal) mas vou falar da obra depois de vos mostrar o trailer:

 

Que vos pareceu?
Devo dizer-vos que foi a primeira experiência em ler em inglês e correu muito bem. Já tenho mais uns livros neste idioma debaixo da mira para ler! O ritmo de leitura foi, no entanto, mais lento. 
Optei por este título após ter visto a sua nomeação para a categoria de terror e por recomendação de uma livrólica no facebook. 

Daniel e Laura são um casal britânico na casa dos 30s que pretendem casar e ter filhos, pelo que vão fazer uma viagem de comboio pela Europa como despedida de solteiros, digamos assim. Na Roménia são assaltados e expulsos do comboio por não terem bilhete. Sem dinheiro ou passaportes, tentam encontrar uma cidade, e, até lá, caminham por uma floresta e entram numa casa onde uma experiência traumática vai mudar as suas vidas.

Primeiro, devo dizer que o leitor só sabe o que aconteceu na Roménia na terceira parte do livro, pelo que a trama foi bastante misteriosa até então. Acontecem algumas coisas sinistras já em Inglaterra que me deixavam antever uma situação bastante grave naquela casa romena e que teria que permanecer secreta. Quando David revela o que de facto aconteceu, devo confessar que esperava algo bastante mais profundo, no entanto não deixa de ser uma situação aterrorizante.

Esta era, provavelmente, a maior revelação da trama pelo que pensei que a doravante a história não traria surpresas. Como me enganei... a trama torna-se bastante intrigante por explorar melhor a questão da situação da Roménia e por abordar mais exaustivamente as personagens oriundas do país.
Há uma pequena reviravolta final que não tinha equacionado. Apanhou-me completamente desprevenida.

Uma trama que inclui alguns rasgos de violência explícita, não sendo adequada, portanto, aos leitores mais impressionáveis. 

Gostei bastante deste livro e creio que publicado em Portugal, seria uma excelente aposta para os fãs do thriller e terror.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

M. J. Arlidge - A Casa de Bonecas [Divulgação Editorial TopSeller]


Data de publicação: 9 Novembro 2015 

               Título Original: The Doll´s House
               Colecção: Helen Grace #3 
               Preço com IVA: 17,69€
               Páginas: 320
               ISBN: 9789896682705

Sinopse: O corpo de uma jovem é desenterrado numa praia remota, mas o seu desaparecimento nunca tinha sido denunciado. Alguém a mantivera «viva» ao longo do tempo, enviando à família, regularmente, mensagens em seu nome.
Para a detetive Helen Grace, todas as provas apontam para um assassino em série, um monstro distorcido mas engenhoso e hábil — um predador que já matou antes.
À medida que Helen se esforça por destrinçar as motivações do assassino, ela compreende que se trata de uma verdadeira corrida contra o tempo. Uma única falha pode significar a perda de mais uma vida.

Sobre o autor:  M. J. Arlidge trabalha em televisão há 15 anos, tendo-se especializado em produções dramáticas de alta qualidade.
Nos últimos 5 anos produziu um grande número de séries criminais passadas em horário nobre na ITV, rede de televisão do Reino Unido.
Encontra-se presentemente a escrever uma série policial para a BBC, além de estar a criar novas séries para canais de televisão britânicos e americanos.


S.J. Watson - Segunda Vida [Divulgação Editorial Jacarandá]


Data de publicação: 4 Novembro 2015 

               Título Original: Second Life
               Preço com IVA: 18,90
               Páginas: 408
               ISBN: 9789898827135

Sinopse: Ela ama o marido.
Ela está obcecada por um estranho.
Ela é uma mãe dedicada.
Ela está preparada para perder tudo.
Ela sabe o que está a fazer.
Ela está a perder o controlo.
Ela é inocente.
Ela é totalmente culpada.
Ela está a viver duas vidas.
Ela pode perder ambas.


Segunda Vida é o muito aguardado thriller psicológico do autor do bestseller Antes de Adormecer…. 

Sobre o autor:  O primeiro romance de S. J. Watson, Antes de Adormecer, tornou-se um estrondoso sucesso internacional. Bestseller em todo o mundo, venceu o Crime Writers' Association Award para Melhor Romance de Estreia e o Galaxy National Book Award para Thriller do Ano.
O filme baseado no livro, com Nicole Kidman, Colin Firth e Mark Strong como protagonistas e realização de Rowan Joffe, estreou em setembro de 2014.
S. J. Watson nasceu nas Midlands e atualmente vive em Londres.


Imprensa
«Uma espécie de Atração Fatal adaptado à era digital, mas com uma reviravolta determinante… Watson é um mestre na criação de revelações surpreendentes.» 
Evening Standard

«Uma leitura absorvente – com um enredo engenhoso, personagens convincentes e uma premissa inquietante que desagua numa conclusão verdadeiramente perturbadora. Segunda Vida é a prova sólida de que Watson não terá apenas um êxito.»
Independent

«Um retrato intenso e cativante. A desintegração de Julia é comovente e realça a formidável personalidade de Watson como escritor: confirma-se que é uma estrela.» 
Daily Mail


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Stephen King - Bem-vindos a Joyland [Divulgação Editorial Bertrand]


Data de publicação: 13 Novembro 2015 

               Título Original: Joyland
               Preço com IVA: 17,70
               Páginas: 256
               ISBN: 9789722530446

Sinopse: Carolina do Norte, 1973. Na esperança de conseguir esquecer a namorada que lhe despedaçou o coração, Devin Jones, um estudante universitário, vai trabalhar na Joyland, um parque de diversões. Contudo, acaba por se ver confrontado com algo muito mais terrível: uma rapariga, Linda Gray, vítima de um perverso homicídio, cujo espírito assombra o comboio-fantasma. O assassino ainda está à solta e Devin decide encontrá-lo.
Uma história intensa de amor e perda, acerca de crescer e de envelhecer - e daqueles que não chegam a ter tempo para uma coisa nem para outra por serem ceifados pela morte antes disso. 
Com todo o impacto emocional das grandes obras de Stehen King JOYLAND é ao mesmo tempo um policial, uma história de terror e um romance de formação que deixará o leitor profundamente comovido.

Sobre o autor:  Stephen King é um dos mais populares autores contemporâneos. Escreveu mais de quarenta livros, incluindo Carrie, A História de Lisey e Cell, Chamada para a Morte. Recebeu diversos prémios literários ao longo da sua carreira, incluindo o Bram Stoker Award, o World Fantasy Award, o Nebula Award e o prestigiado National Book Award. Conta hoje com mais de trezentos milhões de exemplares vendidos em cerca de trinta e cinco países. Números e um currículo impressionantes a fazerem jus ao seu estatuto de escritor mais bem pago do mundo.


Gilly MacMillan - Não me Deixes [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Não Me Deixes é o livro de estreia de Gilly MacMillan. Foi publicado em Portugal em Junho mas tenho adiado a sua leitura por trabalhar com crianças e, por conseguinte, me fazer alguma confusão o tema aqui retratado. Tal como a sinopse indica, a trama é sobre uma criança que desaparece ainda que supervisionada pela mãe.

Não costumo ler muitas histórias de desaparecimentos infantis pois na sua grande maioria coloca-se a hipótese do rapto e creio que os livros do género acabam por ser bastante similares. No entanto, Não Me Deixes é bastante diferente do usual muito devido à estrutura da narrativa. Curiosamente também este livro é narrado ao estilo de Gone Girl em que os capítulos alternam sob a perspectiva de Rachel e James Clemo, o responsável pela investigação do caso.
O leitor não só tem acesso à vida familiar de Ben, como acompanha a investigação conduzida por Clemo. Apercebemo-nos que este também é uma personagem amargurada devido aos acontecimentos pessoais que ocorrem aquando a investigação bem como um episódio algo traumático da sua infância.

Reconheço que este livro está muito bem escrito. É palpável a aflição da mãe, Rachel na procura do filho Ben. Aos poucos, o leitor apercebe-se da vida pessoal de Rachel e é sugado para aquele mundo. É simplesmente desconfortável e angustiante.
Depois devo falar da minha percepção sobre este desaparecimento que era bastante negativa. As crianças não desaparecem assim, numa fracção de segundo. Algo de muito terrível devia ter acontecido ao Ben para se eclipsar. Creio que o mistério em torno do Ben é a força motriz do romance. Manteve-me expectante ao longo das páginas e vivi tanto o drama familiar de Rachel que também eu fui levada a acreditar nas sucessivas falsas pistas.

Denotei um grande trabalho de pesquisa por parte da autora que enuncia vários comunicados e pressupostos nos casos de desaparecimentos. Além disso, há um entrosamento com a actualidade, mostrando que as redes sociais são ferramentas poderosas na divulgação de informações sejam estas úteis ou meros preconceitos resultantes de um negativo juízo de valores.
Não Me Deixes é também um convite à reflexão sobre famílias desfragmentadas pois a monoparentalidade é cada vez mais frequente na sociedade dos dias de hoje.

Em suma, um livro poderosíssimo, com uma mensagem de esperança e um final arrebatador.



domingo, 1 de novembro de 2015

Mary Kubica - Vidas Roubadas [Opinião]


Sinopse: AQUI

Opinião: Terminei ontem à noite o segundo livro de Mary Kubica, Vidas Roubadas. Depois de ter lido Não Digas Nada, fiquei a aguardar com bastante interesse a publicação de mais obras da autora. Pretty Baby saiu no verão deste ano e não tardou para que a TopSeller publicasse o segundo livro de Kubica. Congratulo a editora por não ter feito esperar os fãs da autora!

Vidas Roubadas é uma história completamente diferente da obra antecessora. Só encontro em comum a forma como esta é narrada sob perspectivas intercaladas na primeira pessoa, que, no presente caso, são três: Heidi, Chris e Willow.
Enquanto que as narrativas referentes a Heidi e Chris se referem ao presente, a parte de Willow foca-se no seu passado, permitindo ao leitor conhecer as provações a que esta foi submetida em criança/adolescência. E devo acrescentar que a maioria das passagens narradas pela jovem são altamente desconfortáveis. 

Com as narrativas do casal, nota-se uma certa discordância entre Chris e Heidi, explorando também a ideia de um casamento monótono e perto da ruptura, agravado pela desconfiança da mulher. A situação agrava-se quando esta, que é assistente social sendo bastante humanitária, leva Willow e a bebé para sua casa, à revelia de Chris e da filha, Zoe.

Creio que Willow e Heidi disputam o título da personagem mais marcante. Em primeira análise,  sensibilizou-me que Heidi seja tão altruísta a ponto de não ficar indiferente a Willow e à bebé. No entanto, o que mais me impressionou foi a mudança desta personagem ao longo da narrativa, levando-me a crer que a fronteira entre os antagonistas e aliados é muito difusa no presente livro.

Creio que o mistério não assenta apenas na insegurança que se instala devido a Willow estar na casa da família Wood. Despertou-me bastante interesse o passado da jovem (que é dado a conhecer gradualmente nas suas narrativas) bem como a bebé Ruby e a ligação entre esta e Heidi.

Entre Vidas Roubadas e Não Digas Nada, a minha preferência recai sobre a obra de estreia de Kubica. Na minha opinião, Vidas Roubadas tornou-se previsível a certo ponto e a conclusão não foi tão chocante quanto a do livro antecessor. Ainda assim, a presente obra é um thriller psicológico bastante bom; mexeu comigo especialmente nas passagens de Willow. Além disso, proporcionou-me uma leitura ávida: cerca de metade do livro foi lido ontem à noite, com grande entusiasmo até à última página.

Pelas razões anteriormente mencionadas, faço votos que Mary Kubica continue a dar cartas na literatura!


Renée Knight - Pura Coincidência [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Pura Coincidência é um thriller psicológico bastante intrigante na medida em que a protagonista, Catherine, recebe em casa um livro cujo enredo é bastante similar a um episódio secreto que ocorreu consigo há vinte anos.
O mistério adensa-se em torno desta ocorrência. O que poderá ter acontecido a Catherine de tão grave que ela tenha omitido ao próprio marido e filho? Por este motivo, creio que a trama é deveras envolvente. Este segredo manteve-me na expectativa durante as primeiras páginas e assim que é revelado, a trama tornou-se ainda mais tensa e cativante, na minha opinião. 

Está em voga a estrutura da narrativa que alterna entre dois narradores. Creio que funciona muito bem nos thrillers, permitindo conhecer ambos os lados da mesma história. Inicialmente senti-me algo confusa com o facto dos narradores serem a Catherine e um septuagenário de seu nome Stephen. Em primeira análise, achei que havia um fosso entre as idades dos narradores, até porque os mesmos não se conheciam e que estes não poderiam ter nada a ver um com o outro. No entanto, apercebi-me logo que havia uma ligação entre ambos.

É uma trama que é desprovida de violência física, um factor que aprecio nas minhas leituras correntes mas o livro impressionou-me pelo mecanismos psicológicos que vão sendo esmiuçados ao longo da história. E sobretudo pelo segredo de Catherine, que inicialmente me parecia tão linear, acabou por me apanhar de surpresa, já no clímax, e deixar-me abalada com aquela revelação.

Esta trama é construída em torno de poucas personagens, mais concretamente os núcleos familiares de Catherine e de Stephen, pelo que estas foram caracterizadas com alguma profundidade e, embora não me tenha identificado com nenhuma, de forma realista.

Em suma, personagens bastante complexas, um segredo chocante e acima de tudo, uma história alicerçada num livro tornaram esta leitura como uma das melhores do mês de Outubro! Gostei imenso!




Raphael Montes - O Vilarejo [Opinião]


Sinopse: Ilustrações coloridas dão vida a romance com elementos de horror gótico e suspense.
Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.
As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

Opinião: Li este livro durante a manhã de domingo, no rescaldo do Haloween, uma época convidativa a ler o género de terror. Já conhecia o autor Raphael Montes pois li Dias Perfeitos e estava extremamente curiosa com O Vilarejo, livro que tem sido bastante falado na blogosfera brasileira.

O Vilarejo é uma antologia de sete contos que se lêem num ápice. Gostei da relação de cada demónio com um pecado capital, originando as sete histórias que Montes nos apresenta. Segundo percebi, estes contos foram traduzidos a partir de uma versão em cimério, sendo histórias já antigas. 
A magia do livro, a par dos contos (e já vou falar sobre estes) está, na minha opinião, nas gravuras que ilustram os mesmos. Li O Vilarejo em ebook e estas ilustrações são a preto e branco, fazendo-me crer que, coloridas as imagens terão ainda maior impacto.
À medida que fui folheando o livro, fui-me deparando com imagens de salpicos de sangue (que condiz muito bem com o layout do blogue).
Portanto, este é um livro que gostaria de ter em suporte papel na minha estante e folheá-lo sempre que me apetecesse.

Sobre as histórias, são short stories, desprovidas de informação supérflua. A acção é intensa e macabra nos sete contos, explorando de forma exímia, a maldade dos habitantes do vilarejo que se deparam com o frio e a fome.
Sendo todos bastante gráficos, confesso que não consigo eleger um conto preferido.
As histórias têm ligação entre si e os protagonistas são os habitantes do vilarejo que podem aparecer em mais do que um conto. Estes poder-se-ão ler de forma alternada, eu li-os consoante surgem no livro e acho que a ordem é ideal. Até porque o primeiro e o último contos relacionam-se de uma forma perfeita e as histórias intermédias permitem-nos conhecer personagens citadas logo na primeira short story.

Ainda estou a pensar naquelas histórias mas sei que O Vilarejo é daqueles livros que irei reler mais tarde, sem sombra de dúvidas! Gostei imenso! 

sábado, 31 de outubro de 2015

A Estante está mais cheia [Outubro 2015]


Mais um mês que termina e uns livrinhos que entraram na minha estante. Não me perdi muito, comprei dois livros: o (esgotadíssimo) livro de Stephen King, A História de Lisey que encontrei no OLX por um preço irrisório e, porque suspeito que irei gostar dos policiais da Nora Roberts, Oferenda Mortal que me custou 5€ na feira de alfarrabistas do Chiado.

Mama Lou de Charlotte Carter foi oferta do Ricardo (é de uma colecção chamada Damas do Crime, aos poucos quero reuni-los todos). Gostaria de endereçar os meus agradecimentos às editoras parceiras: à Individual pelo vol.2 da Escola do Bem e do Mal; à Saída de Emergência pelo Fangirl, à Penguin Randon House pelo Quando as Pombas Desaparecem e finalmente à TopsSeller pelos livros As Gémeas do Gelo, Vidas Roubadas e Alex Cross Fogo Cruzado.

E vocês perderam-se muito em compras livrólicas?

Happy Halloween :)

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Teri Terry - Slated [Opinião]


Sinopse: Kyla Davis está prestes a entrar numa nova vida. As suas memórias foram apagadas e, com elas, todo o conhecimento que tinha antes de ter sido Reiniciada. Como pena para um crime que, como tudo o resto, desconhece, tudo o que a identificava foi removido. Agora, Kyla tem à sua espera uma nova família e um novo início de vida, e a responsabilidade de cumprir tudo aquilo que esperam dela – caso contrário, as consequências poderão ser pouco agradáveis.Mas, mesmo enquanto se tenta adaptar à comunidade, Kyla começa a questionar. Há pessoas a desaparecer à sua volta e uma vigilância opressiva em que todos parecem estar apenas à espera que ela cometa o seu primeiro erro. E, algures por dentro, há memórias que lutam para surgir. Talvez ela não seja apenas a boa menina Reiniciada que todos lhe exigem que seja. Mas quem é, então?

Opinião do Ricardo: Slated é mais um romance dirigido a um público adolescente também denominado como young adult. 
Esta trama desenrola-se num ambiente futurista inserido numa narrativa de cariz distópico, embora não estejamos perante um cenário pós-apocalíptico, mas mais perante um ambiente futurista totalitário, podendo-se consubstanciar esta obra como uma realidade alternativa ao jeito da clássica tradição orwelliana. 

Neste mundo futurista as autoridades criaram um método de punição para quem seja considerado um criminoso, o Reinício. Este método consiste no internamento compulsivo do visado, sendo-lhe apagadas todas as memórias e dando-lhe uma segunda oportunidade a partir do zero, sendo-lhe incorporado um aparelho denominado Levo que vai medido os níveis de tensão e ansiedade de forma a controlar os ímpetos dos reiniciados, sendo dez o valor correspondente à felicidade suprema e um o valor mínimo correspondente a um estado de raiva e depressão, estado esse que supostamente desencadeia uma reacção por parte do próprio Levo capaz de deixar o seu utilizador inconsciente antes que o mesmo consiga partir para situações de agressão.

Travamos então conhecimento com Kyla, uma adolescente de dezasseis anos que foi reiniciada. Contudo, Kyla apercebe-se que os pesadelos não são apenas responsáveis pelos seus níveis de ansiedade que fazem disparar o seu Levo, mas são também reminiscências do seu passado do qual não era suposto ela lembrar-se. Kyla irá descobrir também que ela e o seu Levo têm uma estranha relação com situações de raiva e agressão.

Ao sair do hospital onde têm lugar os reinícios, Kyla é entregue a uma família de adopção, que anteriormente adoptara uma outra reiniciada, Amy, que será agora a irmã da protagonista. Ao entrar na sua nova família Kyla goza de alguma protecção do pai face à mãe que se apresenta como alguém bastante severo e distante. Contudo, à medida que a história se vai desenrolando e Kyla vai colocando as suas interrogações observamos uma mudança na atitude de alguns dos personagens.

Paralelamente Kyla vai travando amizade com alguns adolescentes, apercebendo-se de uma divisão profunda social entre reiniciados e não reiniciados, bem como na presença constante e incómoda dos “lordens” que lhe são apresentados como zeladores pela paz social.

Creio que, na presente crítica, será necessário destrinçar os elementos que constituem uma novidade dentro do género, como a temática em torno do reinício, bem como a ideia de controlo emocional através do dispositivo tecnológico Levo, o que se distancia um pouco das distopias mais clássicas que pretendem o mero controlo da informação dirigida às massas para, desse modo, formatar a opinião das mesmas.

Não obstante estes factores foram vários os momentos ao longo da leitura em que senti que estava a ler uma espécie de adaptação para adolescentes do célebre Mil Novecentos e Oitenta e Quatro de George Orwell, porque desde a entrada em cena dos “lordens” até ao controlo parental e social, tudo parece apontar descaradamente para reminiscências do Big Brother orwelliano. Porém, ao invés de um funcionário ministrial, temos como protagonista uma jovem com dotes de artista e com algumas capacidades atléticas acima da média para alguém da sua idade, o que sugere quase imediatamente que temos perante nós um elemento de predestinação intrinsecamente conectado à protagonista, facto que é repetidamente assinalado ao longo da obra através da frase “A Kyla é diferente”. De resto, este elemento de predestinação associado a uma protagonista do sexo feminino é algo que também já se começa a tornar habitual nas narrativas distópicas mais recentes dirigidas ao mesmo tipo de público adolescente ou young adult, recorde-se apenas os exemplos mais conhecidos como as sagas Jogos de Fome ou Divergente.

O final da obra deixa apenas em aberto duas questões (embora uma dessas questões se apresente como mais fulcral do que a outra) para os volumes seguintes da triologia, Fractured e Shattered, mas, o facto de findar sob a forma de anti-climax, fez com que sentisse curiosidade em ler os volumes seguintes.