domingo, 30 de dezembro de 2012

Simon Tolkien - O Rei dos Diamantes [Opinião]


Simon Tolkien é neto do tão conhecido J.R.R. Tolkien, e os laços mostram que o talento para a escrita se mantém mesmo após duas gerações. Foi a minha estreia na família Tolkien (para ser sincera, o Tolkien avô não apela tanto à minha curiosidade por escrever dentro da categoria do Fantástico).

A história começa em 1958 em Londres, onde David Swain está a ser julgado pelo assassinato de Ethan Mendel, o amante de sua namorada, Katya Osman. O detective William Trave testemunha e Swain é condenado e sentenciado à prisão perpétua. Na noite em que David escapa da prisão, Katya é assassinada, sugerindo uma ligação directa entre os dois acontecimentos. Terá sido mera coincidência ou David terá evadido da prisão para se vingar?

O livro tem como cenário os anos 60, década em que termina o pós-guerra em Inglaterra, uma vez que até então ainda eram geralmente visíveis as marcas dos bombardeamentos alemães. Ora tal contexto histórico-temporal sugere sem dúvida, um ambiente noir e gótico, muito característico de uma Inglaterra remota.
Portanto, este é um livro que inevitavelmente aborda a temática do Holocausto. Não que o assunto seja exaustivamente explorado, não achei que fosse. Mas acaba por resultar, conjugado com a temática do tráfico de diamantes na Antuérpia. Estes são temas que indiscutivelmente dão azo para a formulação de um carácter maléfico de pelo menos uma personagem.

Gostei muito da história que, acima de tudo, foge ao convencional do thriller. Entrelaça a vertente policial (ainda numa linha clean) com o histórico, envolvendo-o numa base de relações pessoais. Este livro, em particular, fez-me lembrar da autora conterrânea de Simon Tolkien, P.D. James. Se o meu caro leitor é fã da autora, certamente irá apreciar O Rei dos Diamantes de Simon Tolkien.
O único ponto negativo prende-se com o facto de, por vezes, ter achado a narrativa algo morosa, trazendo pormenores que pouco contribuíram para a trama.

Dado as circunstâncias temporais da trama, esta é uma história que joga muito com a resolução do crime por lógica e raciocínio. Nos anos 60, ainda era primitiva a investigação do crime por meios forenses. Daí que o inspector Bill Trave, o primeiro responsável pelo caso, seja um homem inteligente e altamente intuitivo.
Mas para não se cingir apenas ao género policial, Simon Tolkien arremessa uma carga sentimental à trama. Além de explorar um suposto triângulo amoroso entre David, Ethan e Katya, há um claro enfoque para um outro caso: Bill Trave é o ex-marido de Vanessa Trave, mulher que agora mantém uma relação com o duvidoso Titus Osman, tio de Katya. Por isso, Bill tem a difícil tarefa acrescida de tentar que a sua intuição sobre Titus não afecte a ex-mulher.

Um livro que, pelas razoes que acima menciono, acaba por ser uma diferente e interessante leitura. Gostei e espero ler mais do autor. Felicito a editora pela publicação deste romance e incentivo a continuação da publicação de mais casos do inspector William Trave.


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