Já há muito que O Mundo Proibido de Daniel V. despertava um grande interesse em mim. A minha recente atenção pelos romances eróticos e a curiosidade em ver uma conterrânea neste tipo de literatura fizeram com que lesse este livro avidamente em dois dias.
Desde que li o prólogo, uma estranha carta que Verónica envia a uma das suas amigas, antevendo um sinuoso desfecho da relação com um psicanalista de seu nome Daniel Vasconcelos, fiquei rapidamente intrigada.
Embora o leitor seja privilegiado com esta informação, penso que o gozo em ler este livro reside no desenvolvimento dos acontecimentos, que vão muito além do sexo entre os dois protagonistas. O Mundo Proibido de Daniel V. distingue-se desta forma dos demais romances sensuais.
Embora o leitor seja privilegiado com esta informação, penso que o gozo em ler este livro reside no desenvolvimento dos acontecimentos, que vão muito além do sexo entre os dois protagonistas. O Mundo Proibido de Daniel V. distingue-se desta forma dos demais romances sensuais.
Assim, o que mais me agradou neste livro foi o facto da trama não se cingir ao
típico romance sensual. As cenas, embora explícitas são, na minha
opinião, subdesenvolvidas. Por isso, cara leitora, se espera páginas a fio com passagens sexuais, esqueça!
Há uma história por detrás de uma relação que se rege essencialmente por luxúria e a paixão, história essa que mexe muito com a psicologia e as interacções entre as pessoas, condicionando as suas formas de estar na sociedade. Aqui reside a explicação da maneira de ser de Daniel, numa base bastante sólida.
Não é de admirar que a autora tenha escolhido a profissão de psicanalista para o senhor Vasconcelos, inibindo a explicação dos mecanismos psicológicos para os seus pacientes. Ao invés, e com o decorrer do livro, a leitora irá aperceber-se que estes serão explicados na óptica do próprio dr. Daniel Vasconcelos.
Há uma história por detrás de uma relação que se rege essencialmente por luxúria e a paixão, história essa que mexe muito com a psicologia e as interacções entre as pessoas, condicionando as suas formas de estar na sociedade. Aqui reside a explicação da maneira de ser de Daniel, numa base bastante sólida.
Não é de admirar que a autora tenha escolhido a profissão de psicanalista para o senhor Vasconcelos, inibindo a explicação dos mecanismos psicológicos para os seus pacientes. Ao invés, e com o decorrer do livro, a leitora irá aperceber-se que estes serão explicados na óptica do próprio dr. Daniel Vasconcelos.
As duas personagens cabeça de cartaz são de facto bem retratadas: Verónica, uma jornalista de trinta e poucos anos, recém divorciada. Foi preciso que ela se divorciasse de Alexandre, chamado também de
Surfista Prateado para enveredar numa relação que albergasse também uma
forte componente física. A Verónica acaba por ser uma inovação no que concerne às personagens femininas neste tipo de literatura: ela não é inexperiente mas desconhece se será frígida, uma vez que nunca atingiu um orgasmo. Ela é claramente, a meu ver, um estereótipo de muitas mulheres
portuguesas, que não sabem como colocar ao parceiro a melhor forma para
dar mais prazer, preferindo fingir o orgasmo, situação esta tipicamente
envolta numa submissão: o agradar ao homem, esquecendo do seu próprio
prazer.
As próprias amigas apresentam quase uma antítese: Eveline, a jovem conservadora que mantém a família numa relação de sexo calendarizado com o marido, em oposição com Juliana, cuja sexualidade é imperceptível, apresentando uma postura quase promiscua. Ambas felizes, à sua maneira.
As próprias amigas apresentam quase uma antítese: Eveline, a jovem conservadora que mantém a família numa relação de sexo calendarizado com o marido, em oposição com Juliana, cuja sexualidade é imperceptível, apresentando uma postura quase promiscua. Ambas felizes, à sua maneira.
Daniel por sua vez, reforça o dito cliché que vemos nos vários romances sensuais: apresenta-se como um homem belo, que associado à sua beleza, há um magnetismo que irremediavelmente atrai Verónica.
Mas Daniel, psicanalista, possui ele próprio os seus segredos, que serão desvendados ritmicamente. A narrativa não é morosa e está repleta de sensualidade e acima de tudo, mistério.
Mas Daniel, psicanalista, possui ele próprio os seus segredos, que serão desvendados ritmicamente. A narrativa não é morosa e está repleta de sensualidade e acima de tudo, mistério.
O Mundo Proibido de Daniel V. é uma história sólida que vai para além de uma mera relação entre um homem e uma mulher, realçando a atracção carnal. Enfatiza, como seria de esperar, uma série de fantasias e comportamentos sexuais que se enquadram nos moldes do voyeurismo, sexo com um desconhecido ou bissexualidade mas sem cair no ordinário. Mas é também um abre olhos para casamentos isentos de inovações sexuais e o desfecho que pode advir destas uniões, sendo quase uma crítica à mulher conservadora.
Mas esta é também uma trama que assenta no efeito mediático da comunicação social e no tabú que ainda representa o aprofundamento de certas temáticas para as mentes mais conservadoras.
Este foi um livro que consegue passar para a leitora, um leque de sensações, muito devido ao realismo concedido às personagens.
Embora consciente do desfecho, percepção esta devido ao prólogo inicial, confesso que o desenvolvimento da trama me surpreendeu. Desconhecendo eu se haverá um próximo volume (até porque este termina um pouco em aberto), é expectável que felicite a autora que se mantém no anonimato, usando como pseudónimo Maria Luísa Castro, e a incentive à publicação de mais uma obra.
Este foi um livro que consegue passar para a leitora, um leque de sensações, muito devido ao realismo concedido às personagens.
Embora consciente do desfecho, percepção esta devido ao prólogo inicial, confesso que o desenvolvimento da trama me surpreendeu. Desconhecendo eu se haverá um próximo volume (até porque este termina um pouco em aberto), é expectável que felicite a autora que se mantém no anonimato, usando como pseudónimo Maria Luísa Castro, e a incentive à publicação de mais uma obra.
Este é sem dúvida, um romance erótico actual e diferente, muito diferente. Ainda li poucos livros do género, mas caracterizo este como inovador. Gostei!










