quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

C.L. Taylor - Desaparecido: No Rasto de Billy [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Gostei muito do anterior livro desta autora, Em Fuga, igualmente publicado pela Topseller, motivo pelo qual ansiava ler Desaparecido: No Rasto de Billy.

Estamos perante uma temática diferente da narrativa antecessora, uma vez que a premissa deste assenta no desaparecimento de um jovem de 15 anos. Confesso que não consigo escolher qual das obras mais me agradou. A razão pela qual gostei tanto da presente trama deve-se, em grande parte, à formulação da família Wilkinson. À medida que a história se desenrolava, percebia que aquela família, aparentemente tão perfeita, teria alguns segredos sombrios que poderiam abalar os alicerces daquele agregado.  

O único aspecto que considerei menos positivo prende-se com uma característica relativa à mãe, dado que esta, por vezes, padecia de certos lapsos de memória que a faziam apagar e acordar em locais desconhecidos. Foi inevitável pensar em Rachel, a protagonista de A Rapariga no Comboio, não obstante, no presente caso, o aludido padecimento não estivesse associado a um problema de alcoolismo. 
Achei pertinente a tradução da nota da autora onde é revelado que estes episódios de amnésia dissociativa devem-se a uma questão neurológica e Taylor abordou-os por ser fascinada pela área da Psicologia. Confesso ter ficado mais convencida após ter lido as considerações finais da autora.

A história é narrada por Claire, a mãe de Billy, com excepção de um capítulo na recta final da trama. Desta forma, é mostrada uma perspectiva muito real do desespero e da dor que advêm do desaparecimento de um filho. A narrativa é intercalada por conversas no Snapchat que começam por ser inocentes, mas que progridem no sentido de se tornarem mais constrangedoras. Aliás, o culminar dessa conversa é a primeira página do livro acabando por funcionar como um elemento que alicia a leitura. Depreende-se que um dos intervenientes é Billy. A identidade do segundo manter-se-á como mais uma peça do quebra cabeças que será revelado apenas no final.

É interessante constatar como este desaparecimento vai despoletar diferentes reacções nos elementos da família. Tendo em conta que a trama se desenvolve em torno da descoberta de segredos no seio familiar do adolescente, considerei a atmosfera da trama tensa, uma percepção que senti logo nas páginas iniciais. 

É difícil de prever as razões pelas quais o jovem desapareceu e a revelação final, para mim, foi surpreendente. Igualmente intrincado foi definir quem seria o vilão nesta história onde, aparentemente, todos são vítimas por verem um elemento da família desaparecido. 

Em suma, confesso que fiquei imediatamente intrigada com esta história. Li-a em apenas dois dias, num misto de emoções que oscilava entre a incredulidade e a dúvida. Não consegui ler nas entrelinhas se Billy teria desaparecido por vontade própria ou forçado. Ou a pior hipótese, se teria sido morto.
Por outro lado, a componente thriller entrelaça-se com um brilhante ensaio sobre a exasperação de uma mãe na incerteza do paradeiro de um filho. 
Recomendo, sem reservas! 


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