segunda-feira, 4 de julho de 2022

Gregg Olsen - Não Contes a Ninguém [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Esta obra suscitou-me imediata atenção por se tratar de um true crime. Não conhecia, porém, a protagonista, pelo que segui para a leitura sem saber com o que me iria deparar ao certo. Foi muito duro. Fiquei muito angustiada com esta narrativa sobretudo porque fui recentemente mãe (eis a razão do meu súbito desaparecimento) e muitos dos detalhes aqui são punições/agressões a crianças, o que me toca de uma forma muito particular. Mas a violência contra crianças não é a única situação digna de ser realçada aqui: também há, a dois adultos, o que torna todo este caso um pouco surreal. Porém debruçar-me-ei sobre esta questão mais adiante.

Como sempre, não quero levantar muitas pontas do véu sobre a história, no entanto, é muito fácil saber pormenores sobre a mesma - estava tão curiosa com esta antagonista que fui ver alguns documentários sobre este caso, tendo ficado a saber antecipadamente os contornos de toda esta trama - e, mais uma vez, fiquei incrédula com esta "pessoa". Recomendo então que se coíbam de pesquisar sobre Michelle/Shelley Knotek no decorrer da leitura para evitar qualquer spoiler e que, deste modo, consigam ser mais impressionados pelos factos que estão a ler. No meu caso, tal não aconteceu. Já sabia até o desfecho do caso pelo que percorria as páginas, já a aguardar pelo último acto da narrativa.

Basicamente, esta obra acaba por ser um sucedâneo de relatos de tortura às personagens que privaram com Shelley. Impressiona e é muito difícil ler este livro. Recordo-me que comecei a lê-lo, estava a minha filha doente em casa e, enquanto a supervisionava a brincar com os seus brinquedos, ia lendo uma página aqui, outra acolá, tendo suspendido a leitura muitas, muitas vezes por conter passagens bastante duras. E abracei a minha bebé muitas mais por achar inconcebível uma mãe fazer este tipo de barbárie aos seus filhos - sempre fui contra a violência e neste momento sou-o mais ainda. Acompanhamos também a evolução das filhas, a relação delas entre elas e com um sobrinho que também foi acolhido no lar de Shelly. Há aqui bastantes situações de difícil compreensão e esta minha sensação intensificou-se aquando a melhor amiga de Shelly, Kathy, vai também viver para o lar dos Knotek para ajudar na lida da casa e com a logística das crianças. 

Foi nesta altura que comecei a pensar no comportamento das pessoas que lidavam com Shelly e pareceu-me que era muito standard, muito padronizado e semelhante entre todos mesmo sendo pessoas diferentes. Acabei por investigar sobre isto - seria também facto verídico ou ficcionado para parecer ainda mais chocante? Foi então que encontrei no Youtube alguns documentários true crime dedicados a Knotek e, caramba, realmente tenho que aceitar que a senhora exercia um poder de persuasão tão intenso que tornou todos ao seu redor meros joguetes nas suas mãos - eu sou, por norma, uma pessoa muito contestatária e há situações com as quais lido mal. Creio que todos nós, em alguma fase da sua vida, terão conhecido pessoas com as quais não querem estar. E acaba por ser inevitável afastar-se. Ou, se forem como eu, fazem uma tempestade seguido por um ponto final nessa relação. Atitude esta que nenhum, sublinho, nenhum teve. Toda a gente continuou a lidar com Shelly, que, de personalidade altamente manipuladora, é mais do que uma pessoa tóxica, entrando já no quadro de psicopatia. Falo dela como pessoa e não como personagem pois, volto a ressalvar, isto é verídico e ela continua viva.

Tudo isto é-nos relatado pelas filhas da vilã ao escritor Gregg Olsen. A minha segunda crítica prende-se com a forma como o livro é narrado. Sim, senti-me impelida a lê-lo em poucos dias, é certo, mas creio que a obra traria ainda maior profundidade caso fosse narrada directamente pelas irmãs. Tenho a sensação que a informação transmitida em discurso indirecto pode perder algum conteúdo. A meu ver, a narrativa também teria sido enriquecida caso tivesse algumas alusões temporais. Por vezes tive a sensação que eram episódios chocantes aleatoriamente narrados sem ordem cronológica, sensação essa que se intensificou quando nasceu a irmã mais nova, Tori, parecendo que o tempo estagnara e ela era bebé por um tempo indefinido. 

Nesta altura, fala-se de Ron e, mais uma vez, volta a haver descrições de todo um comportamento submisso e vulnerável - já observado em personagens anteriores e estava, ainda, a tentar aceitar - o que, creio não se coadunar com a idade adulta e, em especial este homem, que mostrava uma inteligência acima da média. Mas, mais uma vez, através do documentário fiquei a perceber que tudo se passou dessa forma, o que me deixa ainda mais perplexa sobre todo este caso. Apesar de me questionar sobre o comportamento destas pessoas - não sou da área da Psicologia nem possuo ferramentas que justifiquem todas as atitudes de alienação - creio que é inquestionável que esta trama será demasiado forte por aludir a situações de violência deveras chocantes e marcantes. É um livro que dificilmente sairá da minha retina, por esse motivo.

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Tarryn Fisher - Três Mulheres [Opinião]

 

Sou assumidamente fã de Margo, a protagonista do primeiro livro publicado em Portugal por Tarryn Fisher, razão que explica o meu entusiasmo inicial assim que vi que iria ser editada esta obra no nosso país. Não tardou muito para que as minhas expectativas fossem defraudadas. 

O mote da história é uma relação polígama que poderia dar azo às maiores narrativas de thriller, não obstante considerar que a opção de história sugerida por Fisher não foi a mais inteligente. Note-se que é uma perspectiva altamente pessoal. Creio que há inúmeros fãs da obra mas sinto-me compelida a dar a minha opinião mais sincera quanto possível.

Thursday é casada com Seth que tem outras duas esposas: Monday e Tuesday. Ela sabe muito pouco sobre estas mas um dia, ao descobrir um papel, sente-se impelida a conhecer as outras duas mulheres mais em detalhe. E tudo parte daqui: da curiosidade desta esposa em saber mais sobre as outras duas. Uma mulher que, até então, até era bastante passiva neste assunto, aceitando a condição em que vivia e tentando ser a melhor no dia que lhe era destinado estar com o marido. Nos outros dias da semana ora o marido estava com as outras mulheres ora estava em viagem. Basicamente parece-me que a protagonista estava feliz com uma relação a part-time (ou melhor a 1/7 do tempo) e não vou tecer considerações sobre isto, são altamente pessoais. Contudo esta personagem esforçava-se por ser a melhor esposa a nível sexual (estou a revirar os olhos enquanto penso nisto porque nem sequer acredito que bom sexo unicamente seja sinónimo de um casamento pleno e feliz). Mas vá, sou open minded e aceito as mais variadas suposições que a autora me apresenta.

Apesar da narrativa apresentar um ritmo bastante viciante - senti-me extremamente curiosa sobre o desenrolar da história e a obra até se lê muito bem em pouco tempo - no meu íntimo já considerava tonta a premissa pelo que o desenrolar acaba por ser um sucedâneo de situações também estas pouco néscias. Até que, sensivelmente a meio do livro, a autora nos presenteia com um twist. Uma reviravolta pouco verosímil, diria eu, porque quem abraça esta leitura e é como eu que desata a lançar teorias, esta é uma delas. Até percebo que a autora queira investir no plano de thriller psicológico, mas infelizmente acho que este volte-face não foi completamente satisfatório/convincente.

A partir daqui continua a saga da Thursday a consolidar informações sobre as outras mulheres - às páginas tantas esta personagem pareceu-me mesmo uma bola de ping pong, desorientada que está aqui e acolá e torna-se tudo tão inepto que senti que acabara de ler qualquer coisa menos um thriller, ainda para mais da autora do Margo. Note-se que tive sempre esta obra na retina, um livro negro, pesado que me fez sentir desconfortável no decorrer da leitura - creio que as maiores sensações que o género nos traz - mas o presente título... não sei. Nada me convenceu: nem as personagens - até sinto um fascínio por personagens não confáveis mas estas, honestamente, primam pelas mais duvidosas acções e formas de pensar - nem a própria trama que poderia ter dado um thriller de excelência. No seu cômputo, é um livro que fica muito aquém. Estava, sinceramente, com grandes expectativas de encontrar uma história que me tirasse o chão. E infelizmente, isso não aconteceu.

Por aqui alguém já leu? Gostaram? Fico apreensiva por me ter escapado a magia deste livro mas isto é sempre assim. Partilhem comigo nos comentários as vossas opiniões.

terça-feira, 28 de junho de 2022

Horror novellas em inglês

A minha busca incessante por literatura que seja, realmente, perturbadora e que me deixe estupefacta, conduziu-me a algumas obras e escolhi ler duas. São novellas, o que são mais curtas e merecem ser mencionadas por aqui: 

Things Have Gotten Worse Since We Last Spoke tem uma capa fascinante (foi o que captou a minha atenção de imediato). Soube também que este livro foi sensação na rede social TikTok e fiquei mesmo muito curiosa com o mesmo. Não querendo entregar muito sobre a história, esta é sobre duas mulheres que se encontram num chat e desenvolvem uma relação que vai assumindo contornos sombrios e obsessivos. Este tipo de tramas, alicerçadas sobre relacionamentos disfuncionais, interessam-me muito apesar de, regra geral, não ser a maior entusiasta do estilo epistolar, forma como a história se desenrola. Como foi um livro lido em inglês, estranhamente a narrativa em forma de entradas de um chat ou variados e-mails trocados pelas protagonistas, tornou-se mais dinâmica e, juntando ao reduzido número de páginas, fez com que tivesse lido esta obra em cerca de 24 horas. 
Considero que o autor conduziu esta trama de forma intrigante: nas páginas iniciais menciona que o leitor irá ler informações da polícia que está a investigar a morte de uma das personagens. OK, parece-me que estamos perante um spoiler logo no início, porém, este warning torna a narrativa muito viciante e quase como apanha o leitor para, ele próprio, participar nesta investigação policial. A relação entre as duas personagens tornou-se muito intensa em poucas páginas, parecendo-me a mim, que Eric LaRocca se quis precipitar para "aquecer" os acontecimentos - o que também compreendo se tiver em atenção que estamos perante uma novella. Muito honestamente há ali uma ou outra situação que considero tola como um contrato semelhante ao que Anastacia Steele assinou em firmar a relação com o afamado sr. Grey. À medida que a história se encaminha para o final, a situação começa a ser desconfortável. E sim, incomodou-me a última provação apesar do autor desvendar imediatamente qual seria o desfecho de uma personagem. Se é um bom conto de terror? Sem dúvida, mas indicado àqueles que apreciam um bom body horror. Contudo, esta história carecia de menor cadência. Creio que daria um melhor livro do que é em conto. Agora que penso nisto, não sei se gostei da obra mas o certo é que não me sai da retina.
 
Num registo completamente diferente, Comfort Me With Apples estava também em listas de novellas de terror. Contudo, para mim, não é uma obra que satisfaça em pleno os fãs do género. Atentei muito no título quando iniciei a leitura e as primeiras alusões ao local onde ocorre a narrativa, Arcadia, tiraram-me as dúvidas para o que aí viria. Portanto não tive qualquer factor surpresa: o afamado twist está já no título do conto. Não há qualquer dúvida que o estilo de escrita deste seja mais elaborada, parecendo que estamos perante um conto de fadas, porém, não me cativou. Não creio que estivesse perto de um thriller ou um terror. Temos a personagem principal, Sophia, que vive num sítio lindíssimo e paradisíaco. É casada e tem como mantra dizer a si mesma que foi feita para o seu marido e que é muito feliz. O local onde habita é muito à Stepford Wives e poderia mesmo ter potencial mas, lá está, creio que a autora quis, acima de tudo, recontar um episódio bíblico. A meu ver, acresce uma dificuldade em colocar elementos de terror que sejam convincentes e que seja sinónimo de algo verdadeiramente assustador. Apesar de ter gostado imenso da escrita da autora, esta história, lamentavelmente, não me cativou.
 

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Catriona Ward - A Última Casa em Needless Street [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Escrever sobre este livro sem revelar nada sobre o que nele encerra é uma tarefa deveras difícil. Ainda assim, aceito o desafio. Afinal de contas, estamos perante um livro único e que oferece uma experiência de leitura bastante peculiar.

Antes de mais, gostaria de endereçar um agradecimento à Porto Editora por me ter enviado a obra - ainda que esteja num período de maior inactividade aqui no blogue - com uma jacket personalizada. A campanha de marketing em apreço suscitou-me curiosidade de imediato contudo, lamentavelmente, não tive grande disponibilidade em iniciar a leitura mais cedo.

Pode ser uma imagem de livro 

Terminei ontem de madrugada esta história que tem tanto de perturbadora como original. Sou honesta: não foi a primeira vez que me deparei com uma trama deste género na literatura pois esta encontra-se na linha de um livro que nunca foi publicado por cá, embora tenha ouvido o audiobook - I´m thinking of ending things - e, após a revelação final, recordei-me imediatamente de dois filmes (os leitores que sentirem curiosidade poderão enviar-me mensagem que informar-vos-ei sobre os mesmos).

Deverei continuar a ser sincera convosco: esta é uma obra que devem ler sem saber nada sobre a mesma - bem, isto provavelmente quererá dizer que apenas os leitores que já terão lido o livro irão, à partida, ler a minha opinião. Por ter esta percepção, também não vos quero entregar muito sobre a história que é narrada sob quatro vozes, sendo que, para mim, a mais fascinante foi a de Olivia. Creio que esta minha sensação dever-se-à ao facto desta personagem ser um gato o que torna bastante incomum ter a perspectiva de um animal doméstico num thriller. Associamos os animais de estimação a sensações de conforto e carinho, sentimentos bastante antagónicos àqueles que este género deve despertar. Por isso, também os estranhos testemunhos de Olivia me deixaram, de certa forma, algo inquieta, sensação que se intensificou aquando lia os pontos de vista de Ted. Não vou mentir: esta personagem, aparentemente oligofrénica, também me deixou bastante intrigada. É na perspectiva da figura masculina que a história ganha mais corpo e, curiosamente, estive sempre a oscilar se esta personagem seria confiável ou não, o que conduziu a ter sentimentos ambíguos por ele na grande maioria do tempo de leitura. Há aqui um ponto bastante curioso, não sei se terei sido a única a percepcionar: considerei a primeira revelação algo previsível tendo ficado um pouco decepcionada. Perguntei-me se a restante obra iria gravitar sobre aquele twist. Em caso afirmativo, seria uma enorme pena. Contudo, à medida que me embrenhei na leitura, fui sendo apanhada numa teia de surpresas. Lá está, eu não pesquisei nada sobre a obra e conhecia apenas a sinopse por isso a minha noção sobre esta era muito limitada e consegui ter mais prazer com a leitura em apreço.

Este é um livro estranho. Ainda que esteja numa fase de parcas leituras, não o caracterizaria como um page turner - carece das características do mesmo. É uma obra exigente que convida a uma leitura mais pausada, mais atenta aos pormenores. A forma como está estruturado assim o exige: subtramas narradas no presente ainda que possam ter ocorrido no passado e episódios algo excêntricos que nos obrigam a reflectir sobre o que acabámos de ler. Ainda assim, é um livro que é muito difícil de pousar e interromper a leitura sem que fiquemos a cogitar sobre a mesma. 

Devo mencionar uma nota bastante positiva para o posfácio enriquecedor que encerra o livro. Achei-o tão satisfatório quanto a história em si e motivou-me a ler mais sobre esta narrativa. Assim que terminar esta recensão crítica vou também averiguar o que outros leitores pensam sobre esta obra. Confesso que o livro não me tem saído da retina desde que acordei.

Em jeito de conclusão, não posso dizer mais nada a não ser que A Última Casa em Needless Street oferece uma experiência única de leitura que vale a pena ser atentada. Reconheço, no entanto, que devido à forma tão peculiar com que esta história é apresentada, poderá não deslumbrar uma fracção de leitores. 


sábado, 3 de abril de 2021

Ashley Audrain - Instinto [Opinião]

   

Sinopse: AQUI

Opinião: Instinto é a nova aposta da editora Suma de Letras em termos de thriller. Poder-se-ia dizer que não é um título totalmente inovador na medida em que segue a linha de obras como The Bad Seed de William March, We Need to Talk About Kevin de Lionel Shriver ou Baby Teeth de Zoje Stage. Ao revelar este facto não creio, de todo, que esteja a cometer algum tipo de inconfidência similar a um spoiler. Afinal de contas, a psicopatia revela-se num espectro de acções e actos diferentes, tendo apenas como denominador comum, o efeito de choque, mais acentuado sobretudo naqueles que experienciam a maternidade.

Começo a minha opinião por confidenciar que já não leio avidamente um livro desde Novembro do ano passado. Contudo, esta obra fez-me redescobrir a emoção que sinto quando leio um livro, e, nesta altura da minha vida, posso assegurar-vos que a minha incredulidade se fez sentir mais do que nunca. Não creio que o impacto da obra dever-se-á apenas ao meu estado de espírito actual. Estamos perante um livro que, penso ser consensual, irá consubstanciar um verdadeiro impacto emocional na medida em que disseca, sem grandes floreados, uma relação entre mãe e filha altamente disfuncional. Levanta muitas questões do foro psicológico, nomeadamente onde começa este vínculo e a partir de que acções este começa a assumir contornos mais desviantes. Sim, minhas amigas mães, vós ireis reflectir muito sobre este assunto, não tenho qualquer dúvida.

Não obstante, por apresentar um conteúdo tão polémico, Instinto também dará azo a uma larga panóplia de ilações, crendo eu que não conseguirá deixar ninguém indiferente. Ainda que se consiga encarar esta obra como uma mera história de ficção, penso que a mesma é chocante o suficiente para sugerir uma reflexão, como referi, por diversos momentos, mesmo quando não estamos a ler. É, indubitavelmente, uma obra que nunca sairá da retina. 

Escrito sob o ponto de vista da progenitora, Blythe, conseguimos ter a perspectiva em primeira mão, de uma mãe que se debate com alguns desafios próprios da maternidade. Poderá ser um ponto positivo uma vez que a informação chega ao leitor de forma madura e sincera, não obstante considerar que a perspectiva da criança poderia acrescer de um maior impacto. A acção retrocede até ao passado para que possamos perceber o panorama familiar da protagonista. Pessoalmente, considerei que esta subtrama não trouxe grande importância, no entanto reconheço que o título, Instinto, poderá ser alusivo de algum traço psicológico que passo passar, eventualmente, de geração para geração. 

Alguns episódios são, naturalmente, de difícil digestão e creio que o mais impactante ocorreu sensivelmente a meio da trama, pelo que, devo confessar, esmoreceu um pouco o meu entusiasmo. Tinha em mente, como paralelismo, a obra de Lionel Shriver e, inconscientemente, fui estabelecendo uma comparação entre as duas histórias. Ainda assim, foi com bastante alento que prossegui a leitura, sempre na expectativa sobre como seria o percurso da história. E realmente, esta conseguiu sustentar um ambiente de tensão até ao final, altura em que, a meu ver, poderia ter sido mais emocionante. Atenção que esta é uma percepção altamente pessoal pois, por norma, não aprecio desfechos que apelam ao poder de sugestão. E sim, aceito que este terá um efeito mais ou menos intenso consoante o leitor. 

Mesmo assim, no seu cômputo, estamos perante uma obra muitíssimo bem conseguida que irá mortificar aqueles que são pais ou os que pretendem sê-lo. É uma obra que, por me ter chocado várias vezes no decorrer da leitura, não hesito em recomendar! 



quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Lars Kepler - O Homem - Espelho [Divulgação Porto Editora]


 Data de publicação: 5 Novembro 2020

               Título Original:
               Tradução: Ivan Figueiras 
               Preço com IVA: 18,80€
               Páginas: 488
               ISBN: 9789720033840

O Homem-Espelho marca o regresso de Lars Kepler. No seu país de origem, o novo thriller da dupla sueca vendeu mais de 100 mil exemplares em apenas uma semana     
      No mundo, mais de mil milhões de mulheres estão sujeitas a violência sexual, mais de 50 milhões vivem como escravas e, anualmente, cerca de 85 mil são assassinadas. Porque «a literatura policial pode funcionar simultaneamente como uma plataforma de discussão sobre o ser humano e o nosso tempo», no seu novo thriller, a dupla sueca Lars Kepler decidiu abordar um problema global e inseri-lo numa situação com limites definidos e possível de solucionar: o desaparecimento e homicídio de jovens em Estocolmo. 

Ao comando da equipa que tenta desvendar o tenebroso caso apresentado em O Homem-Espelho está o comissário Joona Linna, naquela que é já a sua oitava aventura.

Sinopse: Jenny Lind é raptada quando regressa a casa depois de um dia de aulas. Cinco anos mais tarde, é assassinada e o seu corpo aparece num parque infantil de Estocolmo. Através das imagens captadas pelas câmaras de videovigilância, o comissário Joona Linna consegue identificar uma testemunha ocular que pode ser decisiva para a investigação. Porém, trata-se de um homem com distúrbios mentais, incapaz de recordar o violento crime a que assistiu. Para conseguir resolver o caso sem que novas mortes ocorram, Joona entra em contacto com Erik Maria Bark, o hipnotista que conhecemos no início da saga, a única pessoa capaz de ajudar Martin a recordar o que viu.

Sobre o autor: Lars Kepler é o pseudónimo de uma dupla de escritores de sucesso na Suécia: Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril. O Hipnotista, primeiro volume da saga, alcançou um enorme sucesso internacional e foi adaptado ao cinema pela mão do realizador Lasse Hallström. Depois de seis volumes, chega agora Lazarus.
Mais informações em www.larskepler.com


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Cara Hunter - Sem Saída [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Terceiro livro protagonizado por Adam Fawley e devo dizer que está à altura dos antecessores que, a meu ver, denotam uma originalidade ímpar. Isto porque a fórmula da autora prende-se com a narrativa, nas mais diversas perspectivas temporais imiscuída em excertos de relatórios ou páginas de internet em que até podemos ler os comentários dos internautas. Indubitavelmente que esta estrutura incomum e dinâmica torna a obra mais célere, voraz e, de certa forma, algo convincente. 

O caso em apreço é chocante: estamos perante a investigação de um incêndio que vitimou uma família e cujos contornos são, no mínimo, impactantes. Afinal de contas, este incidente provocou a morte de uma criança de 3 anos e a possibilidade de uma outra, de 10, poder não sobreviver. O caso adensa-se quando o paradeiro dos pais é desconhecido e o leitor leva a equacionar uma situação de negligência. Casos relacionados com crianças são, a meu ver, de dificil compreensão e, por este motivo, creio que a presente trama poderá trazer um impacto maior comparativamente com alguns livros policiais publicados por cá nos últimos tempos. 

A trama propriamente dita é repleta de reviravoltas. Apesar de confessar que esta leitura foi um pouco arrastada, percepção que terá sido pessoal uma vez que se deve apenas ao cansaço de trabalho, foi um livro que me entreteve, acima de tudo, e me manteve interessada na resolução do caso.

Como referi anteriormente, a narrativa acompanha a investigação deste caso ao mesmo que retrocede na acção e permite-nos conhecer a vida daquela família antes da tragédia. As tramas que dissecam os segredos de um núcleo familiar interessam-me muito. Atrai-me a ideia de uma família aparentemente perfeita que encerra alguns esqueletos no armário.

Apesar de não ser estritamente necessária a leitura das duas obras antecessoras, até porque a presente trama contextualiza, de forma bastante sintetizada, os acontecimentos mais flagrantes da vida do protagonista, creio que será interessante o conhecimento das histórias anteriores para averiguar a evolução da autora. A meu ver, ela manteve o mesmo registo. Contrariamente à grande maioria dos leitores, não creio que este título tenha ficado aquém dos demais. Afinal de contas, o desfecho acabou por me surpreender como já acontecera nas ocasiões anteriores e, mais uma vez, fica o sentimento de "leria concerteza o livro seguinte da autora caso o tivesse imediatamente disponível".

Em suma, estamos perante um livro, ou se quiser ser abrangente, uma série que se prima pela capacidade única de colocar o leitor literalmente na história através da estrutura única da obra. Cara Hunter é, desta forma, uma autora a manter debaixo de mira. 


 

domingo, 11 de outubro de 2020

Samuel Bjørk - Viajo Sozinha [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Tenho para mim que este livro terá uma opinião consensual à grande maioria dos leitores. Posto isto, como entusiasta de um bom policial nórdico que sou, ia já preparada para me deparar com uma história que, a avaliar pela premissa, prometia ser bastante pesada. Os crimes contra as crianças são, indubitavelmente, aqueles que mais me chocam. Na obra em epígrafe, deparamo-nos com um espectro de atentados a crianças, passando pela negligência, culminando no de maior gravidade, o homicídio. As vítimas são crianças em idade pré escolar, o que pode acentuar os contornos impressionantes dos assassinatos e, pessoalmente, considero que os pormenores relativos ao modus operandi torna-os ainda mais difíceis de digerir. 

Contudo, Viajo Sozinha não se cinge apenas a esta premissa. A história é enriquecida com uma subtrama, alusiva à comunidade religiosa do local e, desde cedo, o leitor é incitado a estabelecer uma relação entre as duas histórias aparentemente desvinculadas, tendo apenas como denominador comum o papel da criança como vítima.

Uma narrativa com esta complexidade carecia de dois protagonistas que lhe fizessem jus: Holger Munch e Mia Kruger. O protagonista masculino, um polícia bastante experiente, já com uma neta com idade pré escolar é, talvez, o aspecto mais previsível da história. Afinal de contas, a pequena Marion tendo a idade das vítimas do serial killer, poderá, eventualmente, constituir mais uma vítima do antagonista. Por outro lado, Mia, tem sérios problemas familiares que a afectaram drasticamente. É uma mulher que inspira grande compaixão, por isso. É notório que estas histórias de vida tão sobredesenvolvidas, uma característica por vezes incomum no livro de estreia de uma série, conduzem a uma familiaridade entre o leitor e a obra, pelo que, inevitavelmente, finda a leitura, fica o desejo de ler, quanto antes, a continuação desta história. 

Uma vez que a acção é repartida em duas subtramas, além das histórias pessoais dos protagonistas, creio que a obra é bastante envolvente, estimulante e complexa, razão pela qual devo mencionar o único aspecto menos positivo e que considero pertinente ser referido: Viajo Sozinha é uma obra extensa, ascendendo a mais de 500 páginas, pelo que poderão contar com uma história cativante sensação que se deve sobretudo aos pormenores que enriquecem a trama. Porém, o mesmo não se verificou com o desfecho. Tive uma sensação que este foi demasiado apressado e, para a história que Bjørk arquitectou, pessoalmente teria gostado que o final fosse mais explorado e, acima de tudo, que o epílogo fosse um pouco mais animador. Ainda assim, desperta um imediato interesse pelas obras que sucederão a esta. 

O balanço final de Viajo Sozinha superou largamente as minhas expectactivas. Estamos perante uma trama complexa e verdadeiramente emocionante com um extra: Samuel Bjørk ficará na lista de autores a manter debaixo de mira. 


terça-feira, 22 de setembro de 2020

Jo Nesbø - A Faca [Divulgação Dom Quixote]

 

Data de publicação: 22 Setembro 2020

               Título Original: Kniv
               Tradução: C.S.C. Marques
               Preço com IVA: 22,20€
               Páginas: 584
               ISBN: 9789722070768

Sinopse: Harry Hole está em maus lençóis. Rakel, a única mulher que algum dia amou, deixou-o de vez. A Polícia de Oslo ofereceu-lhe uma nova oportunidade, mas para resolver casos menores, quando na realidade o que ele pretendia era investigar Svein Finne, o violador e assassino em série que, em tempos, pusera atrás das grades. E agora, Finne está livre depois de mais de uma década na prisão, e Harry determinado a investigar todas as suspeitas que continuam a recair sobre ele.
Mas nada lhe corre como gostaria e a cada dia que passa só vê piorar a sua situação. Quando, depois de uma noite de embriaguez total, Harry acorda de manhã completamente desmemoriado e com sangue nas mãos, percebe que algo de estranho se passou. Porém, o que nessa altura Harry ainda não sabe, é que acordou apenas para viver o pior pesadelo de toda a sua vida.
Em A FACA, Jo Nesbø faz-nos entrar numa montanha-russa de emoções em que o medo, o suspense, a morte, a vingança, mas também a força redentora do amor, se entrelaçam para nos deixar arrepiados da primeira à última página.

Sobre o autor: Jo Nesbø nasceu na Noruega em 1960. É músico, compositor, e um dos escritores de policiais mais elogiados e bem-sucedidos da Europa. Com os livros da série protagonizada pelo inspetor Harry Hole conseguiu um sucesso invejável quer no seu país de origem quer a nível internacional, recebendo elogios da crítica e do público. É traduzido em mais de 40 línguas, recebeu vários prémios literários e muitos dos seus livros atingiram os tops de vendas. Em Fevereiro de 2013 o Parlamento norueguês atribuiu-lhe o Peer Gynt Prize, que premeia uma personalidade ou instituição que se tenha distinguido na sociedade e tenha contribuído para valorizar a reputação da Noruega a nível internacional.

Anders Roslund - A Aniversariante [Divulgação Porto Editora]

 Data de publicação: 24 Setembro 2020

               Título Original:
               Tradução: Artur Lopes
               Preço com IVA: 18,80€ 
               Páginas: 456
               ISBN: 9789720033833

Bastam seis páginas para não conseguirmos largar o novo livro do sueco Anders Roslund, autor com mais de 5 milhões de exemplares vendidos mundialmente e que no verão passado voltou a obter sucesso no seu país natal com o thriller A Aniversariante. Trata-se do primeiro título do díptico «As Raparigas Sem Nome», uma história já com direitos cinematográficos vendidos à Thunder Road, a mesma produtora do filme oscarizado Assim Nasce uma Estrela.

O livro estará disponível nas livrarias a 24 de setembro.

Nesta intriga internacional que assenta numa teia de várias investigações policiais e muitos outros dramas pessoais, a intuição e a coragem são tão importantes quanto a alta tecnologia à C.S.I. no desvendar dos factos. A sede de vingança, o dever da responsabilidade e a necessidade de mudar de vida alimentam as más e as boas ações dos personagens que, entre si, têm algo em comum, não obstante o lado da lei em que se encontram: carregam o fardo de um passado que tentam reescrever. Tudo isto nos diz a escrita veloz, repleta de suspense e de reviravoltas, de Anders Roslund, num dos melhores thrillers que a literatura escandinava alguma vez nos deu a saborear. Um desassossego verdadeiramente viciante em todas as suas 456 páginas.

Sinopse: Atrás de uma porta fechada, há um bolo de aniversário com cinco velas. E uma criança num vestido vermelho que canta sem parar: Parabéns a você, antecipando uma celebração… que nunca chegará a acontecer.
Passaram-se entretanto dezassete anos. O superintendente Ewert Grens, agora à beira da reforma, é chamado novamente ao local de um crime atroz que ainda lhe assombra os sonhos. No decurso desta nova investigação, Grens percebe que deixou escapar algo da primeira vez e suspeita de que alguém regressou com o objetivo de silenciar a única testemunha sobrevivente.
Enquanto isso, há quem tente por todos os meios recrutar os serviços pouco convencionais de Piet Hoffmann, ex-informador da polícia. No entanto, a recusa de Hoffmann em vestir de novo a pele de vilão coloca toda a sua família em grande perigo. Tentando perceber quem está por detrás de um plano maquiavélico para literalmente fazer implodir o submundo do crime na Suécia, Hoffmann alia-se a Grens. Ao longo de três vertiginosos dias, os dois terão de salvar mais do que um inocente, numa corrida trepidante contra o tempo.

Sobre o autor: É um jornalista premiado e um dos mais bem-sucedidos escritores escandinavos de thrillers. Com Börge Hellström, escreveu vários bestsellers do The New York Times, com vendas superiores a cinco milhões de exemplares, incluindo Três Segundos, que serviu de inspiração ao filme O Informador (2019). Foi galardoado com o CWA International Dagger, The Glass Key e o Prémio da Academia Sueca de Escritores de Policiais, entre outros

Imprensa
«Uma obra-prima do género. Brutal, emocionante, inteligente.»
Liza Marklund, autora de Lobo Vermelho

«Roslund sabe escrever uma história fantástica, de tirar o fôlego, entre o noir nórdico e o thriller político. Ele consegue também apresentar personagens fascinantes […] A Aniversariante é um dos melhores romances policiais que já li.»
Jyllands-Posten

«Há [romances] que chamam a nossa atenção na primeira página, ao ponto de desejarmos lê-los de uma assentada. O policial de Anders Roslund, A Aniversariante, é o exemplo perfeito disso.»
Kristeligt Dagblad



 

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Helene Flood - O Olhar Que Me Persegue [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Confesso que fiquei fascinada assim que vi esta capa pela primeira vez. Não me informei devidamente sobre a autora, desconhecendo, portanto, que a mesma é norueguesa. Da vasta literatura nórdica que tenho consumido, tenho verificado um denominador comum: uma fórmula que se resume a um romance policial alicerçando-se sobre um ou mais homicídios e sua investigação.

Tendo então este aspecto em consideração, O Olhar que Me Persegue afigura-se como uma obra bastante inovadora na medida em que se desenrola sob um cenário de cariz mais psicológico.

O acontecimento que precipita esta história é o desaparecimento do marido de Sara. Poder-se-ia pensar, inicialmente, que esta trama pudesse ser uma versão masculina do livro Em Parte Incerta de Gillian Flynn, Contudo, esta hipótese é rapidamente descartada pois temos conhecimento, numa fase relativamente precoce da trama, da verdadeira dimensão da premissa da história. A trama assume um carácter mais psicológico: à medida que vamos descobrindo alguns pormenores sobre a relação do casal, começam a acontecer alguns episódios estranhos na casa do casal, fomentando uma certa dúvida no leitor sobre a própria sanidade mental da personagem principal.

Gostei que a protagonista, Sara cuja profissão é terapeuta, tenha partilhado com o leitor alguns dos seus casos com que trabalhava. Três jovens com diferentes problemas que nunca me saíram da retina. Sou fascinada pela área da psicologia pelo que a trama me deslumbrou em vários outros momentos como a referência de alguns episódios de infância para descortinar certos comportamentos na actualidade. Não deixa de ser curioso que esta minha atenção nestes pormenores conduziu à minha teoria que se revelou como a certa. Considerei previsível, portanto, o mistério relacionado com Sigurd, o marido de Sara, não obstante crer que terá sido uma percepção muito pessoal pelas razões que mencionei. Já a revelação final, foi, para mim, mais surpreendente. 

É importante salientar que toda a base de Psicologia presente na obra é verossímil, facto que dever-se-á à experiência da autora no ramo. Achei que esta componente estava bem doseada no mistério envolto na personagem do Sigurd. 

Se gostam de tramas alicerçadas em relações pejadas em segredos e intrigas, não deixem escapar este título. A meu ver, uma relação matrimonial é tão pessoal e íntima que pode ser explorada de várias formas, incluíndo perspectivas com maior grau de perversão e disfuncionalidade. Ainda que no caso em apreço, o casamento de Sara e Sigurd não assuma contornos tão chocantes como de outras narrativas que li, creio que há sempre alguma curiosidade em ler sobre relações mais conturbadas.

Em suma, estamos perante um thriller psicológico interessante e, apesar de ter considerado um aspecto algo previsível, o balanço final é muito positivo.


quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Cara Hunter - Sem Saída [Divulgação Porto Editora]

 Data de publicação: 17 Setembro 2020

               Título Original: No Way Out
               Tradução: Cláudia Ramos
               Preço com IVA: 17,70€ 
               Páginas: 336
               ISBN: 9789720033413

Um incêndio, duas vítimas menores de idade e uma investigação que parece Sem saída     
      Cara Hunter revela um dos casos mais perturbadores em que o Inspetor Fawley já trabalhou     
      Depois de resolver o desaparecimento da pequena Daisy, em Perto de Casa, e o sequestro de uma mulher e uma criança, em No escuro, o Inspetor Adam Fawley tem um novo caso em mãos. Sem saída é o mais recente título de Cara Hunter e chega às livrarias de todo o país no dia 17 de setembro.

Duas crianças pequenas são resgatadas de uma casa em chamas, uma morre e a outra fica em perigo de vida, a mãe está em paradeiro incerto e o pai incontactável. Quando a equipa do Inspetor Fawley entra em ação, descobrem que o incêndio tem mão criminosa e que há um assassino a monte.

Em Sem Saída, que já ganhou um lugar na lista do Sunday Times dedicada aos 100 melhores policiais publicados depois de 1945, Cara Hunter mantém o registo intenso e inquietante e, num único fôlego, expõe fragilidades humanas e lacunas sociais e governamentais, com recurso a um humor sombrio e acutilante.

Sinopse: Este é um dos casos mais perturbadores em que o Inspetor Fawley já trabalhou.
São férias de Natal e duas crianças acabam de ser retiradas dos destroços de uma casa em chamas no norte de Oxford. O bebé está morto e irmão foi transportado para o hospital onde luta pela vida. Como é que duas crianças tão pequenas são deixadas sozinhas em casa? Onde está a mãe? E porque é que o pai não atende o telefone?
Quando novas provas são descobertas, o pior pesadelo de DI Fawley torna-se realidade. Porque este incêndio não foi um acidente.
E o assassino ainda anda lá fora.

Sobre a autora: Cara Hunter é uma escritora que vive em Oxford, numa rua não muito diferente das que são descritas nos seus thrillers. Perto de Casa é a estreia de uma série protagonizada pelo detetive Adam Fawley.

Imprensa
«Sem Saída, de Cara Hunter, confirma o lugar da autora na primeira fila dos escritores britânicos de thrillers»
Sunday Times

«Rápido e com um elenco fantástico de personagens. Fez-me adivinhar até ao fim – e adorei a revelação final.»
Fiona Barton, autora bestseller do New York Times



 

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Helene Flood - O Olhar Que Me Persegue [Divulgação Dom Quixote]

Data de publicação: 8 setembro 2020

               Titulo Original:
               Tradução:
               Preço com IVA: 18,80€
               Páginas: 368
               ISBN: 9789722070584

Sinopse: O OLHAR QUE ME PERSEGUE combina um ambiente francamente contemporâneo e realista com um suspense assustador e uma visão perturbadora sobre as nossas mais recônditas facetas, tanto na vida familiar como nos relacionamentos.
Um thriller arrepiante que disseca a relação de um jovem casal, em que as emoções têm o papel principal.
O OLHAR QUE ME PERSEGUE é o primeiro de três thrillers psicológicos de Helene Flood, todos com protagonistas femininas, e tendo por cenário a cidade de Oslo. Numa abordagem totalmente diferente da dos seus congéneres nórdicos, mas igualmente brilhante, a jovem autora demonstra grande talento para gerir tanto o enredo como a qualidade da escrita.
 
Sobre a autora: Helene Flood tem trinta e oito anos, é psicóloga e académica. Em 2016 doutorou-se em violência, revitimização, e traumas relacionados com a vergonha e a culpa. Vive em Oslo com o marido e dois filhos. O Olhar Que Me Persegue é o seu livro de estreia. Os direitos já foram vendidos para vinte e seis países, incluindo a Alemanha, o Reino Unido e os Estados Unidos da América.
 
Imprensa
«Maravilhosa terapia policial.»
Bok 365

«Um dos melhores thrillers do ano.»
Stavanger Aftenblad

«Uma estreia realmente impressionante.»
Adresseavisen

 

Samuel Bjørk - Viajo Sozinha [Divulgação Dom Quixote]


Data de publicação: 8 setembro 2020

               Titulo Original: Det henger en engel alene i skogen
               Tradução:
               Preço com IVA: 22,90€
               Páginas: 536
               ISBN: 9789722070850

Sinopse: Um homem que passeia no bosque encontra o corpo de uma criança pendurado de uma árvore. Um cenário dantesco no meio do bosque. Pendurada do pescoço da menina, uma nota onde se lia: VIAJO SOZINHA.
Holger Munch, um homem solitário, experiente investigador da polícia norueguesa fica encarregue do caso e de formar uma unidade de investigação, na qual vai ter de integrar e procurar a sua anterior parceira na polícia Mia Krüger, entretanto afastada da civilização e a lidar com os seus próprios fantasmas.
Uma perturbada mas brilhante detective que será uma das peças chaves para desvendar o mistério que se vai adensado à medida que ambos descobrem que esta vítima é apenas a primeira, quando Mia descobre que também nas unhas da menina estava mais uma pista.
 
Sobre o autor: Samuel Bjørk é um pseudónimo do romancista norueguês, autor de peças de teatro e cantor e compositor Frode Sander Øien. Já lançou seis álbuns, exibiu várias obras de arte em diversas galerias e traduziu Shakespeare. Viajo Sozinha é a sua primeira obra como autor de thrillers noirs, está publicado em mais de trinta e um países e é um bestseller internacional com milhões de livros vendidos em todo o mundo. Samuel Bjørk é muitas vezes referenciado como semelhante a autores como Stieg Larsson ou Jo Nesbø. Samuel Bjørk nasceu em 1969 e atualmente reside e trabalha em Trondheim, na Noruega.
 
Imprensa
«Samuel Bjørk já faz parte da divisão de elite dos autores de thrillers nórdicos. Tem cuidado, Jo Nesbø!»
Bergens Tidende 
 

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Sarah Vaughan - Pequenos Acidentes [Divulgação TopSeller]


Data de publicação: 7 Setembro 2020

               Título Original: Little Disasters
               Tradução: Dina Antunes
               Preço com IVA: 18,79€
               Páginas: 352
               ISBN: 9789895641550

Sinopse:  Qual é o pior pesadelo de uma mãe?
Jess Curtis é uma mãe dedicada e com uma família perfeita. Tem três filhos, de quem cuida com reservas ilimitadas de paciência, energia e amor. Liz Trenchard é amiga dela há mais de dez anos, e é assim que a vê. Mas tudo muda quando Jess aparece com a filha bebé nas urgências do hospital em que Liz trabalha, colocando-a perante um dilema. Como pediatra, Liz tem o dever de proteger todas as crianças que dão entrada no seu serviço, e a bebé da amiga, com uma fratura craniana, levanta de imediato suspeitas. Jess não se apercebeu de que a filha tinha batido com a cabeça, e a história que conta não é compatível com a lesão da bebé.
E até que ponto conhecemos realmente um amigo?
À medida que pensamentos sombrios atormentam Jess e segredos cuidadosamente guardados começam a vir ao de cima, Liz começa a pôr em causa tudo o que achava saber sobre a amiga, e também sobre si própria. A verdade acabará por ser revelada, e trará consigo factos que muitos prefeririam nunca ter conhecido.

Sobre a autora: Sarah Vaughan é uma autora bestseller do Sunday Times. Estudou Inglês na Universidade de Oxford. Estagiou na Press Association, agência noticiosa do Reino Unido e da Irlanda, e trabalhou durante 11 anos no jornal The Guardian como jornalista e correspondente de saúde e política. 
O seu terceiro romance, Anatomia de um Escândalo (ed. Topseller, 2018), foi bestseller internacional, chegou ao top 5 do Sunday Times, foi traduzido para 22 línguas e adaptado a série pela Netflix. 
Além de escrever, Sarah adora ler, nadar e cozinhar. Atualmente, vive perto de Cambridge com o marido e os dois filhos.
 
Imprensa
«Sombrio, desesperante e envolvente.» 
Cosmopolitan


 



Dean Koontz - Os Olhos da Escuridão [Divulgação TopSeller]


Data de publicação: 7 Setembro 2020

               Título Original: The Eyes of Darkness
               Tradução: José Remelhe
               Preço com IVA: 18,79€
               Páginas: 320
               ISBN: 9789895641765

Sinopse: Uma busca por um filho desaparecido.
Um mistério tóxico que ameaça o mundo.
Um thriller incrível escrito por um autor visionário.
Há um ano, Christina Evans perdeu o filho, Danny, num trágico acidente nas montanhas geladas do Estado do Nevada. Desde então ela tenta, com dificuldade, reconstruir a sua vida. A sua carreira como encenadora musical começa a vingar e ela acaba de conhecer Elliot Stryker, um advogado com quem rapidamente estabelece uma relação próxima. Mas eis que um dia uma frase surge no quadro de giz do quarto do filho: NÃO MORRI 
Será uma piada de mau gosto? Ou a prova de que o seu inconsciente vive atormentado? Quando surgem novas mensagens, Christina começa a acreditar que o filho está, afinal, vivo. Enquanto procura por respostas, a vida de Christina começa a ser alvo de ameaças. Ao tentar escapar, ela descobre que o acontecimento brutal que alegadamente teria vitimado o filho está relacionado com um projeto altamente secreto chamado «Pandora».
Mesmo correndo perigo, Christina irá até ao fim para voltar a encontrar Danny, ainda que isso implique revelar uma verdade tão grave e poderosa que irá pôr em causa o mundo como o conhecemos.

Sobre o autor: Dean Koontz é um autor bestseller internacional que viu 14 dos seus livros alcançarem o 1.° lugar na tabela de vendas do New York Times.
Traduzido em 38 línguas, vendeu mais de 500 milhões de livros em todo o mundo. Vive no sul da Califórnia com a mulher, Gerda, a sua golden retriever, Elsa, e os espíritos duradouros dos seus outros golden, Trixie e Anna.
 
Imprensa
«Dean Koontz é um malabarista literário e um mestre dos nossos sonhos mais sombrios.» 
The Times 
 
«Neste livro, o autor Dean Koontz relata como um vírus ficcional, o Wuhan-400, se propaga pelo mundo inteiro com uma taxa de mortalidade de 100%.»  
Observador 
 

 



sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Tess Gerritsen - Segredo de Sangue [Divulgação Circulo de Leitores]

Data de publicação: Setembro 2020

               Titulo Original: I Know A Secret
               Tradução: Ana Pinto Mendes
               Preço com IVA: 18,70€
               Páginas: 304
               ISBN: 9789724252742
 
Segredo de Sangue, da autora best-seller do New York Times, é um livro cheio de suspense e com um enredo sombrio e bastante perturbador.
A história arranca com uma rapariga encontrada morta no seu apartamento, apresentando ferimentos aterradores. Mas a causa da morte é desconhecida. Pouco depois, é encontrado outro corpo, também em circunstâncias suspeitas. Contudo, ao que parece, alguém conhece os motivos por detrás destes homicídios. O passado volta à tona e um antigo crime vem assombrar a investigação no novo caso da dupla Jane Rizzoli & Maura Isles.
 A série de livros Rizzoli & Isles, de Tess Gerritsen, é um enorme sucesso,
tendo resultado, inclusivamente, numa aclamada série de televisão. Segredo de Sangue
é um título exclusivo Círculo de Leitores.
 
Sinopse: Dois homicídios, em dois locais diferentes, com vítimas sem qualquer relação entre si, têm mais em comum do que o facto de serem investigados pela inspetora Jane Rizzoli, da Polícia de Boston, e pela médica forense Maura Isles. Em ambos os casos, os corpos apresentam ferimentos aterradores, mas não se sabe a verdadeira causa da morte.
É um caso duplamente difícil numa altura problemática para Rizzoli e Isles. Enquanto Jane tenta salvar a mãe de um casamento em ruínas que ameaça enterrá-la viva, Maura lida com a morte iminente da sua mãe, a infame assassina em série Amalthea Lank.
Apesar de sucumbir ao cancro, Amalthea não perdeu a sua apetência para manipular a filha, acenando-lhe com uma pista críptica sobre os dois bizarros assassínios que Maura e Jane tentam resolver. Mas o que a mulher condenada sabe é apenas uma peça do puzzle.
A investigação não tarda a conduzir a uma jovem misteriosa que foi vítima de um escândalo de abusos sexuais, a um filme de terror de produção independente que parece inspirar-se na realidade e a uma série de santos martirizados que conheceram uma morte cruel e invulgar. E quando Rizzoli e Isles pensavam ter encurralado o diabólico predador, o passado há muito enterrado ergue-se e ameaça levar consigo mais vidas inocentes, incluindo as delas

Sobre a autora: Tess Gerritsen, médica e escritora norte-americana, autora de best-sellers do New York Times, apresentou-nos a detetive Jane Rizzoli e a Dr.ª Maura Isles em O Aprendiz, e continuou a escrever vários títulos da famosa série Rizzoli & Isles, sendo os mais recentes Morrer Duas Vezes, A Última Vítima, Rapariga Silenciosa e Lembranças Macabras. A autora vive no Maine, nos EUA.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Camilla Läckberg - Asas de Prata [Opinião]

Sinopse: AQUI

Opinião: Creio que esta é a primeira vez que atribuo uma cotação menos favorável a uma das minhas autoras preferidas.

Embora esteja consciente de que nem todos os leitores fiéis de Camilla Läckberg apreciaram o título antecessor - que me parece marcar o início de uma nova série, de contornos bastante diferentes da saga policial com cenário em Fjällbacka - pessoalmente, adaptei-me à sua mudança de registo e acabei por atribuir a classificação máxima ao livro anterior. Contudo, infelizmente, a sequela Asas de Prata já não me agradou como gostaria e passarei a explicar, desde já, as minhas razões.

Os leitores de A Gaiola de Ouro saberão que esta nova série se caracteriza pelo empowerment feminino, explorando a temática da vingança. Na minha opinião, este ingrediente perdeu o fulgor na presente narrativa pois esta desenvolve-se muito em torno do romance de Faye com um novo personagem, David. Se já achara que o livro antecessor era pleno em cenas de sexo - pessoalmente não tenho nada contra - achei que as mesmas são bem mais atrevidas e picantes, o que, a meu ver, não valoriza mais uma história que, pelo que pude apurar, deveria enquadrar-se mais no género de thriller. 

Até achei que estas cenas se sobrepuseram àquela que é a premissa da nova obra que se prende com uma ameaça ligada ao lançamento da marca Revenge nos Estados Unidos agora que o ex-marido de Faye está na prisão. Sobre a personagem de Jack, devo confessar que esperava um desenvolvimento diferente, no meu íntimo ansiava que este aparecesse com mais frequência, apresentando-se como uma ameaça mais tenebrosa do que foi na realidade. Pessoalmente teria explorado a trama de forma diferente, um jogo de perseguição ao jeito de um stalker teria sido, a meu ver, um percurso mais impactante. 

Devo confessar que não gostei dos episódios que promoveram uma imagem mais decadente de Faye nem os considerei, tão pouco, relevantes para a narrativa.

A trama actual é intercalada por uma outra que remete para o passado de Faye, mencionando alguns episódios da sua adolescência que, esses sim, conferiram um toque mais intenso à narrativa. Foi nestes flashbacks que encontrei, de forma mais assumida, o tema da vingança e reconheço que a minha avidez na leitura se deveu, sobretudo, à curiosidade em conhecer o desenvolvimento desta subtrama.

A narrativa, no seu todo, foi, a meu ver, bastante previsível culminando num desfecho desprovido de surpresas ou emoções fortes. Ficou, no entanto, em aberto para que a história de Faye possa ser continuada e, quiçá, tornar-se numa série tão numerosa quanto a série policial, protagonizada por Erica e Patrik.

No entanto, é um livro que se encontra estruturado em capítulos curtos, impelindo-me a lê-lo em cerca de 24 horas, contudo, finda a sua leitura, fica o sentimento de ter lido uma história que poderia e deveria ter sido uma experiência mais enriquecedora. 

Em suma, Asas de Prata é um livro viciante que se lê num trago, todavia, a ilação que tiro da obra não é, realmente, das mais positivas. 



quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Peter May - Lockdown Inimigo Invisível [Divulgação Marcador]

Data de publicação: 2 Setembro 2020

               Titulo Original: Lockdown
               Tradução: Luis Silva dos Santos
               Preço com IVA: 15,90€
               Páginas: 288
               ISBN: 9789897544545
 
Sinopse: Escrito há mais de quinze anos, este thriller presciente e cheio de suspense decorre numa cidade em quarentena e explora a experiência humana sob o domínio de um vírus assassino.
Londres é o epicentro de uma pandemia global e a cidade está completamente confinada. A violência e a agitação espreitam por toda a parte e ninguém se encontra a salvo do vírus mortal que já ceifou milhares de vidas. 
Os hospitais estão sobrelotados e os serviços de emergência são impotentes. O inspetor Jack MacNeil demitiu-se da polícia, está divorciado e preocupado com o filho, que parece ter contraído o vírus. No seu último dia de trabalho, é ainda enviado para resolver o homicídio de uma criança, aparentemente relacionado com um saco de ossos encontrado na obra de um hospital de emergência. O culpado cruel faz tudo o que pode para frustrar MacNeil e a corrida contra o tempo começa numa Londres em confinamento. Quem deterá MacNeil primeiro: o vírus ou o assassino?

Sobre o autor: Peter May nasceu e cresceu na Escócia. Aos 21 anos, era já um jornalista premiado e, aos 26, publicou o seu primeiro romance, que viria a ser adaptado com grande sucesso para uma série dramática da BBC. Nessa altura, decidiu abandonar o jornalismo e, durante os dinâmicos quinze anos que se seguiram, foi um dos dramaturgos televisivos mais bem-sucedidos da Escócia. Criou três séries dramáticas para o horário nobre , encabeçou, como argumentista e produtor, duas das séries com melhores audiências na história do seu país e colaborou em mais de mil episódios de séries dramáticas de excelência, antes de decidir abandonar a televisão para regressar ao seu primeiro amor: os romances. Recebeu vários prémios literários em França e o Barry Award para Melhor Romance Policial, nos Estados Unidos, pelo livro A Casa Negra, o primeiro dos seus bestsellers internacionais. Em 2014, recebeu o galardão de Melhor Livro do Ano do ITV Specsavers Crime Thriller Book Club, pelo livro A Ilha de Entrada.