segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Maria Luísa Castro - O Mundo Proibido de Daniel V. [Opinião]


Já há muito que O Mundo Proibido de Daniel V. despertava um grande interesse em mim. A minha recente atenção pelos romances eróticos e a curiosidade em ver uma conterrânea neste tipo de literatura fizeram com que lesse este livro avidamente em dois dias.

Desde que li o prólogo, uma estranha carta que Verónica envia a uma das suas amigas, antevendo um sinuoso desfecho da relação com um psicanalista de seu nome Daniel Vasconcelos, fiquei rapidamente intrigada.
Embora o leitor seja privilegiado com esta informação, penso que o gozo em ler este livro reside no desenvolvimento dos acontecimentos, que vão muito além do sexo entre os dois protagonistas. O Mundo Proibido de Daniel V. distingue-se desta forma dos demais romances sensuais.
Assim, o que mais me agradou neste livro foi o facto da trama não se cingir ao típico romance sensual. As cenas, embora explícitas são, na minha opinião, subdesenvolvidas. Por isso, cara leitora, se espera páginas a fio com passagens sexuais, esqueça!

Há uma história por detrás de uma relação que se rege essencialmente por luxúria e a paixão, história essa que mexe muito com a psicologia e as interacções entre as pessoas, condicionando as suas formas de estar na sociedade. Aqui reside a explicação da maneira de ser de Daniel, numa base bastante sólida.
Não é de admirar que a autora tenha escolhido a profissão de psicanalista para o senhor Vasconcelos, inibindo a explicação dos mecanismos psicológicos para os seus pacientes. Ao invés, e com o decorrer do livro, a leitora irá aperceber-se que estes serão explicados na óptica do próprio dr. Daniel Vasconcelos.

As duas personagens cabeça de cartaz são de facto bem retratadas: Verónica, uma jornalista de trinta e poucos anos, recém divorciada. Foi preciso que ela se divorciasse de Alexandre, chamado também de Surfista Prateado para enveredar numa relação que albergasse também uma forte componente física. A Verónica acaba por ser uma inovação no que concerne às personagens femininas neste tipo de literatura: ela não é inexperiente mas desconhece se será frígida, uma vez que nunca atingiu um orgasmo. Ela é claramente, a meu ver, um estereótipo de muitas mulheres portuguesas, que não sabem como colocar ao parceiro a melhor forma para dar mais prazer, preferindo fingir o orgasmo, situação esta tipicamente envolta numa submissão: o agradar ao homem, esquecendo do seu próprio prazer.

As próprias amigas apresentam quase uma antítese: Eveline, a jovem conservadora que mantém a família numa relação de sexo calendarizado com o marido, em oposição com Juliana, cuja sexualidade é imperceptível, apresentando uma postura quase promiscua. Ambas felizes, à sua maneira.
Daniel por sua vez, reforça o dito cliché que vemos nos vários romances sensuais: apresenta-se como um homem belo, que associado à sua beleza, há um magnetismo que irremediavelmente atrai Verónica.
Mas Daniel, psicanalista, possui ele próprio os seus segredos, que serão desvendados ritmicamente. A narrativa não é morosa e está repleta de sensualidade e acima de tudo, mistério.

O Mundo Proibido de Daniel V. é uma história sólida que vai para além de uma mera relação entre um homem e uma mulher, realçando a atracção carnal. Enfatiza, como seria de esperar, uma série de fantasias e comportamentos sexuais que se enquadram nos moldes do voyeurismo, sexo com um desconhecido ou bissexualidade mas sem cair no ordinário. Mas é também um abre olhos para casamentos isentos de inovações sexuais e o desfecho que pode advir destas uniões, sendo quase uma crítica à mulher conservadora.
Mas esta é também uma trama que assenta no efeito mediático da comunicação social e no tabú que ainda representa o aprofundamento de certas temáticas para as mentes mais conservadoras.
Este foi um livro que consegue passar para a leitora, um leque de sensações, muito devido ao realismo concedido às personagens.

Embora consciente do desfecho, percepção esta devido ao prólogo inicial, confesso que o desenvolvimento da trama me surpreendeu. Desconhecendo eu se haverá um próximo volume (até porque este termina um pouco em aberto), é expectável que felicite a autora que se mantém no anonimato, usando como pseudónimo Maria Luísa Castro, e a incentive à publicação de mais uma obra.

Este é sem dúvida, um romance erótico actual e diferente, muito diferente. Ainda li poucos livros do género, mas caracterizo este como inovador. Gostei!


Passatempo Olivia Darko - O Filho de Ninguém [Resultado]

Com a preciosa colaboração da autora, Débora Afonso, a menina dos policiais tinha 10 exemplares deste livro, O Filho de Ninguém, para oferecer. Desde já agradeço à autora e aos participantes que contribuíram para o sucesso deste passatempo, com 193 participações válidas.

As respostas correctas eram:
1. Quantos anos viveu Justino isolado do mundo? 26
2. Quem é a sua companhia? mãe
3. Quem provoca um turbilhão de emoções contraditórias? Sofia
4. Onde nasceu a autora, Débora Afonso? Funchal
5. A autora licenciou-se na área das letras. Falso

E após um sorteio no random.org, os vencedores são:

80- Susana Ferreira (Vizela)
25 - Sónia Silva (Ribeira Brava)
113 - António Dias (Lisboa)
188 - Nuno Chaves (Barreiro)
36 - Filipa Monteiro (Caparica)
135 - Marco Ribeiro (Santa Maria da Feira)
67 - Inês Menezes (Cascais)
4 - Maria Manuel Magalhães (Oliveira de Azeméis)
106 - Isabel Costa (Lisboa)
54 - Ana Figueiredo (Beja)

Parabéns aos vencedores!!! A todos os que tentaram mas não conseguiram, não desistam pois terei o maior prazer em fazer estes passatempos! Boa sorte e boas leituras para todos!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Desafio Literário 2013

Feliz 2013 a todos!

Normalmente proponho-me a desafios que se relacionam com o número de livros lido, formalizados através do Goodreads. Tendo lindo 95 livros em 2012, quis ser mais audaz e são 100 os livros a que me proponho ler em 2013, no desafio Goodreads.
Mas este ano quis fazer algo diferente e mostro a versão final do desafio tipo temático. Aqui está ele, por favor sintam-se livres de o seguir, se assim o desejarem. Proponho-me este ano a ler um livro com a seguinte temática/característica:

Janeiro: Livro com adaptação em série televisiva
Fevereiro: Título que inclua um algarismo
Março: Livro com adaptação em cinema
Abril: Livro de autor português
Maio: Livro com capa preta
Junho: Livro escrito por um pseudónimo de um autor
Julho: Título com um nome próprio de uma personagem
Agosto: Título que inclua o nome de uma cidade
Setembro: Título com apenas uma palavra
Outubro: Livro com menos de 200 páginas
Novembro: Clássico Policial
Dezembro: Livro escrito por um autor que use abreviatura no nome

Vou dar início ao desafio com o Sangue Fresco, uma saga de livros com adaptação pela HBO e por acaso, uma das minhas séries televisivas preferidas!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Adam Blake - O Enigma do Mar Morto [Opinião]

Com este livro me estreio nas obras do autor Adam Blake. Com notórias semelhanças a Código da Vinci, este é um thriller baseado na busca por um manuscrito, com revelações incrédulas sobre Jesus Cristo. Um livro que suscitou o meu interesse desde o dia em que li a sua sinopse.

O ex mercenário Leo Tillman e a polícia Heather Kennedy investigam uma série de mortes desconcertantes, aparentemente sem qualquer ligação. Mas as pistas convergem para o Mar Morto e a existência de um manuscrito que contém o segredo de como Jesus Cristo realmente morreu. Tudo indica que as mortes e o manuscrito estão de certa forma, interligados. Não se sabe é como...

Como já referi anteriormente, esta narrativa é bastante semelhante à do Código Da Vinci, incluindo as já temáticas deja vu de sociedades secretas, mistérios antigos e crimes actuais. Quando já se leu esta obra, rapidamente estabelece semelhanças com o que terá sido o pioneiro neste tipo de thriller, Dan Brown.
Ainda assim, o autor tentar distanciar-se de eventuais comparações e, na minha modesta opinião, isso é facilmente detectado na escrita. Adam Blake é bastante espirituoso, incluindo comentários de cariz humorístico em vários diálogos das personagens.

O que mais me fascinou neste livro, foi como o autor formulou as mortes, que inicialmente seriam independentes, mas que acabam por convergir. Casos isolados em locais tão aparentemente aleatórios e sem ligação como o México, a Grã Bertranha e os Estados Unidos acabam por ver conhecido um padrão. Mais do que isso, há toda uma sucessão de acontecimentos quase sobrenaturais que deixarão o leitor literalmente embasbacado.

A história é de facto muito inteligente, e como considero, estes thrillers são quase como quebra cabeças. As revelações surgem em catadupa, e as possíveis explicações, à priori, deixarão o leitor ávido para chegar ao desfecho do livro.
Este é um livro grande, com quase 600 páginas, justificando os pormenores intrínsecos à acção bem como à caracterização das personagens.

A profundidade da pesquisa por parte do autor é deveras impressionante, mostrando perícia na ciência da paleografia. Provavelmente este terá passado algum tempo debruçado sobre manuscritos antigos, pelo que neste ponto desconheço se o próprio não será ele um paleógrafo.

Mais do que uma história frenética, o livro destaca-se sobretudo pelas personagens: Tillman tem uma missão própria: descobrir o destino da sua esposa e dois filhos, desaparecidos há 13 anos. Já Kennedy é uma agente impopular, atormentada pelos seus colegas devido ao seu passado. De certa forma, Kennedy e Tillman constituem uma parceria relutante, afinal de contas são personagens contrastantes e destacadas por conflitos de personalidade, mas é óbvio que eles se complementam muito bem.

Este é definitivamente, um livro altamente recomendado para os fãs de thrillers à moda de Dan Brown. 


domingo, 30 de dezembro de 2012

Simon Tolkien - O Rei dos Diamantes [Opinião]


Simon Tolkien é neto do tão conhecido J.R.R. Tolkien, e os laços mostram que o talento para a escrita se mantém mesmo após duas gerações. Foi a minha estreia na família Tolkien (para ser sincera, o Tolkien avô não apela tanto à minha curiosidade por escrever dentro da categoria do Fantástico).

A história começa em 1958 em Londres, onde David Swain está a ser julgado pelo assassinato de Ethan Mendel, o amante de sua namorada, Katya Osman. O detective William Trave testemunha e Swain é condenado e sentenciado à prisão perpétua. Na noite em que David escapa da prisão, Katya é assassinada, sugerindo uma ligação directa entre os dois acontecimentos. Terá sido mera coincidência ou David terá evadido da prisão para se vingar?

O livro tem como cenário os anos 60, década em que termina o pós-guerra em Inglaterra, uma vez que até então ainda eram geralmente visíveis as marcas dos bombardeamentos alemães. Ora tal contexto histórico-temporal sugere sem dúvida, um ambiente noir e gótico, muito característico de uma Inglaterra remota.
Portanto, este é um livro que inevitavelmente aborda a temática do Holocausto. Não que o assunto seja exaustivamente explorado, não achei que fosse. Mas acaba por resultar, conjugado com a temática do tráfico de diamantes na Antuérpia. Estes são temas que indiscutivelmente dão azo para a formulação de um carácter maléfico de pelo menos uma personagem.

Gostei muito da história que, acima de tudo, foge ao convencional do thriller. Entrelaça a vertente policial (ainda numa linha clean) com o histórico, envolvendo-o numa base de relações pessoais. Este livro, em particular, fez-me lembrar da autora conterrânea de Simon Tolkien, P.D. James. Se o meu caro leitor é fã da autora, certamente irá apreciar O Rei dos Diamantes de Simon Tolkien.
O único ponto negativo prende-se com o facto de, por vezes, ter achado a narrativa algo morosa, trazendo pormenores que pouco contribuíram para a trama.

Dado as circunstâncias temporais da trama, esta é uma história que joga muito com a resolução do crime por lógica e raciocínio. Nos anos 60, ainda era primitiva a investigação do crime por meios forenses. Daí que o inspector Bill Trave, o primeiro responsável pelo caso, seja um homem inteligente e altamente intuitivo.
Mas para não se cingir apenas ao género policial, Simon Tolkien arremessa uma carga sentimental à trama. Além de explorar um suposto triângulo amoroso entre David, Ethan e Katya, há um claro enfoque para um outro caso: Bill Trave é o ex-marido de Vanessa Trave, mulher que agora mantém uma relação com o duvidoso Titus Osman, tio de Katya. Por isso, Bill tem a difícil tarefa acrescida de tentar que a sua intuição sobre Titus não afecte a ex-mulher.

Um livro que, pelas razoes que acima menciono, acaba por ser uma diferente e interessante leitura. Gostei e espero ler mais do autor. Felicito a editora pela publicação deste romance e incentivo a continuação da publicação de mais casos do inspector William Trave.


Top10 de 2012


2012 caminha para o final e esta é a altura em que costumo fazer um balanço. Estou neste momento a ler o meu 95º livro e apesar de estar a gostar mesmo muito, não tenho a certeza se o mesmo será daqueles livros inesquecíveis.
Este ano foi bom (se tiver em conta que me desafiei a ler 80 livros) pelo que a minha audácia vai aumentar em 2013 e tentarei ler mais uns quantos. Irei também aderir ao tal desafio do qual vos falei neste post, embora quero reformular melhor esta ideia.
Mas 2012 foi um ano de descoberta. Como sabem, desde há uns anos para cá que me restrinjo muito ao mesmo estilo, não fugindo do policial ou do thriller. Este ano enveredei por algumas leituras diferentes. Sim, estou a falar nos livros marotos, óptimos para desanuviar a cabeça.

Normalmente nomeio as 10 melhores leituras, sem ordem de prioridade.
  • Jess Michaels - Tabu
  • Cheryl Holt - Entrega Total 
 E vocês? Que livros elegem como preferidos de 2012? O que tencionam ler em 2013?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Topseller: "Alex Cross", de James Patterson, nos cinemas a 3 de janeiro

Alex Cross, protagonista da série policial mais vendida em todo o mundo, está de regresso ao grande ecrã, desta vez em “Eu, Alex Cross”. Depois da publicação do livro no passado mês de novembro, dia 3 de janeiro chega então às salas de cinema nacionais o terceiro filme inspirado na coleção bestseller mundial Alex Cross, do autor mais bem sucedido em todo o mundo, James Patterson. Tyler Perry, como Dr. Alex Cross, e Matthew Fox, o vilão, são os protagonistas do filme.

O lançamento do livro Alex Cross rapidamente despertou a memória de quem vibrou com os filmes «Na Teia da Aranha» e «Beijos que Matam», então com Morgan Freeman no papel de Dr. Alex Cross.

Conheça melhor James Patterson e os espantosos números que fazem deste escritor o mais bem sucedido do momento em todo o mundo, e ainda mais alguns pormenores do livro Alex Crossaqui

Os primeiros capítulos do livro estão disponíveis online para ler ou descarregar, aqui.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Jess Michaels - Tabu [Opinião]

A minha incursão pelos ditos romances sensuais continua e desta feita, escolhi Tabu de Jess Michaels, livro que me acompanhou durante dois dias na quadra natalícia que agora finda. 
A Quinta Essência já habituou as leitoras à beleza das capas mas esta para mim, que adoro corpetes, é simplesmente lindíssima com um conteúdo que me deliciou.

À semelhança da literatura sensual de Cheryl Holt ou Kate Pearce, este é um romance de época, ainda que a autora não defina o século onde se passa. Há todo um pano de fundo de conspiração, aparências e amores proibidos frutos de diferentes classes sociais, temáticas que começam a agradar-me nas tramas com contextos históricos.
E dentro disto, há uma história de amor diferente. Diferente porque os protagonistas Cassandra Willows e Nathan Manning já estiveram apaixonados e por circunstâncias apenas desvendadas na recta final do livro, se separaram. A paixão que uniu as personagens quatro anos antes não desapareceu e o encontro de Cassandra e Nathan é simplesmente fulminante.

Gostei imenso deste livro: achei a história simples mas emocionante e acima de tudo, simpatizei com os protagonistas. Em particular, Cassandra, uma costureira com apetências para fabrico artesanal de brinquedos eróticos. E numa sociedade de época, possivelmente haveria muitas represálias e censura quanto à concepção de objectos cuja finalidade seja aumentar o prazer do casal. E decerto que uma senhora nestes moldes, não teria a mais correcta reputação. Porque afinal de contas, a sociedade desta época regia-se muito pelas aparências.
Talvez por isso, a autora dotou esta personagem de uma sensualidade, para mim, acima do expectável. É notório o à vontade de Cassandra face a estes brinquedos originando cenas de sexo, altamente explícitas e bastante atrevidas. Mas acima de Cass, vem a provar ser uma mulher lutadora, que passou por muito, tentando ainda assim, que eventuais traumas a condicionem actualmente.

Abundam as passagens sexuais a dois, com experimentação destes acessórios mas num contexto altamente voluptuoso, sensual e muito excitante.
Embora explícita, a linguagem não adere ao calão nem ao ordinário, tornando estas mesmas passagens provocantes, e num todo, um livro ávido que se lê rapidamente.

A história do livro cinge-se muito à relação dos protagonistas. Não esperem tramas secundárias pois essas simplesmente não existem. Aquela que será uma relação inicial quase de domínio, em resposta à vingança requerida por Nathan uma vez que se julga atraiçoado por Cassandra em não ter comparecido ao seu encontro quatro anos antes, será doravante uma relação pautada pela paixão e luxúria.

Em relação a Nathan, o protagonista masculino, há que registar uma evolução: no início do livro achei-o extremamente arrogante e vingativo mas a pouco e pouco vai deixando transparecer sentimentos por Cassandra, aumentando a minha empatia pelo personagem. Este, embora com título monárquico e bonito acaba por sair dos estereótipos masculinos deste tipo de romance: tudo indica que é um homem fiel e sem ligações a personagens femininas secundárias, ou seja, sem triângulos amorosos e tudo o que poderia influenciar a relação entre ambos acaba por ser o seu pai.

Quem é fã dos ditos romances sensuais não deve perder este Tabu, que juntamente com Entrega Total, foram os meus preferidos até hoje. Fiquei seduzida com o ambiente de época e torci para que os protagonistas voltassem a ficar juntos. Regozijei-me com a magia de uma paixão adormecida e com as cenas altamente provocantes decorrentes deste poderoso sentimento. Em suma, adorei este livro erótico e espero ler A Força do Desejo desta mesma autora em breve.

Vasco Ricardo - O Diplomata [Opinião]


Depois de ter lido A Trama da Estrela, foi com bastantes expectativas que aguardei este Diplomata do escritor Vasco Ricardo. Desde já agradeço a sua disponibilidade em ofertar este exemplar que li praticamente num dia.

Num registo completamente diferente do seu romance de estreia, o Diplomata é um poderoso thriller que se debruça sobre a temática de conspiração. Já assumi publicamente que este não é o meu tema preferido, mas a forma como Vasco Ricardo o expõe é deveras empolgante, daí a ávida leitura.

A estrutura do livro é extremamente envolvente e regista-se sob a forma de duas narrativas, que inicialmente aparentam ser independentes. Por um lado a vida de Gabriel, um diplomata oriundo dos Estados Unidos, extremamente profissional e dedicado a questões políticas mas ao mesmo tempo um pai e marido extremoso. Ele tem uma faceta desconhecida, a de matar homens. Mas a escolha dos assassínios não é aleatória e os motivos desta, desvendados à medida que a história se desenvolve, tornam a narrativa particularmente interessante.
Por outro lado, a negrito e narrado na primeira pessoa, retratos de uma infância cruel, numa aldeia regida pela ditadura e onde escasseiam alimentos, água e conforto, condicionando toda uma vida em sociedade que, felizmente, é uma realidade desconhecida para nós.

Existe claramente uma notória evolução entre a Trama da Estrela e este Diplomata. Ou talvez seja o meu gosto pessoal, que se inclina para este tipo de livros. Em particular, este agradou-me muito não só pela história e a temática que aborda como os flashbacks a negrito, que achei extremamente emocionantes e realistas.
Uma coisa é certa: o autor é extremamente versátil. A Trama da Estrela é narrada com uma escrita mais juvenil, uma imposição das personagens que, passo a relembrar, eram adolescentes. O Diplomata é munido de uma escrita mais madura, até porque o protagonista é um personagem bem mais complexo do que os jovens Dana, Rohan e Mark.
Não obstante, a Trama da Estrela que diria estar destinada a qualquer público, pelas razões anteriormente apresentadas, O Diplomata sugere um público alvo: os apreciadores de thriller e policial.

Porque está provado que a ficção nacional está ao nível em termos de qualidade dos policiais estrangeiros, esta é a minha sugestão: O Diplomata. Emocione-se com uma dura infância no meio da censura e com o fortíssimo poder da vingança, um dos sentimentos mais intensos que o ser humano experiencia. Felicito o autor Vasco Ricardo pelo seu dom da escrita que se traduziu num momento de leitura extremamente plazeroso.
Aguardo com muitas expectativas pela terceira obra do autor. Gostei muito!

Natal literário

Ho ho ho
Embora tenha alguns livrinhos na biblioteca pessoal, estes são inevitavelmente os melhores presentes que me podem oferecer. A família não oferece mas o marido costuma surpreender-me com presentes literários. E neste Natal os livros não faltaram pelo que a minha biblioteca conta doravante com mais três títulos.
Do Fundo do Coração de MHC já o tinha lido emprestado mas era o único título da Bertrand da autora que me faltava na biblioteca pessoal. Agora já não...
Karen Rose é uma autora de suspense romântico (julgo ser semelhante a Sandra Brown) e já há muito que me suscitava curiosidade. Já o último, A Máscara do Desejo, foi mesmo surpresa. Ando fascinada com os novos romances sensuais e este é mais um para a biblioteca marota.
 
E como gosto de ofertar a mim própria nesta quadra, este ano optei por um acessório de leitura. Uma capa protectora que comprei na biblioteca da escola onde trabalho. Vai ajudar-me a manter os livros impecáveis, uma vez que ando com um sempre na mala e já calhou vincar um pouco a capa, em contacto com outros objectos.


E como o avô deu algum dinheirinho, ainda tenciono comprar um livro que tenho namorado: o último da trilogia de vampiros que gosto, da autoria de Guillermo del Toro e Chuck Hogan.

E vocês? Receberam livros no sapatinho? :)