terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sandra Brown - Obsessão [Opinião]


Já não é a primeira vez que vos falo, nestas rubricas policiais, da autora Sandra Brown. Ela é, como eu carinhosa e intimamente a apelido, a rainha do romance sensual numa mistura explosiva com o suspense e o policial. E por mais livros que leia da autora, penso que a minha opinião será imutável. Depois de ler Calafrio, Uma Voz na Noite e Ricochete (deixando Vidas Trocadas numa lista de espera que terá em breve o seu término), fiquei rendida com este Obsessão.

Pois ora vejamos. Em Obsessão, a protagonista é Cat Delaney, uma rapariga que necessitou de um transplante de coração devido à insuficiência cardíaca gerada através de uma doença que terá tido em tenra idade. Um coração compatível é quase um milagre e Cat sobrevive e dá uma reviravolta de 180 graus na sua vida. Era uma actriz, mas passa ao voluntariado de crianças necessitadas através de um programa televisivo. Mas eis que passam quatro anos e Cat começa a receber ameaças... e tem conhecimento que antes dela, já algumas pessoas que terão sido submetidas a um transplante, terão morrido... no aniversário da operação.

Um livro que tem o seu quê de curioso, quando interrompe a espera de Cat Delaney pelo coração, para relatar algumas pequenas histórias que convergem entre si num ponto: a ocorrência de uma morte inesperada. Claro que, uma destas histórias, directamente se relaciona com Cat Delaney. Mas estas histórias são algo difusas, uma vez que são relatadas sem ser mencionado qualquer nome. Ou seja, o leitor fica sem saber que personagem terá tido tal fatídico destino. E assim são gerados alguns elementos que ficam por explicar, mas que terão a sua defronta numa fase mais avançada da trama.

Como disse anteriormente, Sandra Brown tem uma fórmula que resulta. O encaixe perfeito das cenas eróticas (que deixam qualquer leitor coradíssimo) na trama de suspense. E dentro desta, há um perfil que vem sido repetido mas que não cansa! E falo portanto do protagonista masculino. Sem grande margem de manobra, o homem é tudo menos um príncipe encantado. E sim, falo de Alex Pierce, que é praticamente um cliché de uma ou outra personagem masculina das novelas de Sandra Brown. Deve ser giro, bem hot, um excelente amante...! Mas no seu interior, é duro, não quer revelar sentimentos e tem um segredo a esconder... segredo este que iremos descobrir já praticamente na recta final da trama. Até lá é penar! E enquanto isso, sem darmos grande conta, devorámos um livro de quase quinhentas páginas em pouquíssimos dias!

Mas Cat também tem um segredo, que vai além do mero transplante. Mas tem uma doce maneira de ser, que encanta grande parte dos que a rodeiam. A sua relação com as crianças, achei fantástica e comoveu-me a sua história de vida.
E eis que naturalmente surge um outro cliché nos enredos da autora: a forma como a personagem feminina sucumbe aos encantos do protagonista. Mas que tem a sua piada, lá isso tem! Normalmente as personagens femininas são muito fortes, e dotadas de um trauma, evitam a todo custo, apaixonar-se pelos moços...

Com isto, e na minha honesta opinião, este livro está entre os melhores. Mesmo encontrando alguns pontos similares com os livros anteriores, é diferente mas igualmente bem arquitectado. O tema do transplante de órgãos é uma temática mais sensível, fazendo com que reflictamos sobre a doença, sua imprevisibilidade e os meios eticamente correctos para a ultrapassar. Afinal num transplante, em detrimento de uma morte, há uma vida...
Deixou-me curiosa e acima de tudo, ávida por desvendar o assassino. Porém, perto do final, este torna-se relativamente óbvio. E aí encaixamos as peças que decorrem das primeiros capítulos... Deixou-me emocionada em diversas passagens que se prendiam com a negligência infantil e tal é o realismo da escrita da autora, verdadeiramente agoniada com a violência doméstica que esta relata. Fiquei, de igual forma, completamente desprevenida com o relacionar das várias pistas que foram deixadas pendentes e com o decorrer do livro, elas se coadunaram perfeitamente no enredo.
Ainda não tendo lido todos, sem sombra de dúvida, este consagra-se já como um dos preferidos da autora!
Um livro que não posso deixar de recomendar aos fãs do policial, Ainda que numa linha mais light e romanceada, um livro que tem uma dose tremenda de thriller e emoções fortes!

Aquisições de Fevereiro

Passatempo Editorial Presença: Patricia Cornwell - Scarpetta

Desta vez, e em parceria com a Editorial Presença, a menina dos policiais tem para sortear, um exemplar do livro Scarpetta de Patricia Cornwell. Para participar no passatempo, tem apenas de responder acertadamente a todas as questões seguintes.

Regras do Passatempo:
- O passatempo começa hoje dia 14 de Fevereiro de 2012 e termina às 23h59 do dia 23 de Fevereiro de 2012.

- O participante vencedor será escolhido aleatoriamente.

- O vencedor será contactado via e-mail.

- Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.

- Se precisarem de ajuda, podem consultar aqui:

Só me resta desejar boa sorte aos participantes!!! :)


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Rosamund Lupton - Irmã [Opinião]

Irmã é o livro de estreia da autora britânica Rosamund Lupton, que vem desta forma, mostrar-se como promissora no thriller.
Beatrice era anfitriã num almoço de domingo quando tem conhecimento que a sua irmã mais nova, Tess, desapareceu. Movida pelos fortes laços que a unia a Tess, Beatrice vai enveredar pela investigação do seu paradeiro, viagem esta que trará grandes reviravoltas. Mas o que é à partida um ténue infortúnio de Tess, o seu desaparecimento irá desencadear uma descoberta de intrigas e vivências de Tess que Beatrice estava longe de imaginar, fazendo crer que esta distância ao mesmo tempo geograficamente física, pode também sugerir algum distanciamento entre as duas personagens.

Em primeiro lugar gostaria de fazer um reparo à capa. Na minha opinião é lindíssima, e é um elemento forte na escolha deste livro. Depois a frase que acompanha o título é soberba, cativando e apelando à nossa curiosidade. São elementos que de facto, favorecem a escolha deste livro!

Posto isto, vou tecer algumas considerações sobre o livro. Antes de mais, a sua estrutura.
A autora escreve na primeira pessoa, sob o testemunho de Beatrice nos depoimentos à policia. Esta narrativa, por si já envolvente, como de um desabafo para os leitores se tratasse, entrelaça analepses de situações com a irmã bem como algumas personagens com um papel fulcral da narrativa. Portanto, memórias de infância (provavelmente o leitor irá identificar-se com algumas delas), boas ou más, são aqui narradas, julgo para evidenciar ainda mais os laços das irmãs. Mas Lupton quer garantir que o livro é qualquer coisa menos monótona, e daí que relata também, as listagens de emails entre irmãs, garantindo a forte ligação entre Beatrice e Tess.

Falando sobre as personagens do livro, estas são num número muito reduzido. As duas irmãs têm características bastante diferentes. Beatrice deixou Inglaterra para trás das costas, optando por trabalhar em Nova Iorque, numa função mais pacata e maçadora. Vive com o noivo Todd numa relação monótona mas que lhe confere toda a segurança que ela necessita. Por outro lado, Tess estuda Artes, tem muitos amigos, tem uma vida mais emocionante do que a irmã. Esta confronto de personalidades tão diferentes, dá mesmo que pensar que os opostos se atraem e em nada perturbou os laços que uniam as duas irmãs.
Mas se há personagem que nos é especial, é sem dúvida Beatrice. Em tantos passagens me sentia angustiada tal era o relato apelativo da irmã mais velha. Mas sem dúvida, que esta personagem tem uma evolução significativa ao longo do livro. De inicio vivia a sua existência, num sentido quase como "sensaborão", e quando o livro termina, eis que Bee, considera a vida quase como uma dádiva.
Em termos globais, a trama reúne poucas personagens mas dotadas de uma grande complexidade, mistério e sentimentos, que são transmitidos para o leitor de uma forma muito natural.

Um aspecto deveras curioso é a inclusão de uma entrevista, permitindo o leitor conhecer um pouco mais sobre a autora, e de certa forma, desmistificar alguns pontos sobre este livro de estreia. A Civilização Editora abrange um pequeno excerto da obra seguinte, Afterwards, fazendo com que o leitor se sinta curioso e ansioso para ler o próximo livro da autora. Pois bem, eu estou em pulgas!!

Um livro que vai além do thriller convencional. A uma componente terrorífica alia-se uma faceta pessoal mais íntima que se prende essencialmente com a forma com que nos relacionamos com a família. Aborda os verdadeiros tipos de amor bem como os sacrifícios feitos para os manter. Uma alusão extensa à morte, bem como auto punições, arrependimentos e uma panóplia de sentimentos associados são brilhantemente descritos num enredo que cativa todo o leitor, mesmo aquele que não saiba qual é a sensação fantástica de ter um(a) irmã(o). Mas não é só sobre relações fraternais com que a autora se debruça. Há associada uma componente de dor no decaimento de relações amorosas, quando não se conseguem superar os traumas existentes bem como a redenção em relacionamentos entre mãe e filha quando existe uma lacuna.
Depois a autora investe grande parte da história, associada a uma componente mais biotecnológica, através de ensaios sobre genética, que na minha opinião, extremamente bem fundamentados (a autora explica na entrevista que terá sido com o auxílio do marido), e ajuda a descortinar alguns aspectos sobre a doença da Fibrose Quística.
Uma trama simplesmente emocionante que recomendo vivamente! Um livro cuja história ficará gravada na sua mente!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Novidade Editorial Presença: Patricia Cornwell - Scarpetta

O 113º volume da espectacular colecção de policiais e thrillers da Editorial Presença contempla uma autora por nós já conhecida: Patricia Cornwell, que curiosamente inaugurou esta supra referida colecção, com o livro Post-Mortem.

Sinopse: Quando a Polícia de Nova Iorque lhe pede para examinar um indivíduo ferido que se encontra na ala de detenção psiquiátrica do Hospital de Bellevue, Kay Scarpetta deixa o seu trabalho forense na Carolina do Sul para desvendar este caso. O paciente, Oscar Bane, pedira especificamente que a chamassem, e conta-lhe uma das histórias mais bizarras que ela alguma vez ouviu, informando-a de que os seus ferimentos foram infligidos no decurso de um crime... que ele não cometeu.

Sobre a autora: Patricia Cornwell é autora de inúmeros bestsellers publicados pela Presença, tais como Jack, o Estripador - Retrato de um Assassino, Post-Mortem - o único thriller a ganhar os prémios Edgar Creasey, Anthony e Macavity, assim como o French Prix du Roman d´Aventure, num só ano -e Cruel e Invulgar, galardoado com o Gold Dagger Award para o melhor policial de 1993.
A sua protagonista, a médica forense Drª Kay Scarpetta, recebeu o prémio Sherlock de 1999 como a melhor detective criada por um autor americano. Em 2008, Patricia Cornwell tornou-se a primeira norte-americana a vencer o prestigiado Galaxy British Book Awards´Books Direct Crime Thriller of the Year pelo livro O Registo dos Mortos. Em 2011 foi agraciada com a Medal of Chevalier of the Order of Arts and Letters, um dos mais prestigiados prémios atribuídos em França, que visa dar reconhecimento a personalidades que se distinguiram no domínio das artes e da literatura.

Nas livrarias a 14 de Fevereiro.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Divulgação Quetzal: Claudia Piñeiro - Tua


Aclamado pela crítica como:
"Um thriller magnificamente construído, repleto de surpreendentes reviravoltas e um desenlace perfeito" Elsa Drucaroff

"Uma história poderosa e negra, um thriller tragicómico que te congela o sorriso" Rosa Montero

Sinopse: Um coração desenhado com baton, atravessado por um "Gosto de ti" e assinado por alguém se se autodenomina "Tua" revela a Inés que o marido anda a enganá-la O que se segue não é apenas um thriller vertiginoso e cativante, mas também um retrato implacável da vida familiar da classe média. Claudia Piñeiro capta com genialidade os tons das vozes não apenas da sociedade argentina, mas as das sociedades ocidentais. Neste caso, a de uma dona de casa disposta a tudo para conservar o casamento e as aparências.

Nas livrarias a 17 de Fevereiro.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ken Follett - O Homem de Sampetersburgo [Opinião]

Ken Follett é um nome já citado na menina dos policiais, e depois de ter lido A Ameaça e O Terceiro Gémeo, optei por continuar a ler obras deste autor, tendo escolhido O Homem de Sampetersburgo, de que vos falarei agora.

Num registo diferente dos dois livros que anteriormente mencionei, O Homem de Sampetersburgo diverge do thriller convencional, contemplando o género histórico, com um pouco de romance. Daí que muito dificilmente escolheria esta leitura sem ter lido previamente, os vários feedbacks respeitantes a esta obra de Follett. O facto é que o autor britânico, volta a demonstrar a sua mestria em contar uma história, de uma forma empolgante, abordando uma série de temáticas de forma harmoniosa e inserindo-o num contexto temporal da Primeira Guerra Mundial.

Como referi anteriormente, este livro vai além da componente thriller, retratada essencialmente pela personagem de Feliks, que parte da Russia para a Inglaterra de 1917 com o intuito de matar o príncipe Aleks Orlov. Feliks é na verdade um anarquista e terá que assassinar o representante do Czar que está em terras de sua majestade para um acordo entre os dois países.
E assim facilmente se deduz a parte referente ao romance histórico, em que o autor confronta o leitor com o modo de vida das classes altas, expondo uma vida de luxos, vestidos de sonho, bailados mas que, há uma tremenda ignorância por parte das jovens da corte no que concerne a temas como sexo.
A componente sociológica da época é um relato completíssimo que integram naturalmente, a actividade dos anarquistas, bem como as sufragistas e a sua luta, tornando-se quase como um aspecto mais do foro didáctico, o qual gostei muito de ler. O epílogo retrata bem o contexto histórico, inserindo alguns factos sobre a primeira guerra, entrelaçando com os finais das demais personagens.
No fim há, como não podia deixar de ser, uma belíssima história de amor, que nem dezassete anos conseguiram apagar. E mais não digo, apesar de ser praticamente previsível, as duas personagens que irão sofrer os encontros e desencontros da vida.

E são estas, uma vez mais, o ponto fulcral da história. Como já vem sendo um hábito, as novelas de Follett estão repletas de personagens riquíssimas, e O Homem de Sampetersburgo não é excepção. Para começar, personagens com um forte papel na História são abordadas, como Winston Churchill, o que confere uma sensação de "Isto bem que podia ter acontecido!"
Mas sem dúvida, que a personagem mais relevante é Feliks Kschessinsky, o Homem que vem de Sampetersburgo com um objectivo: matar Aleks Orlov. Este é um primo afastado da também russa, Lydia casada agora com Stephen Walden, um homem poderoso de Inglaterra. Através deste casal, o leitor conhece a vida conjugal dos anos 10, bastante diferente da actualidade, pois claro! A filha, Charlotte, é mantida na ignorância sobre alguns aspectos. Curiosa, irá deslindar por ela própria, factos não só sobre o assunto proibido, sexo, como também alguns aspectos sobre a sociedade nos baixos estratos sociais.
Assim Follett desenvolve um perfil psicológico das personagens com profundidade. Por um lado assistimos ao passado negro de Feliks, aparentemente desprovido de qualquer emoções ou sentimentos. Mas com o decorrer da história, o próprio sentimento do leitor relativamente a Feliks vai mudando, ao constatar a evolução da personagem. De desprezável, e ainda com o cruel objectivo que tenta levar a cabo, a pouco e pouco senti uma ínfima empatia e, muito naturalmente, esta cresceu, a ponto de torcer por esta personagem.

Como ponto negativo apresento um único, a revisão do texto, que às tantas deixa escapar um "Feliks tomou o ónibus". Datando de 2009, ainda não se encontrava na altura, a contextualização do acordo ortográfico, pelo que expressões mais comuns no Brasil e a falta de letras (ou um acrescento das mesmas) serão certamente fruto de uma revisão de texto pouco minuciosa.

O Homem de Sampetersburgo é de facto, um relato impressionante sobre um conspirador estrangeiro em terras de sua majestade que me cativou profundamente. Envolvi-me tanto na história que rapidamente equacionei o desfecho que para mim, seria perfeito! Claro está, o verdadeiro final do livro vai ao encontro de um thriller e não propriamente de um romance cor de rosa. Mesmo o leitor menos entusiasta de matérias como História Contemporânea irá apreciar este livro. Riquíssimo nas suas demais vertentes já aqui descritas, é certamente uma obra que o meu caro seguidor não irá perder! Um livro escrito há quase 30 anos cuja acção será sempre actual. Recomendo vivamente!

Passatempo Quinta Essência - Sandra Brown: Obsessão

Desta vez, e em parceria com a Quinta Essência, a menina dos policiais tem para sortear, um exemplar do livro Obsessão de Sandra Brown. Para participar no passatempo, tem apenas de responder acertadamente a todas as questões seguintes.

Regras do Passatempo:
- O passatempo começa hoje dia 7 de Fevereiro de 2012 e termina às 23h59 do dia 19 de Fevereiro de 2012.

- O participante vencedor será escolhido aleatoriamente.

- O vencedor será contactado via e-mail.

- Apenas poderão participar residentes em Portugal e só será permitida uma participação por residência.

- Se precisarem de ajuda, podem consultar aqui:

Só me resta desejar boa sorte aos participantes!!! :)


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Patricia Cornwell - Corpo de Delito [Opinião]

Corpo de Delito é o segundo volume de toda uma saga de sucesso no seio da literatura policial. Falo-vos dos casos de Kay Scarpetta, uma médica legista, determinada em investigar até à exaustão as circunstâncias de morte das vítimas.

Neste livro, Scarpetta investiga o homicídio de uma escritora que até então, era ameaçada. Pois eis que Beryl Madison é morta com alguma brutalidade. O caso torna-se mais sórdido quando o tutor da escritora também morre, em circunstâncias bizarras. E eis que o envolvimento de Kay Scarpetta com o caso toma tais proporções a ponto de colocarem em risco também a sua vida.

A capa do livro é fantástica, e não deixo de comentar o meu favoritismo em relação às capas dos livros da colecção Fio da Navalha mais antigos, pretas, simples, com uma figura quase como abstracta mas alusiva aos crimes. Daí que, tive a sorte de encomendar um destes livros, de edição mais antiga, e a Editorial Presença, editora que atende às sugestões e requerimentos dos demais fãs, teve o meu pedido em conta.
No entanto, penso que a capa do livro peca (pelo menos esta primeira edição), por não conter uma sinopse verdadeiramente fiel ao conteúdo do livro.

Um dos aspectos que realcei no primeiro livro que li da autora, Post Mortem, foi o facto de, o livro ser escrito no início dos anos 90, mostrando já uma maturidade (e certamente inovação) em relatar procedimentos forenses muito pormenorizadamente. Pois bem, Corpo de Delito, escrito em 1995, segue essa linha e envolve o leitor no mundo da ciência forense, ainda que, actualmente seja banalíssimo. A autora usa a Química, para desmistificar alguns aspectos que possam advir de dúvidas na detecção de provas ou como simples curiosidade, como a lição sobre os estereoisomeros nas drogas. (para uma engenheira do ambiente, e que estudou Química Orgânica, é voltar às reminiscências do polarímetro e voltar a estudar como roda a luz o dextrometano e o levometano).

Corpo de Delito é uma trama que envolve o leitor. Tem uma acção dita lenta com alguns picos de adrenalina, que deixarão o leitor colado e a pensar "E agora Scarpetta, como te vais safar daí?" Mas tal é a previsibilidade, afinal Scarpetta é a protagonista de cerca de 15 romances policiais, e como tal sabemos no nosso íntimo que ela afinal vai safar-se. Contudo há que dizer que é fantástico como a autora concebe um livro tão rico em pormenores sórdidos, outros curiosos. Apesar de toda uma exploração dos procedimentos forenses, a autora inclui elementos como o mistério e a desconfiança, recorrendo para isso à análise de perfis psicológicos do eventual assassino. Sim, relativamente a meio do enredo começa a desenhar-se a identidade do assassino mas apesar da previsibilidade deste facto, o livro é extremamente interessante. A trama é complexa mas muito cativante e atende à curiosidade do leitor para ler mais.

Mesmo sendo o segundo noto uma necessidade de ler esta saga por ordem, afim de entender e criar uma afinidade que será crescente, com a personagem principal Kay Scarpetta. Uma personagem forte e determinada, que deixa muito a desejar a comunidade policial que deveria ser a entidade de resolução dos casos. Pois Kay é perspicaz e o envolvimento com as vítimas é tal que o plano pessoal da personagem acaba por estar em risco. Aconteceu em Post Mortem, acontece aqui e quer-me crer que acontecerá nos demais livros da saga. Se há personagem com um forte enfoque nas tramas de Cornwell é Pete Marino, o tenente que compactua com Scarpetta nas demais investigações, ainda que não consegue ter o mesmo destaque que esta.
Senti a falta de uma personagem neste livro, Lucy, a sobrinha de Scarpetta, que representa um pouco do plano pessoal da médica legista. Em contraponto, é-nos apresentado Mark James, um ex-amante da personagem principal, sendo ele, o orientador de toda uma linha de acontecimentos na vida de Scarpetta, mais vocacionados no seu plano pessoal.

Um desfecho que poderia ter sido mais explorado em relação ao desfecho do assassino, mas que, confesso, deixou-me de coração apertado com a vida amorosa de Kay. Em relação a este lado tão íntimo da personagem tenho a dizer que, ficando em aberto, irei ler quanto antes, "Tudo o que Resta", o terceiro livro da saga.

Estamos portanto diante de um bom livro policial e que recomendo. Irão adorar Scarpetta, e acreditem, irão envolver-se com ela no mundo da ciência forense dos anos 90.

Passatempo Civilização Editora: Irmã - Rosamund Lupton (Resultado)

Com a preciosa colaboração da Civilização Editora, a menina dos policiais tinha um exemplar deste livro para oferecer. Desde já agradeço à editora e aos participantes que contribuíram para o sucesso deste passatempo. Com 257 participações, das quais 256 válidas, as respostas correctas eram:

1. Quem recebe um telefonema frenético durante o almoço de domingo?
Beatrice

2. Onde vive a autora Rosamund Lupton?
Londres

3. Como se chama a irmã desaparecida?
Tess

4. Que disciplina ensina a autora na Universidade de Cambridge?
Literatura Inglesa


Após um sorteio no random.org, o vencedor é:

22 - Beatriz Bernardo (Odivelas)

Parabéns à vencedora!!! A todos que tentaram mas não conseguiram, não desistam pois terei o maior prazer em fazer passatempos! Boa sorte e boas leituras para todos!